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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 254

POV/ SKY

Infelizmente, ele ignorou completamente a minha reclamação. Continuou pulando igual pipoca dentro do meu tórax.

O meu pai, que estava deitado ao lado, soltou um gemido fraco, tentando virar a cabeça na minha direção com o olhar curioso.

— Hm... ?

Sorri daquele jeito torto de quem claramente estava escondendo um crime.

— Tá tudo bem, pai! Tá tudo ótimo. Foi só... ansiedade de trabalho.

Ele continuou me encarando. Aquele olhar de pai. O mesmo olhar de quando eu era criança e ele descobria que eu tinha aprontado. A sobrancelha dele subiu devagar.

— Bom, ansiedade e um pouco de projeto acumulado — mudei a desculpa rápido.

Droga. Nem eu acreditaria nessa conversa.

Repeti isso para mim três vezes mentalmente: era por causa do projeto. Só do projeto. Exclusivamente do projeto. O fato de um certo homem arrogante estar voltando de viagem era um detalhe completamente irrelevante.

Eu merecia um prêmio de atuação, porque acreditar nessa mentira já estava exigindo um talento absurdo.

Era claro que eu precisava saber a data da avaliação. Afinal, eu era uma profissional extremamente comprometida. O fato de eu ter conferido no reflexo da tela do celular se o meu cabelo estava apresentável umas cinco vezes seguidas era apenas profissionalismo. Completamente profissional.

Guardei o celular na bolsa e respirei fundo. Amanhã. Eu ia reencontrar aquele homem. Não tinha motivo para pânico. Era só o meu chefe. Um chefe irritante. Arrogante. Convencido. Insuportavelmente bonito...

Droga. Eu precisava aprender urgente a fazer listas sem estragar a minha própria argumentação.

Fiquei mais um tempo com o meu pai até o horário de visita encerrar. Me despedi dele com um beijo carinhoso na testa e saí do hospital. A minha irmã ainda não tinha chegado de viagem e a ideia de ir para casa agora, encarar aquele apartamento totalmente vazio, silencioso e cheio de pensamentos sobre o regresso do Rocco amanhã era uma sentença de morte para a minha sanidade mental.

Eu estava exausta, com o corpo pesado e a mente fervendo. Precisava desligar.

Em vez de pegar o caminho do meu prédio, mudei a rota na calçada e decidi ir direto para a Erotic Boys. Eu só precisava de um balcão, uma bebida forte e um lugar barulhento para conseguir anestesiar a minha cabeça pelo menos por algumas horas.

Quando passei pela porta do bar, percebi que o ambiente estava agitado. Tinha uma música animada tocando, algumas mulheres dançando perto do palco menor e um pessoal reunido jogando e assistindo à televisão nos sofás do canto.

Sentei em uma das banquetas do balcão e, no mesmo segundo, presenciei um pequeno desastre em tempo real.

Uma moça, muito bonitinha, quase deixou uma bandeja inteira virar no meio do salão. Ouvi o barulho estrondoso de dois copos de vidro se estilhaçando no chão.

— Ai, meu Deus! Desculpa, desculpa! — ela soltou com a voz fina, quase tropeçando nos próprios pés enquanto tentava recolher os cacos.

Eu já tinha visto o rosto dela em algum lugar... Lembrei na hora: ela era amiga da Moon!

Só não sabia o nome dela ainda. E a coitada era uma máquina de criar confusão. Em menos de dez minutos ali sentada, vi a garotinha entregar uma dose de vodca pura para um cliente que tinha pedido água mineral, e logo depois servir uísque para alguém que queria apenas um refrigerante.

A bichinha estava completamente desatenta, perdida no meio do serviço.

Soltei uma risada baixa, sentindo uma empatia imediata por ela. Somos duas desastradas ambulantes, pensei comigo mesma.

Ela veio na minha direção no balcão, enxugando as mãos no avental com a cara mais lavada do mundo e um sorriso sem jeito.

— Oi! Desculpa a demora... Eu sou a Charlotte — ela disse, respirando fundo e ajeitando o cabelo bagunçado.

Antes que eu pudesse responder, o Arthur apareceu saindo de trás da copa, balançando a cabeça com uma mistura de divertimento e desespero.

Olhei para o Arthur, mas ele já estava instruindo a garota do outro lado do balcão.

— Olha, Charlotte, é isso. Faz companhia para ela, esse é o seu trabalho agora. Fica aí com ela e garante que ela não cause nenhum estrago — o Arthur avisou, voltando para a copa.

Charlotte assentiu com a cabeça, ajeitou o avental torto e se debruçou perto do meu copo, me servindo mais uma dose bem generosa.

— Você não vai beber comigo? — perguntei, apontando para a garrafa com a minha voz já começando a arrastar.

— Ah, não, eu estou aqui só trabalhando mesmo, preciso juntar uma grana e manter esse emprego a todo custo — ela respondeu dando uma risada curta, sem entregar quase nada sobre a vida dela e mantendo o foco no serviço.

Dei de ombros e virei o líquido quente direto pela garganta. A essa altura, a minha cabeça já estava flutuando leve. Puxei o celular da bolsa no puro automático e abri a conversa do Rocco, ficando encarando aquele número mudo na tela como uma completa tonta.

Charlotte olhou de relance para a tela do meu telefone, soltou uma risadinha e balançou a cabeça de um jeito compreensivo:

— Olha, se tem uma coisa que eu aprendi na vida, é que celular na mão de pessoa bêbada não é nada inteligente. Guarda isso logo antes que você faça alguma besteira e se arrependa amanhã cedo.

Soltei uma gargalhada alta e debochada, acenando com a mão no ar.

— Pior que é verdade... Mas pode ficar bem tranquila. Eu nunca na minha vida ligaria para esse desgraçado. Eu odeio esse homem com todas as minhas forças.

Bati o celular em cima da madeira do balcão, largando o aparelho ali do lado do meu copo, e pedi mais uma dose para o Arthur.

Charlotte cruzou os braços e olhou para o meu celular como quem estava vendo uma bomba prestes a explodir.

— Guarda esse negócio.

Franzi a testa.

— O quê?

— O celular.

— Por quê?

Ela apontou para o copo na minha mão.

— Porque você já está bêbada.

Soltei uma risada escandalosa.

— Eu? Bêbada? Charlotte... eu ainda consigo enxergar você em... deixa eu contar...

Apontei um dedo para ela. Depois dois. Depois fiquei alguns segundos tentando decidir qual dos dois era o verdadeiro.

— ...uma quantidade aceitável de Charlottes.

Ela suspirou.

— É exatamente isso que uma pessoa bêbada diria.

Revirei os olhos dramaticamente.

— Escuta aqui... eu posso até tropeçar... posso até esquecer onde eu moro... posso até acordar amanhã abraçada num cone de trânsito...

Arthur, que passava atrás do balcão, respondeu sem nem olhar para mim:

— Já aconteceu.

— CALA A BOCA, ARTHUR!

Voltei a apontar para Charlotte.

— Mas existe uma coisa...

Levantei o dedo indicador como se estivesse prestes a revelar o segredo da humanidade.

— ...UMA COISA...

Ela esperou.

— ...que eu jamais faria.

Charlotte sorriu.

— Ligar para ele?

Bati a mão no peito.

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