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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 303

POV: ROCCO

O Arthur colocou os copos na nossa frente e serviu doses generosas de uísque com a calma irritante de sempre. Apoiou os antebraços pesados no balcão de madeira, limpou as mãos num pano de prato encardido e encarou nós três com uma cara estranha, como quem estava prestes a soltar uma bomba atômica no meio da mesa.

— Eu tenho uma novidade para contar para vocês — o Arthur soltou, com a voz baixa e controlada.

— Desembucha logo — o Chris respondeu, fazendo o gelo rodar dentro do copo com um barulho estalado.

— Eu vou me casar.

Eu desci a palma da mão aberta na madeira do balcão com tanta força que os copos pularam no lugar. Uma gargalhada alta escapou de mim e ecoou pelo salão vazio.

— É sério isso?! Você vai casar com a Charlotte, não vai? Eu sabia! — Apontei o dedo bem na fuça dele, quase chorando de rir. — E você ainda teve a pachorra de me jurar de pés juntos, naquele dia, que a mulher não fazia o seu tipo!

O Arthur fechou os olhos, esfregou o rosto com as duas mãos e soltou um suspiro fundo, derrotado.

— Pois é, cara... Ela ouviu a merda da nossa conversa. Deu um rolo desgraçado depois.

O Chris engasgou feio com o uísque no mesmo segundo, tossindo tanto que bateu no próprio peito para puxar o ar, enquanto o Nathan levantou a cabeça da mesa, olhando em volta com a cara mais amassada e atordoada do planeta.

— Espera aí, terra chamando! — O Chris levantou os braços para cima, quase derrubando a garrafa, alternando os olhos arregalados entre mim e o Arthur. — Que porra de Charlotte é essa? O cara que mora enfurnado em cima de um bar com uma cobra de dois metros, que odeia gente e passa o dia todo lendo sobre réptil agora vai casar?! Com quem, caralho?!

— É sério — o Arthur virou na direção do Chris e do Nathan, começando a despejar a loucura toda de uma vez. — Umas semanas atrás, uma garota completamente lelé da cuca entrou aqui no balcão procurando um marido de aluguel. A tal da Charlotte... ela é amiga da Monique na faculdade. O sujeito olha para a garota e parece que ela caiu de paraquedas de outro planeta. Foi criada trancada numa redoma de vidro com a mãe e a irmã, não faz a menor ideia de como o mundo funciona. Nunca tinha colocado uma gota de álcool na boca na vida inteira. Eu dei um copo de água e limão para ela e a maluca nem percebeu a diferença entre suco e vodka.

— E aí? — o Nathan perguntou, piscando os olhos devagar, tentando processar a história no meio da ressaca dele.

— E aí que a criatura saiu daqui do bar gritando na calçada que tava com a bolsa entupida de dinheiro dizendo que precisava contratar um gigolô para ser seu marido — o Arthur continuou, balançando a cabeça em negação. — Óbvio que foi assaltada na esquina seguinte, perdeu até a alma, ficou sem os documentos e ainda conseguiu a proeza de torcer o tornozelo. Eu tive que largar tudo, ir atrás, pegar a garota no colo e levar lá para cima, para o meu apartamento, para cuidar do pé dela até ela conseguir pisar no chão de novo.

O Chris abriu um sorriso largo, arqueando as sobrancelhas.

— E a Clotilde?

— A Charlotte quase caiu dura para trás quando deu de cara com a píton pela primeira vez — o Arthur deu um meio riso cansado. — Correu até mim, pulou no meu colo, caímos no chão tudo com medo de virar almoço de réptil.

— As estrambelhadas são as mais fofas. — Afirmei pensando no meu amorzinho desastrado.

— Faz sentido você falar isso. A Sky já atropelou todo mundo e ainda vomitôu em você.

Todos riram, inclusive eu porque era verdade. Mas ela continuava fofa, minha fofa e meu amor!

— Mas a minha desgraça de verdade começou depois. — Arthur continou a explicação.

— Que desgraça? — perguntei, enchendo mais o meu copo.

— Eu comprei três ratos vivos para alimentar a Clotilde — o Arthur desabafou, passando a mão pelo cabelo num gesto evidente de estresse. — A mulher cismou que os ratos eram filhos dela, começou a chorar no meio da sala, adotou os três roedores e batizou os bichos com o meu nome, o do Luan e o do Gael. Agora eu sou obrigado a conviver com três ratos de estimação e ainda tive que gastar dinheiro para comprar uma gaiola gigante de três andares para acomodar as pragas!

Eu e o Chris explodimos em uma gargalhada tão alta que o Nathan tampou os ouvidos com as palmas das mãos. Eu me curvei sobre o balcão, rindo até a minha barriga doer, enquanto o Chris batia na própria coxa sem conseguir parar.

— O biólogo machão foi rendido por uma donzela e três ratos brancos! — berrou o Chris, quase sem fôlego. — Eu não acredito que tô vivo para escutar uma vergonha dessas!

— Ri mesmo, vai rindo — o Arthur resmungou, virando uma dose inteira goela abaixo. — Eu tive que vender a minha moto de coleção para comprar um carro fechado, porque não dava para ficar rodando com ela exposta na rua. A mulher tá virando a minha cabeça do avesso. E para piorar, ela não tem um pingo de malícia na carcaça. Outro dia eu cheguei no apartamento no fim da tarde, abri a porta da sala e dei de cara com ela andando de um lado para o outro só de calcinha. Sem nada por cima. Nem sutiã, nem camiseta, nada! Ela virou para mim e meus olhos quase saíram da órbita da terra.

O Chris arregalou os olhos, dando um assobio comprido.

— E você fez o quê, seu animal?

— Eu travei na porta, virei as costas e fui direto para o banheiro enfiar a cabeça debaixo do chuveiro gelado! — o Arthur respondeu, visivelmente perturbado. — Eu não vou tirar proveito de uma garota inocente que nem ela. Ela não sabe o que faz. Eu me recuso a abusar da situação, nem me masturbar eu quis fazer por respeito à mulher. Mas tá foda! Ela fica testando todos os limites da minha sanidade sem nem perceber o perigo. E no começo da semana foi pior ainda.

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