POV: ROCCO BLACKWOOD
Acordei com o sol de Porto Alegre tentando atravessar as cortinas Blackout e com a sensação de que um caminhão de sentimentos contraditórios tinha me atropelado. Eu não me mexi. Não porque não pudesse, mas porque a perna da Sky ainda estava jogada sobre o meu quadril e o peso da cabeça dela no meu peito era a única coisa que parecia manter meu coração no lugar.
Observei-a dormir por alguns minutos. O rosto dela, sem aquela máscara de deboche ou ódio que ela usa como armadura, parecia absurdamente jovem e... pacífico. A respiração era leve, o hálito ainda tinha um rastro metálico do hospital misturado com o doce da minha camiseta cinza que ela usava.
"Rocco, você é um idiota", pensei, encarando o teto. Eu deveria estar na academia ou revisando os custos da obra de Natal, mas estava ali, cronometrando as batidas do meu coração para não acordar uma ruiva que, provavelmente, me xingaria de cinco nomes diferentes assim que abrisse os olhos.
Ela se mexeu, soltando um resmungo baixo e apertando o tecido da minha camiseta entre os dedos. Senti meu corpo tencionar. Meu p deu sinal de vida imediatamente, ignorando qualquer ética profissional ou senso de autopreservação. Se ela acordasse agora e sentisse o que estava acontecendo, eu nunca mais conseguiria olhar para ela sem que ela jogasse isso na minha cara.
— Hmm... idiota.. — ela balbuciou entre sonhos, o rosto se esfregando no meu peito.
— Até dormindo você me insulta, Bittencourt? — sussurrei, incapaz de conter um sorriso torto que não combinava em nada com o CEO da Blackwood.
Passei a mão pelos cabelos ruivos dela, sentindo a textura macia entre meus dedos. Eu estava agindo como um adolescente apaixonado, e a percepção disso me irritou profundamente. Eu precisava levantar. Precisava de café forte, de uma reunião chata e de qualquer coisa que me lembrasse que eu sou o patrão e ela é o problema.
Tentei me desvencilhar com a agilidade de um cirurgião, mas a cada movimento, ela se agarrava mais a mim, como se eu fosse o único ponto fixo no mundo dela.
— Não vai... — ela murmurou, a voz rouca do sono me atingindo como um soco no estômago.
Travei. O arrepio que subiu pela minha nuca não tinha nada a ver com o frio do ar-condicionado. Se eu ficasse ali mais cinco minutos, eu estaria perdido. Mas se eu saísse, quem garantiria que ela não acordaria assustada em uma casa estranha?
— Só mais cinco minutos — menti para mim mesmo, fechando os olhos e acomodando a cabeça de volta no travesseiro. — É apenas gestão de crise. Eu só estou garantindo que ela não tenha outro surto psicótico na minha cama.
A verdade é que, naquele momento, o único surtando ali era eu. E o pior? Eu estava começando a gostar do caos.
Eu estava ali, tentando manter a dignidade de um CEO enquanto servia de travesseiro humano, quando a Sky começou a se mexer. Senti o corpo dela despertar, mas em vez de abrir os olhos como uma pessoa normal, a mão dela começou a tatear o lençol, descendo perigosamente pelo meu abdômen.
Lento.
Direto.
Perigosamente direto.
Antes que eu pudesse reagir, os dedos dela se fecharam exatamente onde não deveriam.
Não foi um toque.
Foi um aperto.
Firme.
Preciso.

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