( Oie e ai estavam com saudades?)
POV: ROCCO BLACKWOOD
— Ótimo, Bittencourt. Guarde essa ambição para o canteiro de obras. Agora, trate de terminar esse café. Temos um compromisso e, por mais que você fique... interessante com a minha camiseta, duvido que o Diego queira ver sua lingerie à mesa de almoço....
— O quê? Diego? Ele vai vir aqui? — Ela quase engasgou, os olhos verdes arregalados e me interrompendo.
— Não. Você vai almoçar comigo na casa dele. Aprender a esperar as pessoas terminarem de falar é bom, sabia? — retruquei, arquivando a expressão de pânico dela na minha pasta mental de "momentos divertidos".
— Eu não vou a lugar nenhum com você, Blackwood. Meu plano para hoje é sumir da sua vista e tentar esquecer que este amanhecer aconteceu.
— Infelizmente para você, o convite não foi uma sugestão. É na casa do Diego. A irmã dele, Sakura, finalmente está 100% recuperada. Ela teve leucemia, Bittencourt. Quase perdemos a garota, mas ela venceu a luta e vai voltar a trabalhar na empresa amanhã. É um almoço de celebração... barra reunião de família.
— Barra reunião de família? Eu preciso me reunir com a minha também, sabe? — ela rebateu, mas o tom de voz já tinha mudado.
— Ela é uma menina que se recuperou de um câncer e não tem nenhuma amiga — continuei, baixando o tom, deixando o peso da palavra "cânceeer" pairar no ar. — Ela vai voltar a trabalhar em uma empresa cheia de marmanjos que só pensam em concreto e dinheiro.
Vi a expressão dela vacilar. Sabia que apelar para a empatia feminina funcionaria.
— Câncer? — ela murmurou.
— Sim. Ela passou por um inferno. Já que você tem um membro a menos na sua equipe, talvez conhecer a Sakura seja a única coisa inteligente que você fará hoje. Quem sabe vocês não formam um trio feminino com sua irmã? ...... Como é o nome daquele negócio? — coloquei a mão no queixo e tentei me lembrar da palavra que as mulheres se juntam e ficam se achando?
— Empoderamento feminino? — Ela me encarou seria por um momento e depois respirou fundo levando a mão ao rosto. — Isso é manipulação. E eu não tenho roupas aqui, Blackwood. Caso seu cérebro de tubarão tenha esquecido, fui trazida para cá desacordada.
— Eu não esqueço detalhes — fui até o closet e voltei com alguns vestido de seda fina . — Tenho peças de uma... antiga ocupante. Estão limpas. Escolha algo que não te faça parecer uma sobrevivente de naufrágio.
Não mencionei que o vestido era de uma ex-submissa maluca que passou pelo meu quarto, mas só de imaginar a Sky e subimissa na mesma frase, minha garganta secou e o pau acordou na hora. Ele não entrou em hibernação profunda hoje.
Que droga, Big Black. Colabora.
— Dez minutos. Se demorar mais, eu te arrasto para o carro do jeito que estiver.
Ela puxou os vestidos da minha mão, roçando os dedos na minha palma. Aquele choque elétrico de novo, disparando direto para o lugar errado.
— Eu odeio você — resmungou, batendo a porta do banheiro de hóspedes.
— Eu sei — respondi baixinho para a porta fechada, com um sorriso que ela não podia ver.
Terminei de me arrumar rápido. Penteei o cabelo, vesti uma calça social e uma camisa polo. Estava pronto, mas a Sky ainda estava lá dentro. Mulheres.
— Sky, anda logo! Precisamos chegar para o almoço e não para o jantar!

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