POV/ CHRISTIAN
Segurei o pulso da Cecília com firmeza, afastando as mãos dela da minha roupa, e me ajeitei na cadeira de couro:
— Já tá bom, Cecília. Pode ir. Depois a gente alinha o restante da pauta.
A Cecília olhou para trás, percebeu a presença da Moon na porta, recolheu a prancheta com calma e ajeitou a postura:
— Claro, Christian. Qualquer coisa é só chamar.
A secretária passou pela Moon com um aceno profissional de cabeça e saiu da sala, fechando a porta de madeira atrás de si.
O silêncio que ficou no escritório era pesado.
A Moon continuou parada no mesmo lugar por alguns segundos, respirando fundo e ajeitando a alça da bolsa no ombro com uma força exagerada. Dava para ver a irritação queimando nas bochechas coradas dela.
Uma satisfação absurda e um calor repentino se espalharam pelo meu peito. A minha ratinha estava com ciúmes, e ver aquela marra toda estampada no rosto dela mexia com todos os meus instintos.
Apoiei os cotovelos na mesa de madeira maciça, entrelacei os dedos e encarei a garota de cima a baixo:
— Vai ficar parada aí na porta ou vai entrar, Moon?
Ela engoliu em seco, ergueu o queixo com orgulho e deu passos firmes até a frente da minha mesa, batendo os saltos altos no piso com um ritmo decidido. Colocou a pasta de projetos sobre a madeira com um estalo seco:
— Bom dia, diretor Christian. Eu vim trazer as plantas atualizadas do resort que a minha equipe finalizou.
Arqueei uma sobrancelha, achando graça daquele tom excessivamente formal:
— Diretor Christian? Desde quando você fala comigo desse jeito todo engomado?
A Moon cruzou os braços na altura do peito, mantendo o olhar fixo e desafiador no meu rosto:
— Desde que eu entrei na sua sala e percebi que você estava muito ocupado recebendo cuidados especiais da sua secretária particular. Não queria atrapalhar o serviço de vocês.
Um meio sorriso involuntário surgiu no canto da minha boca. Me levantei da cadeira devagar, contornei a mesa ampla e dei dois passos na direção dela, quebrando a distância entre os nossos corpos até parar a menos de um palmo da garota.
A Moon puxou o ar pela boca, o queixo ainda erguido, mas os olhos verdes vacilaram por um milésimo de segundo diante da minha aproximação. O cheiro de baunilha dela tomou conta do meu espaço na mesma hora.
— Ela só estava ajeitando a minha gravata, garota — soltei com a voz baixa e rouca, sustentando o olhar dela. — Nada além disso.
— Não precisa se explicar para mim — ela rebateu rápido, com um veneno fingido na voz. — A vida pessoal do chefe não me diz respeito. Eu só vim entregar o projeto e agradecer formalmente por ter me deixado no sofá do Rocco na sexta-feira.
Inclinei o meu tronco ligeiramente para a frente, diminuindo ainda mais o espaço entre nós dois, sentindo a respiração acelerada dela bater contra o meu pescoço:
— E por que você tá tão irritada então, Moon?
A garota abriu a boca para responder, mas travou, as bochechas ficando vermelhas de raiva e vergonha enquanto encarava a minha boca tão perto da dela.
A Moon sustentou o meu olhar por dois segundos inteiros. A respiração dela continuava rápida, o peito subindo e descendo sob o tecido verde da camisa, mas a expressão de quem estava encurralada sumiu do rosto dela.

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