POV: SKY BITTENCOURT
A escuridão não era um vazio; era uma massa densa que me soterrava. Escorei as costas na parede fria do corredor, sentindo o papel de parede luxuoso arranhar minha pele, mas a sensação era distante, como se acontecesse com outra pessoa. Minha mão direita pesava uma tonelada enquanto eu tentava, inutilmente, destravar o celular. Eu precisava mandar uma mensagem para a Moon. Precisava dizer que o mundo tinha virado líquido e que eu estava afogando. Mas a tela era apenas um borrão de luz branca que feria meus olhos.
— Você está bem? Ei, você não parece nada bem — uma voz surgiu do nevoeiro.
Eu pisquei, mas as luzes do corredor pareciam explosões estelares. Não conseguia ver o rosto, apenas uma silhueta que se desdobrava em duas, depois em três.
— Calma, eu vou te ajudar. Vem comigo, eu vou cuidar de você — a figura disse, passando um braço pela minha cintura e me arrastando.
Eu não conseguia protestar. Minha língua era um pedaço de chumbo dentro da boca. Meus pés tropeçavam um no outro, e eu só sabia que estava sendo levada para longe do barulho, para um silêncio que me apavorava. Ouvir o estalo de uma porta sendo aberta e o clique de uma fechadura foi como ouvir uma sentença.
Fui jogada em uma cama. O colchão era macio demais, sugando o pouco que restava da minha consciência. Quando a luz do abajur foi acesa, a imagem finalmente se estabilizou por um segundo cruel: Victor.
— O que... o que é isso? — balbuciei, mas o som saiu como um gemido lamentável.
Eu tentei empurrá-lo. Minha mente gritava ordens de comando para meus braços, implorando para que eles se movessem e o jogassem longe, mas meus músculos eram inúteis, meros espectadores de uma tragédia.
— Shhh, é só um sonho, Sky. Apenas um sonho — ele sussurrou, subindo na cama e pairando sobre mim.
Ele ignorou minha paralisia e atacou minha boca com uma fome doentia, enfiando a língua de forma invasiva, um gosto de whisky e possessão que me fez querer sufocar. Ele puxou meu cabelo para o lado com brutalidade, expondo meu pescoço enquanto sua boca descia com urgência.
— Um pesadelo... — tentei rir, mas a risada virou um soluço.
Ele dizia que sempre me amou, que passara dez anos imaginando esse momento e que estava louco de desejo. Senti a mão dele apertar meu peito com uma força bruta, uma posse que me fez querer gritar. Doeu. Ele apertou com tanta força que senti o ar fugir, seus dedos cravando na carne como se quisessem marcar o território que ele roubara.
— Eu sempre imaginei o que tinha por baixo dessas roupas cafonas que você usava, Sky... você quer isso, eu sei que quer — ele murmurou contra a minha pele, respondendo a si mesmo como se estivéssemos em algum acordo doentio.
— Não... — minha mente implorava, mas meus lábios apenas tremiam.
As mãos dele desceram pela minha cintura e começaram a subir o vestido de cetim pelas minhas coxas. Eu sentia a textura do tecido subindo, expondo-me, enquanto ele tocava lugares que eu tinha jurado que ele nunca tocaria. Eu era uma boneca de pano nas mãos de um monstro.
— Você não sabe de nada! — Victor gritou, limpando o sangue. — Nós somos noivos! Ela é minha!
— Noivos? — Rocco riu, um som sem nenhuma alegria. — Engraçado, porque eu vi você devorando a Sofia lá fora agora mesmo.
— É um relacionamento aberto! — Victor tentou se defender, mas a mentira era patética.
Ouvir aquilo, a audácia daquela desculpa, foi o ponto de ruptura. A náusea que eu estava segurando venceu. Eu tinha passado os últimos dias vomitando tudo o que tinha, e agora, sentindo o cheiro de Victor e a adrenalina do Rocco, meu estômago se revoltou pela última vez.
— Rocco... — chamei, sentindo o gosto amargo subir.
Ele me pegou no colo com uma facilidade assustadora, ignorando Victor como se ele fosse um inseto esmagado no carpete. O calor do corpo dele era a única coisa real em um mundo que continuava a se quebrar em mil pedaços.
— Eu tenho que... vomitar — sussurrei, enterrando o rosto no pescoço dele antes que a escuridão me levasse de novo.
— Eu sei, noivinha. Eu estou aqui — ele murmurou, e eu fechei os olhos, deixando que o monstro de quatro cabeças me carregasse para longe do pesadelo real.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário