(TALVEZ POSSA SER UM POUCO ESTRANHO A FORMA QUE ESCREVI ESSE CAP. MAS ESPERO QUE SE DIVIRTAM com o Desabafo da nossa querida Sky...))
POV: SKY BITTENCOURT
Ajeitei o travesseiro do meu pai e segurei sua mão, sentindo aquele aperto silencioso que eu tanto queria que fosse uma resposta. O quarto estava calmo, mas a minha cabeça parecia uma escola de samba em dia de apuração. Olhei para o rosto dele, tão sereno, e não aguentei. Eu precisava desabafar com alguém que não fosse me julgar — ou que, pelo menos, não pudesse sair correndo.
— Sabe, pai... se o senhor estivesse acordado, provavelmente me chamaria de "Doida" ou estaria polindo a espingarda agora. Mas senta aí — metaforicamente falando — porque o resumo dos meus últimos dias parece um filme de comédia romântica de baixo orçamento, onde a protagonista é uma completa idiota. Pois é. Eu sou essa protagonista. E se o senhor estiver me ouvindo e rindo da minha cara aí dentro, saiba que eu mereço um aumento de salário emocional.
Sempre converso com meu pai. Faço resumos dos meus dias, das minhas semanas... Sinto tanta, mas tanta saudade que nem consigo explicar. Mas eu não quero ficar triste agora. Respiro fundo, forço um sorriso e continuo:
— Hoje tudo começou com um sonho. E que sonho, pai! O cenário era luxuoso, a iluminação era de cinema e o beijo... ah, o beijo era o tipo de coisa que deveria ser proibida em todos os estados brasileiros. As mãos dele eram quentes, explorando cada centímetro do meu corpo com uma propriedade que me fazia esquecer até o meu próprio CPF. Quando a boca dele desceu, traçando um caminho de fogo entre os meus seios e descendo para aquele lugar que faz a gente ver estrelas e esquecer que os boletos existem... eu juro, eu estava literalmente no céu.
Eu ia implorar por mais, ia dizer "pelo amor de Deus, não para", mas aí a imagem focou. A pessoa subiu para me beijar de novo e, no lugar do meu príncipe encantado imaginário, lá estava ele: Rocco Blackwood. O Chefe. O Mestre. O Gigolô de Luxo. O Homem que me viu vomitar como se estivesse exorcizando um demônio.
— Acorda, Bittencourt — o Rocco do sonho sussurrou.
Eu acordei. De verdade. Mas o problema não foi acordar, pai. O problema foi perceber que minha mão direita estava... ocupada. E por ocupada, eu quero dizer que eu estava segurando o membro dele — que depois descobri que se chamava "Big Black" — com uma firmeza que sugeria que eu não queria soltar nunca mais.
Pai, sério. Alguém me mata? Eu dei um pulo que quase me jogou no chão, sentindo aquele déjà vu de vergonha suprema. Era a segunda vez que eu acordava na cama dele em situações deploráveis. Eu queria fugir, saltar da janela, me transformar em uma samambaia decorativa, mas o sarcástico já estava lá, me olhando com aquela sobrancelha arqueada que dizia: "Eu sei que você estava gostando".
Ficamos naquela tensão, mas ele, sendo o idiota funcional que é, resolveu levar tudo na brincadeira e sugeriu que fôssemos amigos. Amigos! Como se você pudesse ser amiga do cara que te viu em modo "sobrevivente de naufrágio" e que você acabou de assediar durante o sono.
Mas, para minha surpresa, aceitar ser "amiga" dele foi o que me salvou de um infarto. Era mais fácil lidar com as piadas ácidas dele do que com o peso de ser a funcionária que passou a maior vergonha da história da Blackwood & Co. O Rocco irrita? Sim. É um egocêntrico? Com certeza. Mas ele me faz rir mais em uma manhã do que o Víctor — aquele rascunho de homem com quem convivi dez anos — me fez em uma década. Com o Rocco, a vergonha é tanta que a gente acaba virando a chave do "fod*-se".
Por isso, aceitei ir ao tal churrasco. E lá, pai, eu conheci a Sakura.
Ela é incrível. Sério. Olhando para aquela brasileira-coreana de rosto angelical, você nem imagina o inferno que ela passou com a leucemia. Ela me contou que sempre quis ser Engenheira Civil, queria construir coisas gigantescas, mas como a saúde não colaborava, ela se formou em Contabilidade para poder estudar online. Agora que está curada, ela vai voltar para a faculdade para tentar o sonho da Engenharia. Ela ainda está na fase de estágio, mas o brilho no olho dela quando fala de obras é algo que eu reconheço de longe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário