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POV: SKY
Eu sempre fui uma pessoa abençoada com o dom do sono. Conseguia dormir no barulho, no calor, no meio de uma obra, em banco de praça, durante viagem de ônibus e até depois de tomar café demais. Se me deixassem quieta por dez minutos, eu era capaz de capotar em qualquer superfície horizontal. Mas bastava o nome Rocco Blackwood atravessar a minha cabeça para o meu cérebro transformar o meu crânio em uma arena de circo.
Eu não tinha pregado o olho. Passei a madrugada inteira virando de um lado para o outro, puxando o lençol, chutando o cobertor, abraçando o travesseiro, soltando o travesseiro, olhando para o celular, colocando o aparelho debaixo do travesseiro e pegando de novo trinta segundos depois.
Às quatro da manhã, depois de uma sequência particularmente humilhante de pensamentos sobre a reunião, tomei uma decisão. Seria adulta, profissional, madura e impassível. Levantei da cama, fui até o banheiro, lavei o rosto e passei maquiagem completa: base, corretivo, rímel, delineador, batom. Tudo. Às quatro e vinte e três da manhã, eu estava maquiada como se fosse receber um prêmio e mentalmente preparada para assassinar um homem com uma caneta esferográfica.
A coragem durou aproximadamente duas horas e meia. Às sete da manhã, eu estava no meio do quarto, cercada por roupas, com a dignidade jogada em algum lugar entre uma calça jeans e um vestido que eu nem lembrava que tinha.
— Covarde! — esbravejei para o meu próprio reflexo, puxando mais três cabides do guarda-roupa. — Sky, você é uma grande covarde!
Joguei as peças em cima da cama. Uma camisa foi parar no abajur, uma calça caiu no chão, um casaco pousou em cima do travesseiro e uma meia que eu nem lembrava de possuir apareceu debaixo da cama. Aquilo já não era mais uma escolha de figurino, era uma escavação arqueológica.
— Eu vou para uma reunião! — gritei para o quarto. — Uma reunião profissional! Não para um encontro! Então por que diabos eu estou escolhendo roupa como se fosse ser julgada pelo Tribunal Internacional de Homens Bonitos?
Joguei a peça na cama e parei, encarando o espelho.
— E por que eu falei homens bonitos? Não. Não. O Rocco é feio.
Fiz uma pausa longa.
— Mentira. Mas isso não importa. Quer dizer, importa um pouco... SKY! — gritei comigo mesma.
A minha própria voz ecoou pelo quarto.
— Você tem problemas.
Eu tinha. Muitos. E todos tinham nome, sobrenome e olhos verdes.
Soltei um grito abafado, enfiei as duas mãos no cabelo e me agachei no meio daquela montanha de tecido.
— AHHHHHH!
A porta do quarto se abriu. Moon apareceu no vão com a cara amassada, os cabelos desgrenhados e uma caneca de café nas mãos.
Ela ficou me olhando. Olhou para a cama. Olhou para o chão. Olhou para o abajur, que tinha uma camisa pendurada nele. Depois voltou a olhar para mim.
— Você está bem?
— Não, eu não tenho roupa!
A Moon piscou devagar.
— Tem pelo menos cinquenta peças espalhadas pelo quarto.
— Nenhuma serve!
— Para quê? — ela tomou um gole de café.
— Para hoje!
— Hoje o quê?
— A reunião!
— A reunião das nove?
— Não precisa falar o horário! — gritei. — Eu já sei o horário! Meu cérebro está repetindo essa desgraça desde ontem!
A Moon continuou tomando o café, calma demais para o meu gosto.
— Então você sabe que horas são?
Olhei para o relógio na parede.
— Sete e... isso não vem ao caso!
— Vem bastante.
— Moon!
— Tá bom — ela entrou no quarto, desviando de uma bota jogada no chão. — Qual é o problema com as suas roupas?
— Eu não sei o que ele quer comigo!
A Moon parou com a caneca na metade do caminho.
— O quê?
— Não desse jeito!
— Eu não falei nada.
— Mas pensou!
— Sky, eu acordei faz cinco minutos.
— E mesmo assim eu conheço essa sua cara de deboche!
A Moon olhou para mim e depois para as roupas.
— Você está surtando porque vai encontrar o Rocco.
— Eu não estou surtando.
— Você está de maquiagem completa às sete da manhã — ela apontou para o meu rosto.
— Isso é higiene.
— Você está usando delineador.
— Higiene avançada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário