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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 261

POV: ROCCO

Tenho certeza de que dez dias nunca demoraram tanto para passar na história da humanidade. Cada segundo naquele lugar parecia se arrastar com a lentidão de uma tortura calculada.

O plano inicial era que os meus avós chegassem na segunda semana do nosso isolamento, mas o meu avô enviou uma mensagem de última hora alegando uma complicação repentina no coração. Uma alteração na pressão, um pico de arritmia que o médico da família usou como justificativa para proibir a viagem dele até o litoral de Cornwall. O pai da Jussara acabou nem vindo. Eu passei cada minuto daquela semana encarando o teto do quarto e tentando adivinhar se aquilo era mais uma encenação do velho para esticar a minha prisão ou se o corpo dele estava realmente falhando.

O problema é que eu não podia pagar para ver. Se eu peitasse a história, se eu arrumasse as minhas malas e voltasse para o Brasil na marra, e o coração do meu avô parasse de bater na manhã seguinte, a culpa carregaria o meu nome para sempre.

Então, lá estávamos nós: presos por mais dez dias seguidos naquele complexo de luxo à beira dos penhascos, completamente cortados do resto do mundo.

Se tinha uma única coisa que aliviava o peso do meu peito, era ver o comportamento da Jussara com o meu irmão. Nesse ponto, tenho que admitir que a mulher cumpriu a parte dela no acordo sem hesitar. Ela se aproximava do Ravi quando estávamos no jardim, sentava na grama para ouvir as histórias do garoto, ria das besteiras que ele falava e mantinha um clima leve ao redor dele. Ela não forçava a barra com ele, não fazia perguntas invasivas sobre o acidente e nem tocava no assunto do passado. Para o meu irmão, ela era apenas uma companhia agradável que deixava os dias mais curtos.

Mas quando o Ravi não estava por perto... Puta que pariu.

A Jussara se transformava na minha maior dor de cabeça. Ela fazia questão de desfilar pela borda da piscina usando saídas de praia finas e transparentes, jogando o quadril de um jeito exagerado e ensaiado toda vez que passava perto da minha espreguiçadeira. Ela piscava para mim sem a menor vergonha, levantava a sobrancelha com deboche e me lançava olhares carregados de segundas intenções que me faziam ranger os dentes. Eu apenas virava o rosto na direção oposta, encarava o horizonte do mar de Cornwall, soltava o ar quente pela boca e fazia uma força absurda para não surtar ali mesmo.

A minha cabeça estava um caos absoluto. Por um lado, ver o meu irmão renascer dia após dia me trazia um alívio genuíno. A postura dele estava mudando, o olhar fechado estava dando lugar a uma serenidade que ele não tinha há anos. Mas a agonia interna que eu sentia por não ter notícias do Brasil estava me consumindo vivo. O retiro tinha uma política rígida de desintoxicação digital: zero sinal de rede, zero telefone, zero acesso à internet. Estávamos totalmente isolados.

E a cada hora que se passava no relógio, a imagem da Sky dominava os meus pensamentos com uma força brutal.

Eu passava as noites em claro encarando a escuridão do quarto e me fazendo mil perguntas.

Será que aquela ruiva estava com raiva de mim por causa do meu sumiço?

Será que ela estava bem ou tinha passado mal de novo por causa da pressão do trabalho?

Será que ela já tinha destruído a minha empresa, quebrado outra porta do escritório ou arranjado briga com os conselheiros do grupo?

E o pensamento que mais me perturbava, aquele que fazia o meu peito apertar de um jeito doloroso: será que ela tinha tirado ao menos cinco minutos do dia dela para sentir a minha falta?

Será que ela pensou em mim com a mesma urgência desgraçada com que eu pensava nela a cada segundo?

Os meus avós finalmente desembarcaram no complexo nos últimos três dias da nossa estada.

A presença deles transformou o ambiente acolhedor em um campo de minado. No sábado à noite, fomos obrigados a nos sentar para o tal jantar oficial de família no restaurante privativo da propriedade. Passei a tarde inteira evitando ficar a sós com a Jussara de todos os jeitos humanos possíveis, inventando caminhadas sozinho ou ficando no quarto. Mas durante a refeição, fui forçado a manter o teatro alinhado do início ao fim.

Sentei-me à mesa sob o olhar atento da minha avó Helena e do meu avô Heitor. Deixei que os dois acreditassem que o nosso suposto noivado estava caminhando sem nenhum gargalo. A Jussara interpretava o papel da noiva perfeita com uma maestria assustadora, sorrindo para a minha avó e fazendo comentários sutis sobre negócios e futuro.

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