(O tetxo poder ter erros- ERRAR É HUMANO.)
POV: SKY BITTENCOURT
— É, pai... o silêncio aqui no quarto é a única coisa que me responde hoje.
Soltei a mão dele devagar, sentindo o peso do mundo voltar para os meus ombros assim que me levantei da cadeira. O Nathan foi embora antes mesmo do almoço ser servido, acredita? Ele não aguentou. O Diego ficou lá com cara de quem caiu do caminhão de mudança, totalmente perdido. E o Rocco... ah, o Rocco tentou controlar a situação, agindo como se fosse o dono do roteiro. Ele sabe de alguma coisa, pai. Dá para ver no jeito que ele olha. Mas a nossa "amizade" de fachada ainda não chegou no nível de eu fazer perguntas íntimas. Eu só... lavei as vasilhas, ajudei a organizar a bagunça e tentei não transparecer que aquela cena do Nathan saindo sangrando e em frangalhos acabou comigo também.
Dei um beijo demorado na sua testa, sentindo aquela pele fina, e caminhei até a porta. Saí do quarto e fechei a porta bem devagar, ouvindo o "clique" da maçaneta como se estivesse fechando um cofre.
— Vou dar um jeito... eu vou dar um jeito... — murmurei para o corredor vazio, repetindo as palavras como um mantra para ver se meu cérebro acreditava nelas.
Fui até a cozinha e encarei o balcão. Peguei meu celular e o visor brilhou: dezoito chamadas perdidas e uma avalanche de mensagens da minha irmã. Eu sumi o dia todo e ela deve estar me achando a pior irmã mais velha do mundo. Ela não entende a pressão. Não entende que, enquanto ela está no shopping, eu estou tentando descobrir como vou pagar a manutenção desses aparelhos que te mantêm vivo, pai. Os remédios, o aluguel... tudo na nossa casa parece que aprendeu a gritar, e a única palavra que conhecem é "dinheiro".
Abri a geladeira, peguei a jarra e servi um copo de suco, bebendo tudo de um gole só, sentindo o líquido gelado descer rasgando. O trator Bittencourt está com o tanque na reserva, mas não pode parar.
Olhei para o relógio. O domingo estava morrendo e a segunda-feira já estava ali na esquina, me esperando com os dentes afiados. Amanhã eu volto para a Blackwood & Co. Volto para o concurso. Volto para o jogo do Rocco.
Eu não sei o que sinto por ele. Não sei se ele me quer por perto porque sou boa no que faço ou se sou só um passatempo divertido para um homem que tem tudo. Mas de uma coisa eu tenho certeza: eu vou conseguir esse dinheiro. Nem que eu tenha que vender a minha alma para o diabo — ou para o CEO de olhos verdes.
Amanhã é segunda-feira. E a Sky Bittencourt que as pessoas conhecem, a que não aceita derrota, vai ter que aparecer. Mesmo que a Sky que está aqui sozinha, no escuro da cozinha, queira apenas sentar no chão e chorar até dormir.
Encostei a cabeça na porta da geladeira e fechei os olhos, deixando o cansaço me abraçar por um segundo antes de respirar fundo.
— Amanhã eu resolvo. Amanhã eu venço. Amanhã eu continuo.
****
Eu não consegui dormir. Cada vez que fechava os olhos, via o sangue na mão do Nathan ou o sorriso de predador do Rocco. Fiquei ali, encarando o teto, até que ouvi o barulho da chave na porta. Eram quase duas da manhã quando a Moon entrou.
Ela passou no quarto do meu pai primeiro, um ritual que nós duas compartilhamos em silêncio absoluto. Depois, vi a silhueta dela na porta do meu quarto. Ela não disse nada, apenas caminhou até a minha cama e se deitou ao meu lado, como fazíamos quando éramos crianças e o mundo parecia grande demais para o nosso tamanho.
— Desculpa, Moon — sussurrei para o escuro, sentindo o peso da culpa. — Acho que sou uma péssima irmã mais velha. Sumi o dia todo, não atendi suas chamadas...
Senti o braço dela envolver minha cintura e o peso da cabeça dela no meu ombro.
— Você não é tão ruim assim, Sky. Pelo menos você nunca bateu em mim — ela brincou, a voz rouca de cansaço, tentando aliviar o clima.
— Se eu tivesse batido, seria o fim, né? — Soltei um riso soprado, sentindo um nó cego na garganta. — Mas é sério... eu sinto que estou falhando com vocês.
— Para com isso. Você está carregando o peso sozinha há tempo demais. Mas eu tive uma ideia... descobri um lugar que está contratando. Vou dar um jeito de ajudar com a manutenção dos aparelhos do pai.
Me virei de lado para encarar os olhos dela, o sinal de alerta apitando no meu cérebro.
— Moon, não precisa se preocupar. Eu já disse que vou resolver. Amanhã vou ao banco e...
— Você sempre diz que eu não preciso me preocupar, Sky, e é exatamente por isso que eu fico mais preocupada ainda — ela me cortou, o tom ficando sério e decidido. — Eu não quero ver você sofrendo, se matando em três empregos e aguentando chefe babaca. Eu andei pesquisando... tem uns bicos lá no Ambrosia Club. Eles pagam muito bem a hora para quem trabalha no bar.
Meu sangue gelou instantaneamente. O lugar onde tudo começou. Onde o Rocco Blackwood reina absoluto.
— De jeito nenhum! Moon, aquela boate não é lugar para você.

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