POV: ROCCO
Fiquei deitado na cama por horas, encarando as sombras no teto do quarto enquanto a minha respiração tentava entrar em um ritmo normal. A pele da minha cintura ainda parecia queimar onde as mãos da Sky tinham se agarrado. Ela tinha usado o meu corpo para aliviar aquele desespero que estava sufocando o peito dela, tinha chegado ao topo em cima de mim e foi embora antes de terminar o serviço, me deixando no limite do desejo, travado e com a cabeça fritando de ansiedade.
Passei a mão pelo rosto, soltando um ar quente pela boca. Eu não sabia o que pensar. Uma parte de mim queria ir atrás dela, arrombar a porta do apartamento dela e exigir uma conversa de verdade, mas a minha lógica de engenheiro falava mais alto. Se a Sky quisesse conversar, ela teria ficado. Ela usou o momento como uma válvula de escape porque estava sobrecarregada, e tentar forçar a barra agora só faria aquela ruiva erguer um muro ainda mais alto entre nós dois. Ela não me dava espaço para entrar na vida dela.
O barulho alto do telefone fixo da sala cortou o silêncio da casa, me fazendo dar um pulo no colchão.
Olhei para o relógio da cabeceira. Madrugada. Ninguém usava aquele número, exceto os meus avós. Eles eram antigos demais para mensagens de texto ou aplicativos, então só ligavam na linha física quando o assunto era sério.
Levantei da cama usando apenas a calça de moletom cinza e fui até a sala, atendendo o gancho no terceiro toque.
— Rocco? — A voz firme da minha avó, Helena, veio do outro lado da linha, cortada pelos chiados da ligação internacional.
— Oi, vovó. Aconteceu alguma coisa? O avô está bem?
— O seu avô está estável, mas a situação do Ravi precisa de atenção imediata. Nós fomos a uma consulta com a psicóloga dele hoje cedo e ela foi categórica: o Ravi precisa passar por uma sessão intensa de terapia familiar presencial. O acidente de carro ainda deixa travas profundas nele, e a médica disse que a sua presença é indispensável. Você é o irmão mais velho, a referência dele. Você precisa vir para a Inglaterra agora.
Fechei os olhos e massei a ponte do meu nariz com dois dedos. Eu sabia muito bem o que estava por trás daquela urgência toda. O meu avô Heitor estava com a saúde debilitada, o coração fraco, e os dois queriam aproveitar a minha ida a Londres para empurrar a Juçara para cima de mim a todo custo. Mas eu não podia rebater pelo telefone. Não podia arriscar uma discussão alta que fizesse o velho ter outro surto cardíaco.
— Está certo, vovó. Eu vou — respondi, mantendo a voz mais calma que consegui fabricar. — Vou organizar as coisas na empresa hoje cedo e pego o primeiro voo para Londres.
— Excelente. Estamos te esperando.
Desliguei o telefone e encostei as costas no balcão da cozinha. O dia mal tinha amanhecido e a minha cabeça já estava prestes a explodir.
Apertei o passo e liguei direto para o celular do Christian. O meu primo atendeu no segundo toque, com a voz clara de quem já estava de pé trabalhando.
— Fala, Rocco.
— Christian, vou precisar viajar para a Inglaterra de emergência. A psicóloga do Ravi exigiu uma terapia familiar presencial e vou ficar fora por algumas semanas. Preciso que você assuma o controle de tudo por aqui.
— Pode deixar. A empresa fica redonda.
— E tem mais uma coisa — completei, sentindo o meu peito apertar. — Fica de olho na Sky para mim. Supervisiona os passos dela de longe, garante que ninguém tente dar rasteira na equipe dela. Ah, e sobre o pai dela... ele continua no hospital. Quero que você mande a melhor equipe de médicos da cidade para lá e contrate os melhores fisioterapeutas para cuidarem do homem. Custeia tudo pela estrutura da Blackwood. Quando eu voltar de viagem, eu decido como vou resolver essa situação com ela, mas preciso saber que ele está sendo bem cuidado.
— Considera feito, Rocco. Vou acompanhar tudo de perto.
Desliguei e liguei para o Diego em seguida.
— Diego, preciso que você peça para a sua irmã, a Sakura, dar um suporte técnico para a equipe da Sky e da Moon no concurso. E escolhe um dos projetos mais acessíveis para colocar na mão delas agora.
Do outro lado, o Diego soltou um riso curto, incrédulo:
— Peraí, Rocco... Isso não é um pouco de trapaça ou favoritismo no concurso?
— Eu sou o dono dessa empresa, Diego. Eu mando, você faz — afirmei sem margem para debate. — Quero elas focadas e com um projeto bom nas mãos. Supervisiona tudo de perto e avisa que, assim que eu retornar do exterior em algumas semanas, vou vistoriar cada detalhe pessoalmente.
— Tá bom, tá bom, chefe. Você que manda. Vou organizar isso com a Sakura hoje mesmo.
Desliguei a chamada e peguei o meu celular pessoal. Abri a conversa da Sky no aplicativo. Os meus polegares ficaram suspensos sobre a tela por minutos.
Abri a conversa.
Digitei:
"Sky, precisamos conversar."
Apaguei.
Parecia cobrança.
Escrevi outra.
"Você está bem?"
Apaguei.
Parecia preocupação demais.
Respirei fundo.

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