POV/ Moon
Pisquei os olhos devagar, a minha visão ligeiramente turva pelo efeito do álcool. Apoiei a palma da minha mão no ombro largo do homem para me reequilibrar e ergui a cabeça devagar para encarar o meu salvador.
O meu coração deu uma batida violenta contra as costelas, travando o ar nos meus pulmões.
Era um homem moreno, alto, de porte físico impecável, vestindo uma camisa social branca de corte caríssimo, com os dois primeiros botões abertos mostrando o início do peitoral. O cabelo escuro estava perfeitamente alinhado e as feições do rosto dele eram tão marcantes, tão desenhadas e masculinas, que me fizeram perder a fala por três segundos inteiros. Havia um olhar denso e penetrante focado em mim.
— Oiee... Me desculpa... e quer dizer, obrigada — agradeci, ainda ouvindo meu coração bater acelerado. — Obrigada.
Sentir o toque da mão dele no meu braço fez a minha pele arder, arrepiando os pelos do meu corpo na mesma hora.
— Por nada. Tenha cuidado — ele respondeu.
— É que eu sou muito distraída...
— Deu para perceber.
Ele manteve a mão no meu braço até ter certeza absoluta de que os meus dois pés estavam firmes no chão. Ele deu um meio sorriso de canto que deixou o rosto dele terrivelmente fascinante.
Olhando para ele, aquele rosto parecia um pouco familiar. Pisquei algumas vezes, tentando puxar pela memória.
— Por um acaso eu te conheço? — perguntei.
— Ah... — ele disse, passando a mão pelo cabelo escuro. — Sim, trabalhamos no mesmo lugar.
— Ahhh, é? — precisei de alguns segundos para tentar raciocinar. — Você... — murmurei, arrastando a voz levemente por causa da tontura da bebida. — Você é do escritório... Blackwood?
— Christian — ele se apresentou com um tom de voz calmo e controlado, sustentando o peso do meu corpo sem demonstrar o menor esforço físico, mantendo a palma da mão grande e quente firme ao redor do meu cotovelo. — Sou da diretoria executiva. E você é a moça do nome diferente, da equipe Zênite, não é? A arquiteta e designer assistente.
— É... sou eu, a Moon — respondi, sentindo o meu rosto ferver de vergonha pela situação ridícula em que eu tinha me colocado. — Meu Deus, me desculpa... o chão balançou e eu perdi o equilíbrio. Eu te atropelei uma vez, não foi? — perguntei, sentindo minhas bochechas queimarem de vergonha.
— Exatamente.
— Me desculpa — respondi rápido, envergonhada.
— Não precisa se desculpar — Christian disse, os olhos escuros mapeando o meu rosto com uma intensidade física que fez a minha espinha gelar. — O que você está fazendo aqui em Porto Seguro sozinha?
— Eu... eu vim passar o final de semana de férias. O meu projeto do parquinho foi entregue e eu precisava descansar um pouco — respondi, tentando ajeitar a alça do meu vestido com os dedos trêmulos. Olhei para ele com curiosidade. — E você? O que faz em um iate de festa na Bahia?
— A Blackwood tem investimentos imobiliários na orla do Nordeste. Eu passei a semana em reuniões presenciais com empresários e investidores locais aqui na cidade — ele explicou, a voz tranquila e pausada. — Um parceiro comercial me convidou para esta recepção no barco do amigo dele.
Olhei por cima do ombro dele e vi que, a poucos metros dali, em um lounge reservado do iate, havia uma roda de conversa composta por homens de terno alinhado, alguns que eu já tinha visto na Blackwood, e mulheres elegantes conversando sobre negócios. A presença daqueles executivos confirmou a história dele na hora.
— Entendi... que coincidência encontrar alguém do escritório tão longe de Porto Alegre — comentei, rindo fraco para disfarçar o nervosismo.
— O mundo corporativo é pequeno, Moon — Christian deu um passo discreto para trás, ajustando os punhos da sua camisa social, mas mantendo o olhar fixo nos meus olhos. — Mas tome cuidado com o álcool enquanto estiver no mar. O chão do convés é traiçoeiro e você pode se machucar de verdade.
— Pode deixar... eu vou pedir uma água agora mesmo — respondi, engolindo em seco.
— Excelente escolha. Aproveite a festa, Moon — ele desejou, assentindo levemente com a cabeça antes de se virar e caminhar de volta para a roda de empresários no lounge.
Fiquei parada no mesmo lugar por um longo tempo, encarando as costas dele enquanto ele se afastava. O meu peito continuou martelando com uma velocidade insana.
Segui o conselho dele, fui até o bar e passei o restante da tarde bebendo apenas água mineral e observando a paisagem do pôr do sol.
Quando o iate retornou para a marina no início da noite, peguei um táxi e voltei direto para a pousada. O cansaço da viagem e o efeito do sol me deixaram exausta. Entrei no quarto, tomei um banho frio demorado, passei a pomada cicatrizante na intimidade com cuidado e me deitei na cama de casal enorme.

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