POV: SKY BITTENCOURT
As últimas semanas foram um borrão de cafeína e desespero. Eu não dormia, não comia, eu apenas projetava. O Alex me ajudou com opiniões sobre o design e a estrutura, mesmo sabendo que ele seria meu adversário afinal, a Gouveia estava participando e usaria o meu projeto no concurso.
Eu queria que aquele resort fosse uma declaração de guerra contra a mesmice. Tirei a inspiração das memórias que eu tinha do Rio Grande do Norte, de um castelo de pedras rústicas que parecia desafiar o tempo. No meu projeto, o concreto não era reto; ele era orgânico, torto, propositalmente inclinado como se estivesse dançando com o vento. Misturei a pedra marrom-dourada com o vidro, criando espaços onde a arte e a natureza se fundiam sob a sombra de coqueiros estrategicamente posicionados. Era um castelo moderno. Era a minha alma em formato de planta.
Quando recebi o e-mail confirmando que eu estava no Top 10 e que a apresentação seria em dois dias, eu chorei. Chorei de alívio, de cansaço e de esperança.
— Você vai arrasar, Sky! É o melhor trabalho que você já fez — Moon disse, me abraçando.
Contei ao meu pai e juro que pude vê-lo sorrir. Ou talvez eu apenas quisesse muito que fosse verdade. Dormi por 14 horas seguidas após a aprovação, colocando o sono em dia.
No dia da apresentação, acordei radiante. Geralmente, as equipes precisam de três membros: um engenheiro, um arquiteto e um designer. Na minha, somos apenas Moon e eu; eu e Moon. Fomos de táxi e, no caminho, resolvi passar em uma cafeteria para pegar um café especial para nós duas. Eu merecia aquele pequeno luxo.
— Não autorizado — a moça do caixa disse, sem graça, após passar o cartão.
Tentei de novo. E de novo. Senti o sangue fugir do meu rosto. Abri o aplicativo do banco e o saldo era um deserto. O depósito que o Paulo deveria ter feito no dia 25 não estava lá. Meu celular vibrou no bolso. Era uma mensagem dele.
"Não depositamos os 3% esse mês porque não temos um novo contrato assinado, Sky. Sem a sua assinatura cedendo o terreno pelo tempo determinado, e não sendo mais minha nora, eu não tenho obrigações financeiras com você já que esses 3% irei abater na nossa dívida de quase um milhão de reais. Boa sorte explicando isso para a clínica que faz a manutenção mensal dos equipamentos de oxigênio do seu pai. A limpeza dos filtros é dia 10, não é? O advogado tem os papéis. É só assinar."
O ar pareceu congelar nos meus pulmões. Ele estava usando a respiração do meu pai para me dobrar. Canalha. Olhei para a Moon, que me esperava encostada no carro, sorrindo e acenando. Eu não podia contar para ela. Não hoje. Hoje era o dia de salvar as nossas vidas. Eu já tinha enviado currículos para outras dezenas de empresas, mas o Horizon era a minha única saída real de curto prazo.
Passei o cartão da poupança para emergências. Engoli o nó na garganta, ignorei o estômago roncando e entrei no carro. Bebi o café, mas eu estava tão nervosa que senti gosto de vômito; ainda assim, me obriguei a beber. Não tinha dinheiro, quem diria desperdiçar alguma coisa. Eu ia entrar naquela empresa, ficar entre os quatro finalistas, assinar o contrato e só depois pensaria nos meus outros problemas.
A sede da Blackwood & Co. não era apenas um prédio; era um monumento ao poder. No saguão, o ar-condicionado parecia soprar desprezo sobre a minha saia bege comum e meu salto baixo. Eu me sentia minúscula. Alex estava lá, e vê-lo foi como encontrar uma boia no meio do oceano. Mas o meu alívio durou pouco, porque logo atrás dele estavam eles: Victor Gouveia e Sofia Bernardes. Estavam impecáveis, vestindo roupas que custavam mais do que o meu aluguel. O pior não era vê-los; era ver os croquis que eles carregavam. O meu projeto. A minha ideia, roubada e lapidada por mãos traiçoeiras.
Meu estômago revirou, mas respirei fundo tentando manter a calma para não vomitar. Sofia me viu e um sorriso cruel se desenhou em seu rosto. Victor apenas desviou o olhar, como se eu fosse um detalhe insignificante na sua trajetória de sucesso.
— Não olha para eles, Sky — Moon sussurrou, tentando me guiar. — Foca no que você veio fazer. Você é melhor que isso.
Eu tentei. Mas, ao passar por eles para entrar na sala de espera, Alex abriu um sorriso e riu; eu sorri também. Sofia não se conteve. Com um movimento rápido, ela esticou a perna. Eu tropecei. O mundo girou por um segundo e eu cambaleei, esbarrando com força em um homem alto que segurava um copo de café.
O impacto foi seco. O café escaldante explodiu contra o peito dele e, por tabela, contra o meu, me queimando.
— Ai, merda!!! — ele gritou, passando as mãos pela sua camisa que, provavelmente, era desesperadamente cara.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário