POV/ SKY
Ele tentou dar uma ré para fugir do meu abraço, mas os próprios sapatos dele se enroscaram no tapete felpudo da sala. As pernas falharam, o centro de gravidade dele sumiu e a gravidade cobrou a conta.
Ele tombou de costas como uma árvore centenária sendo cortada na base.
O estrondo das costas dele batendo no chão felpudo fez o chão da sala inteira tremer.
Fiquei em pé, parada, olhando para baixo com os olhos arregalados.
O temido presidente da Blackwood Engenharia estava estirado de braços e pernas abertos no meio da sala, parecendo uma estrela-do-mar desfalecida no tapete.
— Rocco? — chamei, com medo de ele ter quebrado alguma vértebra.
Ele não se mexeu. Piscou devagar para o teto de gesso e murmurou com a voz mais dramática do universo:
— Eu fui abatido no cumprimento do meu dever conjugal. A minha lealdade permanece intocável.
— Rocco, pelo amor de Deus, levanta do chão!
— Não vou levantar — ele respondeu, sem mover um único músculo. — O chão é estável. O chão não me agarra à força para tirar a minha virtude.
— Ninguém quer a sua virtude, homem! Eu quero te colocar na cama!
Abaixei do lado dele, segurei as duas mãos dele e puxei com toda a força que eu tinha nos braços e nas costas.
Fiz tanta força que o meu rosto ferveu. As veias do meu pescoço saltaram.
Ele não subiu nem meio centímetro. Era a mesma coisa que tentar levantar uma tonelada de cimento armado com duas mãos.
— Me ajuda, seu trambolho! Faz força com as pernas!
O Rocco virou a cabeça de lado com calma, me olhou de baixo para cima e começou a dar conselhos técnicos de academia:
— Você tá puxando com a postura errada... tem que dobrar os joelhos e contrair o abdômen... senão você vai travar a sua lombar...
— EU NÃO PEDI AULA DE GINÁSTICA, EU PEDI PARA VOCÊ LEVANTAR!
— Não posso. Meus membros inferiores entraram em greve por excesso de álcool.
— Eu vou te largar dormindo aqui no chão da sala até amanhã de manhã!
— Uma excelente ideia — ele fechou os olhos com a maior tranquilidade. — Boa noite. Apaga a luz quando sair.
Percebi que a força bruta não ia funcionar. Eu precisava apelar para a psicologia do bêbado.
Me curvei perto do ouvido dele e soltei com uma voz muito séria:
— Rocco... se você não levantar agora desse chão, eu vou ligar para a Sky e contar que você caiu bêbado no tapete e tá se recusando a ir para o quarto.
Os olhos dele se abriram em uma fração de segundo, cheios de pavor genuíno.
— Não! Não liga para ela!
— Então levanta!
— A Sky é perigosa quando fica brava — ele começou a se debater no chão feito um peixe fora d'água, tentando encontrar apoio nos cotovelos. — Ela não pode me ver nesse estado vulnerável! Ela vai me humilhar pelo resto da eternidade!
— Exatamente! — aproveitei o desespero dele, passei o braço dele pelo meu ombro e fiz uma alavanca com o meu corpo. — Força, grandão! Empurra o chão!
Entre gemidos de esforço, resmungos de pânico sobre a noiva furiosa e tropeços descoordenados, ele finalmente conseguiu empurrar as próprias pernas e ficar de pé, apoiando metade do peso descomunal dele em cima dos meus ombros.
— Isso... agora anda — mandei, quase sem ar.
Fui arrastando aquele gigante cambaleante pelo corredor.
— Devagar — ele resmungou no meu ouvido.
— Eu tô devagar, você que tá caindo para os lados!
— Eu sei andar em linha reta perfeitamente.
— Então anda reto, criatura!
— Estou andando.
— Você tá indo de cara para a parede!

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