POV/ Moon
(POV: SENHOR C)
Fiquei observando a Moon sentada na cadeira de veludo, girando a haste da taça de vinho entre os dedos finos. A iluminação suave da cabine refletia na pele clara do rosto dela, denunciando a respiração curta e o nervosismo evidente. Apontei o queixo na direção das cúpulas térmicas sobre a mesa.
— Quer que eu sirva os pratos agora? — perguntei, a minha voz saindo arrastada por trás da máscara de Salvador Dalí.
Ela parou de girar a taça e me encarou, apertando os lábios pintados de vermelho.
— Será que a gente pode comer depois? — ela pediu, a voz saindo um pouco esganiçada. — É que... vai que eu vomito.
Soltei uma risada baixa, rouca, encostando o quadril na beirada da mesa de jantar.
— Você está tão nervosa assim? — perguntei.
— Sim — ela confessou de imediato, engolindo em seco. — Eu estou muito nervosa. Eu não sei direito o que você vai fazer comigo e o meu estômago está embrulhado.
A honestidade dela era um golpe direto no meu peito. Afastei o corpo da mesa e estendi a mão na direção dela.
— Então vem comigo.
Ela deixou a taça quase vazia sobre a mesa, levantou da cadeira e seguiu os meus passos. Caminhei pelo corredor de madeira do iate e abri a porta de um lounge privativo no fundo da embarcação. O ambiente era revestido em tons escuros, iluminado apenas por feixes de luz indireta no teto. No centro do piso, uma barra de pole dance de metal polido ia do chão ao teto.
Caminhei até uma poltrona de couro larga no canto da sala e me sentei, afastando as pernas e apoiando os braços no encosto. A Moon ficou parada perto da porta, apertando as mãos na frente do vestido vermelho, olhando para a barra de metal e depois para a minha máscara.
— Dança para mim — ordenei em um tom absoluto, ecoando no silêncio do cômodo.
Ela arregalou os olhos.
— O quê? Eu não sei fazer isso...
— Dança para mim, Moon, e a gente começa o seu jogo — repeti, a voz pesando com autoridade.
Ela puxou o ar pela boca, o peito subindo e descendo rápido. O álcool do vinho parecia circular pelo sangue dela, dando o empurrão de coragem que a garota precisava. Ela caminhou devagar até o centro da sala e parou perto da barra de metal.
Levou as mãos até as alças do vestido vermelho e as empurrou para baixo dos ombros. O tecido fino escorregou pelo corpo dela e caiu no chão em uma poça escura.

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