POV: SKY
— Rocco? — cheguei perto, tocando no ombro largo dele. — Rocco, acorda!
Ele se mexeu devagar. Virou a cabeça pesada na minha direção, sem conseguir abrir os dois olhos ao mesmo tempo, e soltou um resmungo rouco e completamente embolado:
— Minha Sky... minha... minha Sky...
Meu coração derreteu na mesma hora.
Por dois segundos inteiros, fiquei ali, toda boba, achando a coisa mais linda do mundo ele lembrar de mim naquele estado.
Aí lembrei que precisava tirar um homem de quase dois metros de uma banqueta.
— Tá. Vamos embora.
Segurei por baixo dos braços dele e puxei com toda a força do meu corpo.
Nada.
Nem meio centímetro.
Ajustei os pés no chão, travei os dentes e puxei de novo.
Nada.
Minha coluna estalou.
— Ai!
O Rocco continuou sentado.
Olhei para ele.
Olhei para a minha coluna.
Olhei para ele de novo.
— Você tá de sacanagem comigo.
Nada.
O homem parecia ter sido instalado naquela banqueta por uma equipe de engenharia.
O Arthur, que estava do outro lado do balcão guardando um pano de prato, ficou assistindo ao meu sofrimento com um sorriso sarcástico.
— Sky, deixa que eu levo — ele soltou, balançando a cabeça.
— Eu consigo! — protestei, recuperando o fôlego.
— Você não consegue nem carregar uma sacola de mercado pesada.
— Mas ele é meu namorado!
— Justamente. Ele pesa muito mais.
Fiquei ofendida.
— Isso não foi motivacional.
O Arthur simplesmente deu a volta no balcão, passou o braço pesado do Rocco pelo pescoço e praticamente içou aquele armário no muque.
Fui ajudando a equilibrar pelo outro lado, embora naquele momento eu tivesse mais a função de impedir que eu mesma caísse do que de ajudar alguém.
Conseguimos chegar até a calçada dos fundos, onde o carro do Arthur estava estacionado.
Abri a porta de trás.
— Rocco, entra no carro.
Ele travou os dois pés no asfalto.
— Não.
— Por quê?
— Não conheço você.
Fiquei olhando para ele.
Depois olhei para o Arthur.
O Arthur já estava rindo.
Voltei para o Rocco.
— EU SOU A SKY!
Ele semicerrou os olhos e me encarou de cima a baixo com uma lentidão desesperadora, como se estivesse analisando um documento de quinze páginas.
Então murmurou:
— A minha Sky é bonita.
Pisquei.
— Então... eu sou bonita.
— É.
— E sou a sua Sky.
— Não sei.
— Rocco, você acabou de me chamar de sua Sky lá dentro do bar!
Ele franziu a testa.
— Eu chamo muita gente de minha Sky.
Fiquei em silêncio.
— Muita gente?
— Uhum.
— Quem?
Ele pensou.
Pensou mais um pouco.
— Não lembro.
— Claro que não lembra.
O Arthur soltou uma gargalhada tão alta que ecoou pelo beco inteiro.
— Pronto. Chega — interrompeu, empurrando o grandão sem cerimônia para dentro do veículo. — Eu vou levar esse animal antes que ele comece a pedir certidão de nascimento.
O Rocco caiu de lado no banco de trás, resmungando alguma coisa sobre conspirações governamentais, e apagou no mesmo segundo.
Entrei no banco do passageiro e o Arthur dirigiu até o prédio do Rocco.
Quando subimos pelo elevador privativo, a porta se abriu direto na sala de estar da cobertura.
O Arthur deu três passos arrastando o Rocco como se fosse um saco de batatas de cem quilos e simplesmente soltou o corpo dele no meio do estofado.
O Rocco afundou nas almofadas de couro, jogado de qualquer jeito, com um braço caído e a boca aberta.
Olhei para ele.
— Meu Deus.
O homem que passava o dia inteiro dando ordem para um prédio inteiro estava largado no sofá igual a um adolescente que perdeu a guerra contra o próprio fígado.
O Arthur apoiou as mãos nos joelhos, recuperando o fôlego da subida.
— Pronto. Entregue.
— Muito obrigada, Arthur. De verdade.
— Se ele tentar dirigir, me liga — o Arthur avisou, ajeitando a camisa.
— Ele não vai dirigir.

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