POV/ Moon
— Moon! Como foi o voo? Você chegou bem? — a Sky perguntou, aproximando o rosto da câmera com uma preocupação genuína.
— Cheguei agora na pousada, Sky. O voo foi tranquilo, fiz algumas escalas longas, mas deu tudo certo — respondi, tentando manter a voz leve e um sorriso no rosto. — Como está o papai? Você foi ao hospital hoje?
— Fui sim, passei lá na hora do almoço — a fisionomia da Sky relaxou um pouco, um sorriso fraco surgindo nos lábios dela. — Ele estava fazendo os exercícios de fonoaudiologia. A médica disse que a garganta dele está respondendo super bem aos estímulos. Ele até tentou pronunciar o meu nome hoje, Moon... saiu uma sílaba meio torta, mas saiu.
Senti os meus olhos arderem e um nó crescer na minha garganta.
— Que notícia maravilhosa, meu Deus... — murmurei, apertando o celular contra as minhas mãos. — E você, Sky? Como você está? Está se alimentando direito?
— Estou bem, maninha. Só um pouco cansada por causa dos relatórios da empresa — ela mentiu de forma sutil, desviando os olhos da câmera por um segundo. Eu sabia que aquela exaustão no olhar dela tinha nome e sobrenome: Rocco Blackwood. Mas decidi não pressionar o assunto para não estragar o momento. — Aproveite a sua viagem, viu? Descanse bastante, passe protetor solar e não se preocupe com nada daqui. Eu cuido do papai e da casa.
— Obrigada, Sky. Eu amo você — falei, com a voz embargada.
— Também amo você. Me manda fotos de tudo amanhã!
Desliguei a chamada e encarei a tela preta do aparelho. A culpa voltou a me martelar por dentro. Ali estava eu, em um quarto de hotel maravilhoso, prestes a curtir um final de semana no Nordeste, enquanto a minha irmã continuava carregando todo o estresse do mundo nas costas. Deitei de costas na cama, olhando para o ventilador de teto girando devagar, e me perguntei mais uma vez se eu não estava sendo fútil por aceitar aquele jogo do Senhor C. Mas o meu corpo pedia por um respiro. Eu precisava me permitir viver aquilo, nem que fosse por alguns dias.
No sábado de manhã, acordei com a luz do sol invadindo a varanda. Tomei um café da manhã reforçado no salão da pousada, aproveitando as frutas tropicais e as tapiocas feitas na hora. Como eu sabia que não podia entrar na água do mar ou na piscina da pousada por causa do piercing na intimidade que ainda precisava de cuidados com a pomada, comecei a pesquisar passeios alternativos pela internet para passar a tarde.
Encontrei o anúncio de um evento exclusivo que aconteceria no final da tarde: uma festa a bordo de um iate de grande porte que sairia da marina para acompanhar o pôr do sol em alto-mar. O ingresso era salgado, mas o perfil da festa parecia ser bem tranquilo, focado em música ambiente, gastronomia e paisagens bonitas.
Antes de comprar o bilhete, peguei o celular e abri a conversa com o Senhor C. Eu sabia que precisava pedir permissão e mantê-lo informado dos meus passos.
"Achei um passeio bonito para fazer hoje à tarde. É uma festa em um iate que vai sair da marina para ver o pôr do sol no mar. O que você acha? Eu posso ir?" — digitei e mandei.
A resposta dele demorou cerca de cinco minutos para chegar, tempo suficiente para deixar as minhas mãos suando frio de expectativa. Quando o aparelho finalmente vibrou, li as ordens ríspidas dele:

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