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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 314

POV: ROCCO

Acordei com a sensação nítida de que uma britadeira industrial estava funcionando dentro do meu crânio, sem licença, sem horário de funcionamento e, aparentemente, com ódio pessoal de mim.

Pisquei os olhos devagar contra a claridade que entrava pela janela.

Minha garganta parecia um deserto.

Minha boca tinha um gosto indescritível de meia velha, cinza de charuto e alguma coisa que provavelmente deveria ser considerada crime ambiental.

Fiquei imóvel por alguns segundos, encarando o teto.

Não me lembrava de ter sido atropelado.

Mas meu corpo parecia ter provas em contrário.

Passei a mão pelo rosto e soltei um gemido rouco.

— Nunca mais.

Pausa.

— Nunca mais uísque.

Outra pausa.

— Nunca mais Nathan.

A terceira promessa parecia a mais importante.

O que diabos eu tinha na cabeça para seguir a ideia do Nathan e misturar doses de uísque no meio da tarde, sem almoçar, como se eu tivesse vinte anos e nenhuma responsabilidade?

Virei o corpo com cuidado para o lado direito da cama.

O colchão estava vazio.

No criado-mudo, porém, havia dois comprimidos para dor de cabeça, um copo cheio de água e um bilhete dobrado em papel cor-de-rosa.

Papel cor-de-rosa.

Isso nunca era um bom sinal.

Peguei o papel e semicerrrei os olhos para conseguir focar a letra da Sky.

"Tome os remédios e escove esses dentes pelo menos quatro vezes antes de tentar me dar bom dia. Não quero morrer intoxicada quando for te beijar. O Big Black sobreviveu, mas a sua dignidade masculina morreu ontem às dez da noite.

Assinado: a desconhecida perigosa."

Fiquei olhando para o bilhete por alguns segundos.

Depois ri.

Uma risada curta, porque rir fazia meu cérebro parecer querer escapar pela orelha.

Engoli os comprimidos com a água toda de uma vez e fiquei alguns segundos segurando o copo vazio.

Aquela mulher tinha um talento impressionante para me humilhar até por escrito.

E o pior era que eu merecia.

Quantas vezes eu tinha deixado bilhetes semelhantes depois de alguma vez que precisei carregar aquela mulher bêbada?

Muitas.

Pelo visto, a vida tinha decidido me apresentar a fatura.

Levantei da cama arrastando os pés.

Fui até o banheiro, escovei os dentes três vezes seguidas, considerei seriamente uma quarta e, por respeito à ameaça escrita no bilhete, fiz.

Depois tomei um banho longo e morno, tentando convencer meu cérebro a voltar para dentro do crânio.

Não funcionou completamente.

Saí do banheiro usando apenas uma calça de moletom cinza e descalço.

Assim que pisei no corredor da suíte, um cheiro forte de queimado invadiu minhas narinas.

Parei.

Franzi a testa.

Acelerei o passo em direção à cozinha.

Quanto mais perto eu chegava, mais o cheiro piorava.

Naquele momento, considerei três possibilidades.

Primeira: alguma coisa estava pegando fogo.

Segunda: alguém tinha cometido um crime.

Terceira: Sky estava cozinhando.

A terceira era, estatisticamente, a mais provável.

Parei no batente da porta e cruzei os braços.

Não falei absolutamente nada.

Primeiro porque a Sky estava usando fones de ouvido enormes.

Segundo porque descobri uma coisa naquele instante que nenhum relatório financeiro, investigação empresarial ou reunião de conselho poderia ter me preparado para descobrir.

Minha namorada cozinhava como se estivesse gravando um videoclipe da MTV dos anos 2000.

Ela usava um roupão de seda curto que mal cobria a bunda a cada movimento.

A bunda ia para um lado.

Os ombros iam para o outro.

A espátula de silicone subia para o alto como se estivesse participando de uma coreografia.

E ela dançava.

Não sei qual música estava tocando.

Mas, pelo movimento dos braços, provavelmente era algum sucesso de carnaval.

Fiquei parado observando.

Se alguém entrasse naquela cozinha naquele momento e perguntasse quem era aquela mulher, eu jamais diria que ela era uma arquiteta brilhante.

A primeira hipótese seria dançarina de axé desempregada;

A segunda seria que ela tinha perdido uma aposta.

A terceira seria que eu estava tendo uma alucinação causada pela ressaca.

Ela era completamente ridícula.

E, infelizmente, era também uma das coisas mais bonitas que eu já tinha visto.

Talvez a ressaca estivesse afetando meu julgamento.

Resolvi dar um passo à frente.

No mesmo instante, ela virou o corpo para pegar um prato no armário e deu de cara comigo.

O prato quase escapou da mão dela.

Os olhos castanhos se arregalaram tanto que, por um segundo, achei que um deles fosse pedir demissão da órbita.

— Ai, meu Deus! Rocco!

Ela arrancou os fones da cabeça e levou a mão ao peito.

Ficou me encarando por uns três segundos, tentando recuperar o fôlego.

— Você quer me matar do coração?! Que mania é essa de andar feito um fantasma sem camisa pela casa?

— Bom dia para você também.

Encostei na bancada.

— Eu fiquei quieto justamente para apreciar o espetáculo.

Ela estreitou os olhos.

— Que espetáculo?

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