POV: SKY BITTENCOURT
Dancei por algum tempo, deixando o álcool e a música abafarem os gritos da minha ansiedade. Quando voltei para a mesa, ofegante, a dinâmica tinha mudado. Rocco não estava lá, parece que tinha ido resolver um problema no escritorio. Sofia não estava lá, mas Helena e Fernanda, da equipe Garcia, ocupavam as cadeiras próximas, totalmente entretidas em uma conversa técnica com Nathan e Diego. O terceiro membro delas, o Júlio, não deu as caras na recepção. Da Lacerda, a empresa do Gael, os outros dois membros simplesmente não vieram.
Gael me explicou que a Lacerda e a Blackwood não se davam bem, ao contrário do que eu imaginava, e me contou o porquê. Eu achava que eles tinham uma parceria sólida, mas a verdade era bem mais suja: a Lacerda roubou a tecnologia do meu pai e vendeu para a Blackwood. Quando meu pai denunciou o plágio, a Blackwood protegendo a fortuna que já tinha investido processou ele de volta. Foi assim que destruíram a nossa vida.
Descobri que isso aconteceu na gestão do CEO antigo. Quando o tio do Rocco assumiu, ele cancelou o uso da tecnologia parcialmente para evitar mais escândalos. E o Rocco? Bom, ele cresceu se revoltando contra isso; parece que ele acha o uso dessa IA uma aberração. Em partes, eu concordo com ele. Só em partes. Gael se levantou para buscar água para nós dois, deixando-me sozinha naquele ninho de cobras.
Alex, que também é da equipe Gouveia junto com Sofia e Victor, tinha sumido provavelmente estava em algum canto VIP se divertindo ou levando as chicotadas que ele tanto mencionava.
Victor estava mexendo no celular, mas nossos olhares se encontraram e eu senti um desconforto imediato, um nó se apertando no meu estômago. Ele começou a se aproximar, passando de cadeira em cadeira com uma calma irritante, até sentar ao meu lado.
— Oi, Sky? Como você está?
— Não é da sua conta. O que você quer, Victor? — perguntei, encarando-o de frente.
— Nada, só saber se você está bem.
— É muita cara de pau a sua, né? — Bufei.
— Desculpa...
— Não me interessa. Agora sai — fiz menção de me levantar, mas ele segurou meu braço com força.
— Você nunca dançou comigo desse jeito, Sky — ele soltou, com a voz carregada de ressentimento. — Você nunca saía, nunca queria nada... Namoramos por anos, éramos melhores amigos, e agora você está aí, se esfregando em um cara que acabou de conhecer?
— Engraçado você falar de tempo e amizade, Victor — respondi, secando o suor da testa e encarando-o com desprezo. — Durante o tempo que a gente "namorava", você me traía com a minha amiga.
— Não foi bem assim e você sabe — ele sibilou, chegando mais perto. — A culpa foi sua. Se você tivesse me dado liberdade antes, se não fosse tão travada, eu não precisaria ter procurado fora.
— Ótima desculpa. Agora, tchau — tentei me levantar, mas ele me puxou de volta para a cadeira. Olhei ao redor e vi que Nathan e Diego estavam observando; apenas sorri para não causar mais constrangimento.

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