POV: ROCCO BLACKWOOD
A Sky ficou me encarando com os olhos arregalados, o rosto passando de um vermelho cereja para um tom de choque absoluto. Ela levantou as mãos à cabeça, apertando os cabelos ruivos como se estivesse tentando manter o cérebro dentro do crânio para que ele não explodisse ali mesmo.
— Ai, meu Deus... eu fiz de novo — ela sussurrou para si mesma, em um momento de clareza aterrorizante, antes de recuperar a postura de ataque e apontar o dedo trêmulo para mim. — O que você fez comigo?! Por que eu estou com a sua camiseta?! O que aconteceu ontem?!
Eu ainda estava sentado no chão, sentindo o latejar da queda e o "recalling" sensorial do aperto firme dela, tentando processar como minha vida de CEO respeitável e temido se transformou, em menos de doze horas, em uma esquete de comédia barata de domingo.
— O que eu fiz? Eu salvei a sua pele, Bittencourt! — respondi, sério e tentando projetar uma dignidade que eu claramente já não possuía mais naquela posição. — Você bebeu algo, mesmo tendo acabado de sair de uma enfermaria. Isso deve ter causado algum efeito colateral ou uma pane geral no seu sistema nervoso. Você é a própria definição de inconsequência ambulante!
Ela parou por um segundo, a mão descendo para a têmpora enquanto as lembranças pareciam estar voltando em flashes desconexos e dolorosos.
— O Victor... — ela murmurou, e vi sua expressão mudar drasticamente de fúria cega para uma tristeza profunda e momentânea.
— É... — ironizei, cruzando os braços sobre o peito, ainda sem sair do carpete. — Aquele projeto de homem que achou que brincar de casinha com você inconsciente no fundo de uma boate era uma ideia brilhante. Mas a culpa é sua, você não tem nenhum instinto de preservação.
— Você não tem o direito de me dar lição de moral! — ela rebateu na hora, a voz embargada pela mistura de ressaca e humilhação. — Você não sabe dos meus problemas, você não sabe de nada sobre mim!
— E como eu saberia? — Me arrastei no chão em direção à beirada da cama, sentindo a frustração borbulhar. — Você é um cofre trancado com uma senha que muda a cada cinco minutos. Toda vez que te vejo, ou você está bêbada, ou inconsciente, ou tentando me atacar, ou surtando por algo que eu não fiz. Você é uma incógnita completa, Bittencourt.
— Não é da sua conta! Tá?! — ela gritou e jogou um dos meus travesseiros caros na minha cara com uma pontaria irritante. — E a Moon? Onde ela está?
— Ela estava com as amigas na última vez que a vi — respondi, arremessando o travesseiro de volta para a cama enquanto bufava.
— Cadê meu celular?
Finalmente me levantei do chão, sentindo minhas articulações reclamarem, e peguei o aparelho para ela no criado-mudo. Ela não agradeceu; apenas fechou o semblante, criando uma barreira de gelo entre nós. Digitou algumas coisas freneticamente com a mão esquerda — a que, felizmente, não tinha tido contato direto com a minha anatomia — e depois me olhou com um desprezo renovado.
— Tem álcool?
Arqueei a sobrancelha, confuso, enquanto ajeitava o moletom.
— Para beber? Bittencourt, você não aprende nunca?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário