( Oie voltei-- ESTAVAM COM SAUDADES?---- COMO PEDIDO DE DESCULPA POR TER SUMIDO,UM CAP EXTRA GRANDE PARA VOCÊS.)
POV: ROCCO BLACKWOOD
A semana ainda estava na metade e já tinham acontecido tantas coisas. Sentia meus nervos vibrando sob a pele, uma tensão que nem banhos gelados conseguiam dissipar. A transição para o cargo de CEO definitivo foi um processo burocrático do caralho, mas eu me preparei a vida inteira para isso.
Despedir-me do meu tio Lorenzo no aeroporto não foi apenas um "tchau"; foi a concretização de que agora a porra da responsabilidade era toda minha. Senti o peso esmagador disso comprimindo meu peito. O Ravi sentiria falta dele, e por um segundo pensei que mandá-lo para Londres seria melhor, mas decidiria isso no futuro, quando a saúde do meu avô estivesse estável.
— Obrigado por tudo, tio.
— Por nada. Fiz o que seu pai gostaria — ele colocou a mão no meu ombro e apalpou, um gesto que me fez tencionar os músculos do trapézio. — O Christian vem na próxima semana te ajudar.
Agradeci com um aceno curto, sentindo o maxilar já travado de cansaço. Enviei alguns presentes para os meus avós em Londres e tentei focar no trabalho, relendo alguns e-mails. Quando estava saindo do aeroporto, a diretora da escola do Ravi me ligou e um calafrio percorreu minha espinha.
Parei o carro na porta do colégio, as mãos apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos. Mais uma vez, meu irmão. Ele cabulou aula e estava fumando cigarro no banheiro. Entrei na sala e o encarei com o máximo de autoridade que consegui reunir, a mesma que uso para derrubar prédios condenados.
— Você não pode continuar dessa forma. Vai acabar se prejudicando — minha voz saiu como um trovão contido, carregada de um nó na garganta que eu me recusava a engolir. — O que você quer se tornar, um viciado e morrer?
— Eu prefiro morrer. Poderia ter morrido naquela merda de acidente do que carregar a porra desse peso de ter sobrevivido — ele afirmou.
Fui em sua direção em um borrão de fúria, segurei-o pelo cangote, pressionei-o contra a parede e apontei o dedo na cara dele. Senti o calor da raiva subir pelo meu pescoço, pulsando forte.
— Nunca mais. Nunca mais na porra da sua vida ouse dizer isso novamente.
— Você vai fazer o que? — ele desafiou, arqueando a sobrancelha com um deboche que fez meu sangue entrar em ebulição.
Olhei para ele sem saber o que dizer ou pensar, o peito subindo e descendo com força. E ele continuou:
— Eu não preciso de lição de moral, Rocco.
Ele resmungou com aquele olhar de quem já estava morto e só tinha esquecido de respirar.
— Você não precisa é de cigarro.
— Você não manda em mim.
Ele se soltou e se afastou. A diretora estava tensa, com os olhos arregalados no canto da sala.
— Se acalmem, por favor — ela pediu.
Ignorei, o arrepio de raiva ainda estalando na minha nuca.
Olhei direto para o Ravi:
— Vou te dar duas escolhas: ou você aceita a terapia, ou eu te interno em uma clínica de reabilitação agora mesmo. Escolha. É a sua saúde ou a minha paciência.
O silêncio dele foi a resposta. Ele sabia que eu não blefava. Agradeci e me desculpei com a diretora e saí. Ravi foi suspenso por dois dias.
Essa semana estava realmente sendo um teste de resistência foda. Viagem de Londres para o Brasil, assumir como CEO, ser vomitado, meu tio partindo e agora meu irmão sendo suspenso.
Ainda tinha a Sky no hospital. Sinceramente, não sei por que me importo com ela, mas a imagem daquela ruiva tão vulnerável não saía da minha cabeça, mesmo diante dos meus outros problemas. Era um incômodo constante no fundo da mente.
No sábado, ainda teria a reunião com as equipes do concurso Blackwood Horizon. No domingo, o almoço na casa do Diego. Sei que domingo será um campo minado. O Nathan estará lá e o namorado da Sakura também. Eu disse para o Nathan não ir, mas ele insiste. Ele nunca dá o braço a torcer, e eu vou apenas por preocupação de que as coisas saiam do controle.
A quinta-feira em Porto Alegre amanheceu com o peso de uma laje mal escorada sobre os meus ombros. Tomei banho na água gelada para tentar despertar os sentidos e fui para empresa. Antes de subir para o escritório na quinta de manhã, passei na enfermaria da empresa. Parei na porta e observei em silêncio. Sky ainda dormia, e a irmã dela, Moon, estava apagada na poltrona ao lado, mas escorada na beirada da cama. Fiquei ali, parado na soleira por alguns segundos, apenas observando a fragilidade que ela tentava esconder do mundo.
Subi para o meu andar e os ofícios não paravam. Finalmente a confirmação chegou: a obra poderia ser construída no terreno definitivo. Mas isso exigia uma viagem para Natal e assinar um cheque de um valor exorbitante. Eu levaria a equipe para fazer uma visita para a parte final do concurso; conhecendo o ambiente poderiam construir melhor o esboço final. Mas eu precisava ir conferir se o solo estava pronto para o que eu planejava erguer antes diss.
Pouco antes do almoço, meus pés me levaram de volta ao andar de baixo. Queria um café, mas a verdade é que eu queria mais saber se ela já tinha acordado, embora não quisesse admitir nem para mim mesmo.
Eu ia entrar, mas travei com a mão na maçaneta ao sentir um calafrio estranho. O som veio baixo, abafado, mas dilacerante. Sky estava chorando. Eram soluços pesados, como se ela estivesse se afogando em seco. Fiquei ali parado, ouvindo aquele sofrimento que me incomodava de um jeito que eu não sabia explicar. Era um ruído que eu não conseguia controlar, e isso me causava uma irritação monumental por razões desconhecidas. Logo eu, que controlo até a inclinação dos pilares de um arranha-céu, sendo desestabilizado por um soluço.
Saí de perto da porta e voltei para a minha mesa, mas o eco daquele choro não saía da minha cabeça, martelando como uma britadeira. Tentei focar em planilhas, mas as linhas pareciam formar o rosto dela.
Antes de tocar na maçaneta, na minha terceira visita à enfermaria no mesmo dia — o que já beirava o stalking corporativo —, ouvi a gritaria. A voz dela estava embargada, mas carregada de ódio.
— Eu sempre fui louca, você que demorou a notar! — O grito dela foi seguido por um estalo metálico que ecoou pelo corredor.
Abri a porta e Sky estava de pé, trêmula, com a respiração errática e o rosto vermelho de fúria. Ela tinha acabado de arremessar uma bandeja de metal no Victor, membro da equipe Gouveia, que parecia um rato acuado no canto do quarto. Pensei que ela tratava só a mim com hostilidade, mas percebo que ela é uma metralhadora de má educação com todos os colegas. Um charme.
— O que está acontecendo aqui? — perguntei, genuinamente confuso.
Ela parecia uma louca. Na verdade, agora eu tenho certeza clínica disso. Assim que ela me viu, a adrenalina pareceu abandonar seu corpo de uma vez. As pernas dela falharam e ela desabou de joelhos. Ver aquela mulher, que me enfrentava com deboche, tão quebrada e vulnerável diante de mim novamente, causou um nó na minha garganta que minha lógica de engenheiro não sabia explicar.
O Victor tentou se aproximar, mas eu pedi para ele ir embora antes que ela decidisse que o próximo projétil seria o suporte do soro e matasse nós dois.

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