POV: MOON
— Eu não tô entendendo nada do que você tá falando, Christian — soltei com a voz trêmula, dando um passo para trás enquanto ele avançava na minha direção.
O Christian não parou. A presença dele era esmagadora, alta demais, tomando conta de todo o espaço entre a mesa e a porta.
— Você não precisa entender nada agora, ratinha — a voz dele saiu baixa, rouca, carregada de uma calma perigosa. — Você só precisa sentir.
Pressionei as costas contra a madeira fria da mesa, segurando a pasta de projetos com força contra o meu peito como se aquilo fosse um escudo.
— Por que eu? — perguntei, encarando o fundo dos olhos escuros dele. — Por que você me escolheu? Desde quando você tá com essa obsessão toda? Desde que eu pisei nessa construtora?
— Muito antes disso — ele respondeu sem piscar.
— Eu não entendo você... nada disso faz sentido na minha cabeça!
O Christian diminuiu a distância até não sobrar nem um palmo de ar entre nós.
— As coisas vão fazer sentido no momento certo. Tudo o que eu te mandei naquelas mensagens é a mais pura verdade. Eu quero cuidar de você, quero você do meu lado, me importo com cada detalhe da sua vida... e eu amo você. Mesmo que você ache que não tem como sentir o mesmo por mim agora.
Mordi o lábio inferior, sentindo o calor do corpo dele irradiando contra o meu. O meu peito subia e descia rápido.
— E Porque eu? Sou só uma garota boba e Patética.
O Christian franziu a testa, a expressão ficando dura:
— Você nunca foi patética, Moon. Você é linda, esforçada, inteligente, perspicaz, corajosa. Você só estava perdida tentando juntar os pedaços da sua vida, e eu vou te ajudar a ser exatamente quem você nasceu para ser.
Fiquei sem ar. As palavras dele batiam no meu peito com um peso absurdo, desarmando qualquer resposta atravessada que eu pudesse tentar formular.
— Acho que eu preciso te ajudar a ter certeza do que escolher — ele sussurrou.
— O quê? Como ass...
A mão grande dele subiu rápido pela lateral do meu pescoço, os dedos longos e firmes se espalmando na minha nuca e puxando a minha cabeça para cima. A pasta de couro que estava nos meus braços escorregou e caiu no chão com um baque surdo, espalhando folhas pelo carpete.
A boca do Christian colou na minha com uma fome desesperada.
Soltei um gemido abafado contra os lábios dele. O beijo não tinha nada de calmo: a língua dele invadiu a minha boca com autoridade, quente, pesada, tomando posse de tudo enquanto a outra mão dele descia com força pelas minhas costas, me colando contra o peito duro que parecia uma parede de concreto.
Entrelacei os meus dedos nos cabelos curtos da nuca dele, puxando ele para mais perto. O gosto dele, o cheiro amadeirado e o calor daquela pele morena me faziam perder o chão.
O Christian passou as duas mãos por baixo das minhas coxas, me erguendo do chão como se eu não pesasse absolutamente nada. Enrosquei as minhas pernas ao redor da cintura larga dele no mesmo segundo.
Sem interromper o beijo nem por um milésimo de segundo, ele deu dois passos compridos até a porta da sala, esticou o braço livre e girou a tranca de metal com um estalo seco.

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