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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 304

POV/ ROCCO

Eu dei um gole no meu uísque, rindo junto com a zorra que tinha virado a bancada.

— E qual é o problema? O Big Black é uma lenda, porra! — defendi a minha honra, erguendo o queixo. — Vocês não entendem nada de tradição.

— Que tradição, Rocco, pelo amor de Deus?! — o Chris tossiu, secando o canto dos olhos com a manga da jaqueta. — Que porra de tradição é essa de batizar a própria ferramenta?!

— Faz anos isso aí — expliquei, me ajeitando no banco enquanto os outros três me encaravam rindo. — Foi na época em que eu conheci a Isadora e ela me levou pela primeira vez para conhecer o Ambrosia Club, bem antes de eu comprar aquela porra toda. Eu tava trocando ideia com uns caras veteranos num dos eventos fechados e um deles me soltou a teoria de que o homem de verdade tem que dar um nome de respeito para o seu membro, porque, no final das contas, ele é o seu melhor parceiro na vida toda. Eu achei a ideia genial e batizei de Big Black na mesma hora.

— Aí o Arthur, que na época era um moleque revoltado e cheio da grana, resolveu entrar na onda! — o Chris emendou, apontando para a cara do Arthur, que tava quase enterrando a cabeça embaixo da pia. — O cara foi lá, encheu o corpo de tatuagem, furou o pau para colocar um piercing de aço e ainda teve a coragem de me dizer: “Agora o meu é o Big Bolt!”. Dois marmanjos desse tamanho com apelido carinhoso nas partes baixas! Eu não aguento vocês, na moral!

Eu e o Nathan caímos na gargalhada com a imitação que o Chris fez da voz grossa do Arthur. O Nathan, mesmo afundado na fossa dele por causa de mulher e rindo menos que a gente, não conseguiu segurar e balançava a cabeça, incrédulo com o nível da conversa.

— Vocês tão rindo muito da minha cara — o Arthur rebateu, apontando a garrafa na direção do Chris e do Nathan com um olhar mortal. — Mas, por acaso, a rola de vocês tem nome, seus merdas?

— O meu não tem essa viadagem, não — o Chris respondeu, ainda rindo com o peito sacudindo. — Mas, se eu fosse obrigado a escolher um nome de guerra para o meu brinquedo, com certeza ia ser Mangueirão!

A gente explodiu em mais uma rodada de risada alta.

O barulho foi tão grande que a dona Neide a mulher da limpeza colocou a cabeça para fora da porta da cozinha para ver se tinha alguém brigando no balcão.

— Vocês são tudo um bando de retardados mentais — o Nathan falou, soltando um riso fraco e balançando a cabeça em reprovação, voltando a encarar o fundo do copo dele com aquele ar depressivo. — Três idiotas com quase trinta anos nas costas agindo igual a três moleques da quinta série. Não tem um puto que se salve nessa mesa.

— Falou o solteirão mais amargurado da cidade — cutucou o Chris, dando um tapinha nas costas do Nathan. — Deixa a gente comemorar a desgraça do Arthur em paz. Mas e aí, noivo do ano? E a despedida de solteiro? Se você quiser uma folga da garota inocente e dos três ratos antes de assinar o papel, o Rocco libera o Ambrosia Club para você fazer a festa com o Big Bolt.

Eu ergui a mão e dei um tapa estalado bem na nuca do Chris, fazendo a cabeça dele ir para a frente.

— O Chris fala com a maior facilidade do mundo, como se o Ambrosia fosse dele. Mas a proposta tá aberta, Arthur. O camarote principal tá liberado para você se quiser reunir a rapaziada.

— Nem fodendo, Rocco — o Arthur recusou de pronto, balançando a mão e voltando a guardar as garrafas na prateleira. — Despedida de solteiro tá fora de cogitação. E, se algum dia vocês chegarem perto da Charlotte, calem a porra da boca sobre esse assunto. Não usem a palavra despedida nem de brincadeira na frente dela. Se aquela garota alienada cismar que também tem o direito de fazer uma despedida de solteira para ela, quem vai parar direto na UTI com uma parada cardíaca sou eu.

— Tá vendo só? — o Chris apontou para ele, rindo de orelha a orelha. — Olha a cara do sujeito. Tá arriado de quatro pela mulher, totalmente dominado e nem percebeu ainda.

— Não enche o meu saco, Chris — o Arthur resmungou de costas para a gente, mas a orelha dele continuava pegando fogo enquanto a gente continuava enchendo o copo e rindo da cara dele.

A gente continuou rindo no balcão até a barriga doer. A dona Neide, a senhora que cuidava da limpeza do bar antes de a casa abrir para a noite, colocou a cabeça para fora da porta da cozinha com a vassoura na mão e ficou nos encarando.

Não era uma olhada normal.

Era uma olhada de “eu não sei o que esses três homens estão fazendo, mas tenho certeza de que Deus não aprovaria”.

Ninguém falou nada.

Ela também não.

Ficou nos encarando por mais uns três segundos, virou a cabeça devagar e voltou para a cozinha.

— A dona Neide acabou de julgar a gente — o Chris murmurou.

— Ela julga todo mundo — o Arthur respondeu.

— Não. Hoje foi diferente.

— Como você sabe?

— Porque ela olhou para mim como se eu fosse uma decepção pessoal.

— Você é uma decepção pessoal — o Arthur respondeu.

— Vai se foder.

O Arthur aproveitou a deixa, deu a volta no balcão e foi até a cozinha.

Voltou minutos depois equilibrando uma travessa cheia de batata frita e calabresa acebolada. Largou tudo no meio da bancada para a gente ter o que mastigar enquanto esvaziava as garrafas.

O Nathan pegou uma batata.

Olhou para ela.

Comeu.

Suspirou.

Voltou a olhar para o copo.

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