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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 46

POV: ROCCO BLACKWOOD

Eu permaneci imóvel, encarando-a. O rosto dela estava em chamas e ela tentou sustentar uma expressão séria por um milésimo de segundo, mas seus lábios bonitos traíram a pose; ela voltou a gargalhar, sacudindo o corpo para tentar se livrar da minha imobilização. A cada tentativa frustrada, ela perdia as forças em uma nova onda de riso. Eu continuei ali, uma estátua de seriedade contra o caos avermelhado que ela emanava.

— Eu não... eu não consigo parar! — ela arquejou, as bochechas coradas enquanto lutava contra os próprios pulmões. — É muita informação para um domingo de manhã, Blackwood!

Estreitei os olhos, fixando-os nos dela. Ela sustentou o olhar, as pupilas dilatando enquanto tentava, finalmente, conter as últimas risadinhas. De repente, o semblante dela mudou; o desafio brilhou ali.

— Saia de cima de mim, a graça acabou — ela disse, tentando recuperar a voz firme que usava nas reuniões de projeto.

— Pois saiba que esse "Rei" — comecei, a voz vibrando de forma perigosa e rouca contra o peito dela — sabe exatamente como dominar uma mulher. Mesmo as mais atrevidas e linguarudas como você.

Meus olhos mapearam o rosto dela, centímetro por centímetro, até estacionarem na sua boca entreaberta. Senti meu corpo responder imediatamente. Uma pressão se alojou na minha cabeça e o mundo simplesmente silenciou. Caralho, o que está acontecendo comigo?

Ela sorriu sem graça, me encarando seriamente, e por um momento parecia que os anjos tinham descido do céu para tocar harpa sobre a minha cabeça. Senti como se o mundo estivesse radiante, como se o sol estivesse nascendo só para nós. Eu estava me sentindo aquecido, em paz... e eu nem estou chapado.

Eu podia sentir o calor da pele dela irradiando contra a minha, e uma necessidade primitiva de calar aquela boca — não com palavras, mas com posse — tomou conta de mim. Eu precisava daquela boca, nem que fosse por um maldito segundo, para provar para mim mesmo que eu ainda tinha o controle da situação.

Aproximei meu rosto lentamente, sentindo a respiração dela vacilar. A Sky, que segundos antes parecia pronta para me chutar da cama, fechou os olhos, entregando-se à gravidade do momento. Eu estava a milímetros do contato, já sentindo o magnetismo do beijo que mudaria o rumo daquela manhã...

Até que o destino me deu um tapa na cara em forma de aroma.

Não havia rastro de morango ou qualquer doçura ali. O cheiro que me atingiu foi a combinação catastrófica de uma noite de hospital, remédios fortes e álcool destilado. Parecia, literalmente, que ela tinha passado as últimas oito horas dormindo com uma meia suja de maratonista dentro da boca.

Recuei com tanta violência que quase perdi o equilíbrio, cobrindo o nariz instantaneamente enquanto minha expressão de sedutor ruía para uma careta de puro pavor.

— Pelo amor de Deus, Bittencourt! — exclamei, a voz saindo abafada pela minha mão. — Você não precisa de um "Rei do Sexo", você precisa de um exorcismo estomacal e dez litros de enxaguante bucal!

Ela abriu os olhos, piscando atordoada com a minha fuga repentina, ainda perdida na névoa da tensão que tínhamos criado.

— O quê? O que foi agora?! — ela perguntou, sentando-se abruptamente e tentando, inutilmente, cheirar o próprio hálito com a mão em concha.

— Esquece. O momento morreu, foi enterrado e eu vou precisar de anos de terapia para apagar esse cheiro da minha memória — respirei fundo, tentando recuperar minha pose de CEO enquanto meus olhos ainda lacrimejavam pelo choque químico.

Apontei para ela com um ar de autoridade renovada, ignorando o fato de que meu coração ainda batia forte por causa da proximidade de segundos atrás.

— Vamos fazer o seguinte: uma trégua. Claramente você precisa de um adulto responsável por perto, então vamos ser colegas. Eu não te demito por tentativa de homicídio genital e você não me processa por... seja lá o que você acha que eu fiz enquanto você dormia, o que, acredite, com esse hálito seria um ato de suicídio. Temos um trato?

— Quer dizer tipo amigos? — ela repetiu, a voz carregada de ceticismo. — Você está brincando com a minha cara? Por que eu ia querer ser sua amiga?

— Ora, por que não? — comecei a contar nos dedos, tentando parecer razoável enquanto meu cérebro gritava que eu era um lunático. — Vejamos: você trabalha para mim, você já vomitou em mim, eu já cuidei de você duas vezes e, há cinco minutos, você estava segurando o meu pau como se fosse o troféu de um campeonato. Me parece que já pulamos a fase das formalidades, não acha?

Ela me encarou por um longo tempo, os olhos percorrendo meu rosto como se estivesse procurando a pegadinha.

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