POV: ROCCO BLACKWOOD
Estacionei em frente à casa do Diego. Não era uma mansão de mármore como a minha; era uma construção de classe média alta, sólida, com aquele estilo charmoso dos anos 80, um jardim bem cuidado que lembrava o subúrbio americano. Sky observou a fachada com uma curiosidade genuína. Eu sabia o que passava naquela cabeça ruiva: comparado ao império Blackwood, o Diego vivia de forma "normal". Mas eu sabia o quanto ele tinha investido na saúde da Sakura. Cada centavo valia a pena para vê-la respirar aliviada de novo.
Desci do carro e, antes que ela pudesse sequer tocar na maçaneta, eu já estava lá, abrindo a porta para ela.
— Sorria — sussurrei perto do seu ouvido enquanto ela descia. — Ou vão achar que estou te forçando.
— E eu posso dizer que fui sequestrada? — ela rebateu, ajeitando o vestido de seda que teimava em marcar suas curvas de um jeito que me desconcentrava completamente.
— Eu te salvei, então... tecnicamente, seria mentira.
— E o que vamos dizer para eles? — perguntou, a voz falhando de puro nervosismo.
Não precisei responder. O som de um carro estacionando logo atrás do meu entregou a chegada do Nathan. Ele desceu com uma carranca de poucos amigos e as mãos enterradas nos bolsos. Conhecer o namorado do seu primeiro amor não deve ser uma experiência agradável. Imagino que o humor dele hoje esteja no nível "contagem regressiva para explosão".
— Rocco? — Diego surgiu do quintal da casa, limpando as mãos em um pano de prato. — Vocês vieram! — Ele sorriu, mas o sorriso travou quando viu a ruiva ao meu lado. — ... Você trouxe a Bittencourt?
— A gente se encontrou no caminho — menti com a cara mais lavada do mundo, dando um tapinha no ombro dele. — E já que a Sakura está de volta, achei que seria uma ótima oportunidade para ela fazer uma nova amizade. Afinal, ela vai precisar se atualizar e se adaptar novamente ao mundo real.
Nathan deu um passo à frente, o rosto vermelho e a voz carregada de veneno. Ele nos viu descer do mesmo carro e sua cabeça de engenheiro estava tentando fazer uma conta que simplesmente não fechava.
— Ah, é? Se encontraram agora? — Nathan semicerrou os olhos, alternando o olhar entre mim e o vestido de seda da Sky que, convenhamos, não gritava "encontro casual de domingo de manhã". — Ou ontem, depois que saíram da festa? Vieram no mesmo carro? Às dez da manhã de um domingo? Muito cedo para coincidências, não acha?
Notei a Sky abrir a boca, sem saber se confirmava ou se desmaiava. Pela cara dela, provavelmente sairia correndo se eu não estivesse por perto para segurar as pontas.
— É, a gente se encontrou agorinha — completei rápido, cortando qualquer chance de ela me desmentir ou pensar em fugir. — Aí eu a convidei. Problema nenhum, certo?
— É... as pessoas vivem se encontrando, né? — Diego interveio, rindo para aliviar a tensão. Ele era o único mantendo a sanidade ali. — Seja bem-vinda à minha casa, er... — ele franziu a testa, tentando lembrar. — É Skype?
— Sky — ela corrigiu, dando um sorriso tímido que quase me fez esquecer a mentira.
— Isso! Sky. Vamos entrar, já acendi a churrasqueira — Diego colocou a mão no ombro dela de forma cortês. — Sinta-se em casa.
Ela olhou para o jardim e para a entrada da casa. Vi nos olhos dela um lampejo de compreensão. Conhecer o lado humilde e real do Diego era mais um motivo para ela gostar dele, e isso me irritou um pouco mais do que eu estava disposto a admitir.
— Onde está a Sakura? — Nathan perguntou.
— Lá dentro — Diego respondeu.
— O namorado já chegou? — Nathan arqueou a sobrancelha, o ciúme disfarçado de preocupação fraternal.
— Ainda não, mas deve estar chegando — Diego comentou, espiando pela janela.
Aproveitei que o Diego deu um passo à frente com a Sky e me aproximei de Nathan. Diminuí a distância até que ele pudesse sentir que eu não estava para brincadeiras. Apoiei minha mão com firmeza no braço dele, apertando o músculo com um aviso silencioso.
— Se comporte, Nathan — disse em um tom que só ele ouviu, mas que carregava todo o peso da minha autoridade. — Hoje é dia de festa para a sua CO irmãzinha de consideração. Não estrague isso com o seu mau humor ou com esse ciúme idiota.
Soltei o braço dele antes que ele pudesse protestar e me virei para a Sky, oferecendo meu braço de forma possessiva.
— Vamos entrar, Bittencourt? Quero que você conheça a única mulher nesta cidade que consegue ser mais teimosa que você.
— É a Sky. Vou te apresentar — cochichei no ouvido dela, mas alto o suficiente para a Sky ouvir. — Cuidado, ela é doida...
Sky me fuzilou com o olhar, virou um gole generoso da cerveja e se levantou, abrindo um sorriso para a Sakura. Nathan ainda a observava, hipnotizado, enquanto Diego já se ocupava em colocar a carne para assar, alheio ao rastro de pólvora no chão. Em segundos, as duas estavam abraçadas, trocando empolgações sobre a volta dela à empresa como se tivessem dividido o berço.
O churrasco começou oficialmente, mas para mim, o entretenimento era outro. Nathan já estava na segunda cerveja, mas não parecia estar sentindo o gosto de nada. Ele encarava a Sakura de lado o tempo todo, acompanhando cada riso dela com a Sky. Dava para ver que ele estava em frangalhos, e a Sakura sabia exatamente o que estava fazendo ao ignorá-lo com tanta maestria.
E então, o portão abriu. O namorado chegou.
O cara era alto, loiro e tinha aquela beleza óbvia de quem sabe que é bonito demais para ser confiável. Meu sensor de "babaca" apitou no volume máximo, e eu sabia que o do Nathan devia estar soltando faíscas. Sakura correu para os braços dele como se estivesse voltando para casa depois de uma guerra. O loiro deu um beijo na testa dela, girou-a no ar e passou a mão no rosto dela com uma intimidade que fez o Nathan perder o que restava da cor.
ESTALO.
O som de vidro estilhaçado cortou a conversa. Olhei para o lado e vi a garrafa de cerveja explodir na mão do Nathan. Ele tinha apertado o vidro com tanta força, com tanto ódio contido, que ele simplesmente cedeu. O líquido se misturou ao sangue que começou a jorrar imediatamente, mas o idiota nem piscou. Ele continuava olhando para a Sakura e o loiro, com os olhos vidrados, como se a dor na mão não fosse nada perto do estrago que estava acontecendo dentro dele.
— Nathan! Cara, você tá bem? — Diego gritou, correndo para trás dele, tentando entender como diabos alguém estoura uma garrafa apenas segurando-a.
Nathan não respondeu. Ele estava em outro planeta. Um planeta onde a conta da sua covardia ou dos seus erros passados tinha acabado de chegar, e o preço era ver a Sakura nos braços de outro.
Deus me livre de me sentir assim algum dia. Olhei para Sky, balancei a cabeça em um gesto silencioso de "olha o estrago" e bebi um pouco da minha cerveja. Ela desceu amargando.
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ESTÃO GOSTANDO? - Curiosos para História do Nathan? ou ainda não?

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