POV/ CHRISTIAN
Desliguei, saí do carro e dei a volta até a porta do passageiro. Passei os braços por baixo dos joelhos e das costas da Moon, erguendo o corpo leve da garota de uma vez só contra o meu peito. A cabeça loira dela tombou na curva do meu pescoço, soltando suspiros quentes e arrastados contra a minha pele enquanto eu subia pelo elevador.
A porta do apartamento do Rocco já estava destravada. Empurrei a madeira com o ombro e entrei na sala ampla.
O Rocco estava em pé no meio do cômodo, vestindo apenas uma calça de moletom cinza e com o cabelo todo bagunçado. A Sky surgiu do corredor logo atrás, vestindo uma camiseta larga do meu primo e com uma cara de preocupação evidente.
— Meu Deus, a Moon! — a Sky correu na nossa direção. — O que aconteceu com ela?
— Ela misturou tequila, uísque e comemoração de casamento de estômago vazio — expliquei com a voz baixa para não acordar a garota.
— Põe ela ali no sofá da sala, Christian — o Rocco apontou para o estofado grande de couro. — O sofá é macio e ela fica confortável até amanhã.
Caminhei até o sofá, me curvei com cuidado e deitei a Moon sobre as almofadas. Ela soltou um resmungo manhoso, abraçou uma das almofadas laterais e se encolheu, afundando no sono pesado.
Ajoelhei no tapete, segurei os tornozelos delicados da minha garota e retirei os sapatos de salto alto dos pés pequenos dela, colocando os sapatos no chão. A Sky veio da cozinha trazendo uma manta grossa e cobriu o corpo da irmã até a altura dos ombros.
— Deixa uma garrafa de água grande e um remédio de dor de cabeça do lado dela — avisei para a Sky, me levantando. — Amanhã a ressaca vai cobrar o preço por essa bebedeira toda.
A Sky me olhou com carinho e abriu um sorriso aliviado:
— Pode deixar, Christian. Muito obrigada por cuidar dela e trazer a minha irmã em segurança até aqui.
— Não precisa agradecer — respondi com um aceno rápido de cabeça.
O Rocco caminhou até a porta e abriu a passagem para o corredor. Me despedi da Sky e saí do apartamento, com o meu primo encostando a porta e me acompanhando até o hall do elevador, com as mãos nos bolsos e um sorriso debochado de orelha a orelha estampado na cara.
Apertei o botão para chamar o elevador. O Rocco deu uma cotovelada na minha costela e soltou a língua afiada:
— É, meu primo... você pode bancar o diretor inabalável e durão o quanto quiser, mas esse seu joguinho de mistério tá com os dias contados.
Encarei o desgraçado de lado com a cara fechada:
— Cala essa boca, Rocco.
— Tô falando muito sério! — ele continuou, rindo baixo no corredor. — Você tá com a mesma cara de idiota apaixonado que eu fiquei quando conheci a Sky! Vai ser igualzinho, você vai cair de quatro e perder todo o rumo antes do final do mês!
— Vai cuidar da sua mulher e me deixa em paz antes que eu resolva te quebrar na porrada — resmunguei, entrando na cabine do elevador assim que as portas de metal se abriram.
— Boa noite para você também, Romeu apaixonado! — o Rocco gritou da porta, rindo alto enquanto as portas se fechavam entre nós.
Cheguei à garagem, entrei na minha caminhonete e fechei a porta, respirando fundo o perfume doce de baunilha da Moon que ainda flutuava no estofado do banco do passageiro.
Girei a chave na ignição e acelerei para fora do prédio. A minha ratinha podia tentar bancar a marrenta o quanto quisesse, mas muito em breve ela saberia exatamente quem mandava no coração dela.


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