POV: ROCCO
Acordei cedo com o peso macio da Sky descansando em cima do meu peito. A gente tinha comido na noite anterior e capotado na cama em um sono tão pesado que parecia que tínhamos sido atropelados. Olhei para o rosto dela, completamente em paz, com a respiração calma batendo na minha pele.
Deixei um beijo suave no topo da cabeça dela, sentindo o cheiro doce do xampu que eu mesmo tinha passado no cabelo dela.
Tentei me mover devagar para não acordar a fera, mas ela se remexeu no colchão no mesmo instante. Os braços dela subiram pelo meu pescoço, me puxando para baixo.
— Onde você pensa que vai? — ela resmungou de olhos fechados, a voz rouca de sono.
— Preciso dar um pulo rápido na empresa, meu amor — dei um beijo no meio da testa dela. — Tenho que assinar uns papéis e organizar a diretoria para a última fase do concurso. Mas você pode ficar aqui na cama descansando.
Ela abriu um olho só, manhosa, fazendo bico.
— Não quero ficar sozinha aqui... quero ficar com você.
— Eu volto direto para o almoço — prometi, acariciando a bochecha corada dela. — É coisa rápida. Aproveita para ligar para a Mon, avisa que você tá viva e que não foi sequestrada.
A Sky soltou uma risada baixa, enfiando a cara no travesseiro.
— É verdade... a Mon já deve estar achando que eu morri. Vou ligar para ela. Não demora, tá?
— Volto voando.
Tomei um banho rápido, vesti um terno e fui direto para a sede da Blackwood Engenharia.
Passei a manhã inteira trancado na sala de reuniões com a diretoria alinhando os detalhes finais. A última fase do concurso de arquitetura tinha ficado marcada para dali a um mês. Agora a brincadeira era de gente grande: as equipes tinham que entregar o projeto executivo final do resort.
Ao longo dos últimos meses, todos eles tinham passado por testes práticos, aprendido a lidar com orçamento apertado, escolha de materiais e rotina da empresa. Agora era o tudo ou nada. Quem levasse a melhor nessa entrega final, levava a vaga e o contrato.
E o meu peito quase estufava de orgulho toda vez que eu olhava para a planilha de classificação geral.
A equipe da Sky estava em primeiro lugar disparado.
Minha mulher era um fenômeno. Eu não precisava mover uma palha ou dar qualquer empurrãozinho; ela estava conquistando aquilo tudo na pura competência e na base do talento bruto.
Saí da sala de reuniões com um sorriso no rosto e encontrei o Chris na minha sala, jogado na poltrona mexendo no celular.
— E aí, homem de negócios? — o Chris ergueu a cabeça. — Tudo certo para a fase final?
— Tudo encaminhado — sentei na minha cadeira, relaxando o corpo. — Dali a um mês a gente encerra esse concurso.
— Graças a Deus — ele suspirou, guardando o aparelho. — Não aguento mais essa espera. Tô louco para esse concurso acabar logo para poder me revelar e me entender com a minha ratinha de uma vez por todas.
Dei uma risada fraca. O Chris ainda mantinha todo o mistério no anonimato, vigiando a garota de longe e só aparecendo para ela de máscara, esperando o momento certo em que não fosse mais o chefe dela para finalmente colocar as cartas na mesa.
A porta da sala se abriu devagar e o Nathan entrou. Ele passou direto pela gente, se jogou no sofá do canto e ficou encarando o teto com uma cara de enterro absurda.
O Chris me olhou e depois olhou para ele.
— Que cara de cu é essa, Nathan? — perguntei, cruzando os braços.
Nathan soltou um suspiro pesado, cobrindo o rosto com as duas mãos.

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