Entrar Via

A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 26

POV: SKY BITTENCOURT

As últimas semanas foram um borrão de cafeína e desespero. Eu não dormia, não comia, eu apenas projetava. O Alex me ajudou com opiniões sobre o design e a estrutura, mesmo sabendo que ele seria meu adversário afinal, a Gouveia estava participando e usaria o meu projeto no concurso.

Eu queria que aquele resort fosse uma declaração de guerra contra a mesmice. Tirei a inspiração das memórias que eu tinha do Rio Grande do Norte, de um castelo de pedras rústicas que parecia desafiar o tempo. No meu projeto, o concreto não era reto; ele era orgânico, torto, propositalmente inclinado como se estivesse dançando com o vento. Misturei a pedra marrom-dourada com o vidro, criando espaços onde a arte e a natureza se fundiam sob a sombra de coqueiros estrategicamente posicionados. Era um castelo moderno. Era a minha alma em formato de planta.

Quando recebi o e-mail confirmando que eu estava no Top 10 e que a apresentação seria em dois dias, eu chorei. Chorei de alívio, de cansaço e de esperança.

— Você vai arrasar, Sky! É o melhor trabalho que você já fez — Moon disse, me abraçando.

Contei ao meu pai e juro que pude vê-lo sorrir. Ou talvez eu apenas quisesse muito que fosse verdade. Dormi por 14 horas seguidas após a aprovação, colocando o sono em dia.

No dia da apresentação, acordei radiante. Geralmente, as equipes precisam de três membros: um engenheiro, um arquiteto e um designer. Na minha, somos apenas Moon e eu; eu e Moon. Fomos de táxi e, no caminho, resolvi passar em uma cafeteria para pegar um café especial para nós duas. Eu merecia aquele pequeno luxo.

— Não autorizado — a moça do caixa disse, sem graça, após passar o cartão.

Tentei de novo. E de novo. Senti o sangue fugir do meu rosto. Abri o aplicativo do banco e o saldo era um deserto. O depósito que o Paulo deveria ter feito no dia 25 não estava lá. Meu celular vibrou no bolso. Era uma mensagem dele.

"Não depositamos os 3% esse mês porque não temos um novo contrato assinado, Sky. Sem a sua assinatura cedendo o terreno pelo tempo determinado, e não sendo mais minha nora, eu não tenho obrigações financeiras com você já que esses 3% irei abater na nossa dívida de quase um milhão de reais. Boa sorte explicando isso para a clínica que faz a manutenção mensal dos equipamentos de oxigênio do seu pai. A limpeza dos filtros é dia 10, não é? O advogado tem os papéis. É só assinar."

O ar pareceu congelar nos meus pulmões. Ele estava usando a respiração do meu pai para me dobrar. Canalha. Olhei para a Moon, que me esperava encostada no carro, sorrindo e acenando. Eu não podia contar para ela. Não hoje. Hoje era o dia de salvar as nossas vidas. Eu já tinha enviado currículos para outras dezenas de empresas, mas o Horizon era a minha única saída real de curto prazo.

Passei o cartão da poupança para emergências. Engoli o nó na garganta, ignorei o estômago roncando e entrei no carro. Bebi o café, mas eu estava tão nervosa que senti gosto de vômito; ainda assim, me obriguei a beber. Não tinha dinheiro, quem diria desperdiçar alguma coisa. Eu ia entrar naquela empresa, ficar entre os quatro finalistas, assinar o contrato e só depois pensaria nos meus outros problemas.

A sede da Blackwood & Co. não era apenas um prédio; era um monumento ao poder. No saguão, o ar-condicionado parecia soprar desprezo sobre a minha saia bege comum e meu salto baixo. Eu me sentia minúscula. Alex estava lá, e vê-lo foi como encontrar uma boia no meio do oceano. Mas o meu alívio durou pouco, porque logo atrás dele estavam eles: Victor Gouveia e Sofia Bernardes. Estavam impecáveis, vestindo roupas que custavam mais do que o meu aluguel. O pior não era vê-los; era ver os croquis que eles carregavam. O meu projeto. A minha ideia, roubada e lapidada por mãos traiçoeiras.

Meu estômago revirou, mas respirei fundo tentando manter a calma para não vomitar. Sofia me viu e um sorriso cruel se desenhou em seu rosto. Victor apenas desviou o olhar, como se eu fosse um detalhe insignificante na sua trajetória de sucesso.

— Não olha para eles, Sky — Moon sussurrou, tentando me guiar. — Foca no que você veio fazer. Você é melhor que isso.

Eu tentei. Mas, ao passar por eles para entrar na sala de espera, Alex abriu um sorriso e riu; eu sorri também. Sofia não se conteve. Com um movimento rápido, ela esticou a perna. Eu tropecei. O mundo girou por um segundo e eu cambaleei, esbarrando com força em um homem alto que segurava um copo de café.

O impacto foi seco. O café escaldante explodiu contra o peito dele e, por tabela, contra o meu, me queimando.

— Ai, merda!!! — ele gritou, passando as mãos pela sua camisa que, provavelmente, era desesperadamente cara.

— Eu não posso entrar lá assim — solucei. — Eles ganharam. Olha para mim.

— Veste a sua máscara, Sky — Moon disse, segurando meus ombros com firmeza. Ela era brava, otimista e nunca me deixava cair. — Se eles querem que você seja a louca, seja a louca mais genial que eles já viram. Você consegue, por nós duas e pelo nosso pai. — Ela sorriu para mim, resistente como sempre. Às vezes, ela parecia a irmã mais velha.

Respirei fundo. A raiva começou a queimar o medo. Em um ato de desespero, tirei a blusa. Virei-a ao contrário — botões para trás, costas para frente — e amarrei as pontas em um nó firme na cintura. Com a regata cor da pele por baixo, o visual ficou estranhamente artístico, uma espécie de "mendiga conceitual".

Saí do banheiro com a Moon e passamos pelo outro lado até chegar na sala de espera. Fiquei nos bastidores aguardando. Vi a equipe da Gouveia entrar e sair da sala de reuniões com sorrisos de vitória. Alex fez um joinha com a mão e me mandou um beijo. Eles fizeram questão de dar a volta e passar na nossa frente com o nariz empinado, como se já tivessem vencido.

Meu projeto era muito bom mesmo. Droga, além de competir com eles, tenho que competir contra mim mesma também. Parecia que o mundo a minha volta ó encolhia e eu ia desfalecendo aos poucos.

Inferno!

— Vai dar tudo certo — Moon interrompeu meus pensamentos, me trazendo um chá de camomila que ela disse ter descoberto em alguma garrafa perdida. Eu não queria, meu estômago ainda estava ruim, revirando de medo, ansiedade e constrangimento. Mas aceitei e bebi de uma vez. Senti o calor esquentar meu estômago.

Chegou a minha vez.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário