POV: MOON
Ele riu alto, me deu um beijo rápido na bochecha e puxou a bandeja para perto:
— Come logo antes que esfrie.
Nós passamos o resto do dia trancados dentro da suíte. Lá fora, o sol brilhava forte, o mar batia nas pedras da costeira e o céu estava limpo, perfeito para aproveitar a praia ou sair de lancha. Eu olhei pela janela de vidro em um momento da tarde e reparei no contraste de estar em um lugar daquele e escolher ficar deitada na cama com o ar-condicionado ligado, assistindo séries na televisão. Mas o meu corpo precisava daquele descanso. Ficar encolhida embaixo das cobertas, com a cabeça apoiada no peito do Christian enquanto ele acariciava o meu cabelo, valia muito mais.
O final de semana correu devagar, sem correria e sem o peso das brigas lá fora.
E sem pressa de sair da cama.
Não foi só uma noite. Foi o sábado inteiro se transformando em domingo sem a gente perceber. De manhã ele me pegava ainda meio dormindo, a boca quente no meu pescoço, a mão grande subindo pela coxa com uma calma que não pedia nada — só perguntava. À tarde, entre uma série e outra, eu acabava no colo dele de novo, sentada de frente, o corpo ainda marcado da noite no quarto vermelho, e ele me fodia devagar, olhando nos meus olhos, o polegar no meu lábio como se quisesse gravar a cara que eu fazia quando gozava. De madrugada era outra coisa. Mais fundo.
Mais pesado. Sem coleira, sem ordem, mas com a mesma fome. Ele sabia foder. Sabia prender o meu quadril, saber o ângulo, me deixar sem ar com o corpo enorme em cima do meu. E no minuto seguinte sabia fazer amor. Beijo lento. Mão no cabelo. A voz baixa no meu ouvido dizendo que eu era dele, que era bonita, que era para respirar.
Ter me entregado daquele jeito no quarto vermelho tinha aberto uma porta. Eu não tinha mais vergonha de subir em cima dele. Não tinha mais vergonha de pedir. Na noite de sábado eu sentei no colo dele com as pernas abertas, o peito encostado no peito largo, e me mexi no ritmo que eu quis até o ápice me atravessar com a cabeça jogada para trás, o nome dele saindo da minha boca sem eu mandar.
Ele ainda me deitou no colchão depois, desceu beijo por beijo, e me comeu com a boca até eu ficar sem fôlego outra vez, as coxas tremendo no ombro dele, os dedos presos no cabelo escuro.
No domingo foi mais quieto. Menos pressa. Ele entrou em mim de lado, a perna dele por cima da minha, o pau fundo e lento, a mão no meu clitóris com uma paciência quase cruel — daquelas que não apressam o orgasmo, só constroem. Eu gozei colada nas costas dele, escondendo o rosto no pescoço, e ele não tirou. Ficou dentro. Beijou meu ombro. Esperou eu voltar. Só então começou de novo.
Ficamos deitados no escuro depois de tudo, o suor secando aos poucos.
O Christian quebrou o silêncio, passando os dedos compridos pelas mechas do meu cabelo:
— A gente vai ter que voltar cedo amanhã, amor. Tenho reunião na construtora para assinar uns contratos pendentes. E na terça-feira nós precisamos deixar tudo pronto no apartamento para receber o seu pai.
A lembrança do meu pai trouxe um aperto no meu peito, misturado com alívio:
— Eu sei. Mal posso esperar para ver ele instalado, longe daquele hospital.
— Vai dar tudo certo — ele garantiu, com a voz firme. — Depois que essa poeira da mudança dele baixar, nós vamos organizar uma festa de noivado decente. Quero apresentar você oficialmente para a minha família. Mas vamos esperar alguns dias para eu resolver essas pendências na empresa primeiro.
Virei o rosto para ele no travesseiro:
— Tá tudo bem, Christian. Eu não tô com pressa nenhuma para festa.
Ele apertou a mão na minha cintura, me puxando para colar no peito dele:
— Eu tô. Você agora é minha e nada nesse mundo vai me impedir de colocar a minha aliança no seu dedo na frente de todo mundo.
Mordi o lábio inferior, encarando a penumbra:
— E se a sua família não gostar de mim? Eles têm dinheiro antigo, sobrenome... eu não tenho nada disso.

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