POV/ Moon
Digitei apenas um ponto de interrogação no visor e enviei logo em seguida.
Ele visualizou as duas barrinhas azuis na tela, mas não respondeu absolutamente nada.
Fiquei encarando o aparelho por alguns segundos, com a mente fervendo de dúvidas, até que o telefone fixo do quarto tocou em cima da mesa de cabeceira. Atendi rápida. Era a recepção da pousada me avisando que a van do passeio guiado ao aquário da cidade já estava aguardando na entrada principal.
Ajeitei a minha bolsa no ombro e desci. O passeio foi incrivelmente relaxante. Caminhei pelos corredores de vidro do aquário, admirando os peixes coloridos, as arraias e os tubarões nadando bem em cima da minha cabeça. Peguei o celular e tirei várias fotos bonitas das espécies marinhas, enviando os arquivos direto para a conversa do Senhor C.
Na saída do aquário, o guia da excursão nos levou até um ponto elevado perto da praia para acompanhar o final do pôr do sol. Fiquei encostada em uma mureta de pedra, vendo o céu mudar de cor sobre o mar aberto, com o vento morno da Bahia bagunçando o meu cabelo. Tirei mais algumas fotos da paisagem e mandei para ele.
Voltei para a pousada no começo da noite. Fui direto para o restaurante do hotel, me sentei em uma mesa do canto e pedi um jantar delicioso. Mandei as fotos do meu prato para o Senhor C, cumprindo a minha rotina de atualizações.
Alguns minutos depois, enquanto eu esperava a sobremesa chegar, o celular vibrou em cima da mesa. Abri a conversa na expectativa. Ele tinha visto todas as fotos do aquário e do pôr do sol, mas continuava ignorando completamente a minha pergunta sobre ele estar em Porto Seguro.
"Você tem medo de água?" — a mensagem dele surgiu na tela. — "Não mandou nenhuma foto de dentro do mar ou da piscina até agora."
Sorri sozinha, digitando a resposta com rapidez:
"Não tenho medo de água. É que eu não posso entrar na água por enquanto."
"Por quê? Você está naqueles dias?" — ele perguntou em seguida.
"Não, nada disso. É porque eu coloquei um piercing."
A resposta dele demorou um pouco mais que o normal, como se ele estivesse absorvendo a informação:
"O quê? Como assim um piercing?"
Sentindo uma onda de coragem e provocação subir pelo meu peito, respondi:
"Bom, eu coloquei um piercing em algum lugar do meu corpo."
"Isso não responde nenhuma das minhas dúvidas" — ele rebateu, direto.
Soltei uma risada baixa contra a mesa, rindo sozinha com a reação dele. Ajustei o corpo na cadeira e decidi usar aquilo como moeda de troca:
"Você também não respondeu a minh"
"Moonn?? " — ele respodeu.
"Você está aqui em Porto Seguro? Se você não responder se está aqui ou não, eu também não vou te falar onde eu coloquei o meu piercing."
Mandei a mensagem. As duas barrinhas azuis acenderam na tela indicando que ele tinha lido. Aguardei na expectativa de ver as reticências de digitação aparecerem na tela, mas o visor ficou totalmente estático. Ele simplesmente visualizou e não respondeu nada.

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