POV: SKY BITTENCOURT
Na hora de ir embora da empresa, acabei pedindo desculpas ao Gael pelo beijo impulsivo no meio do setor. Ele, com aquele jeito fofo e todo sorridente, disse que só me desculparia se eu desse outro. E ele me deu. Foi um beijo bom, tranquilo... mas completamente diferente.
Que droga, meu cérebro imbecil e traidor insistia em voltar para o Rocco no mesmo milésimo de segundo!
Droga!
O do Rocco beijava infinitamente melhor porque ele tinha muito conhecimento. Tinha muito porque ele é um dom do clube, já deve ter visto tantas mulheres sem roupas que dominava cada milímetro da arte de desestruturar uma mulher...
Mas por que caralho eu estou pensando nisso?! Droga! Lembrei do que tinha comentado com a Sakura dias atrás, e ela me disse que com o tempo e a convivência na empresa isso ficaria melhor, que a obsessão passava. Rezei para que ela estivesse certa, porque a minha sanidade estava por um fio.
Me despedi do Gael e entrei em casa. As meninas ainda não tinham chegado, o que foi um milagre dos céus. Fui até o quarto do meu pai, bati um papo calmo com ele e dei um beijo carinhoso na sua testa. Depois, tomei um banho demorado, peguei uma garrafa de champanhe na cozinha para anestesiar os meus neurônios e tranquei-me no meu quarto. Sentei-me na cama com as pernas cruzadas e puxei aquelas folhas de papel timbrado de dentro da minha bolsa de couro.
Na primeira página, o título brilhava em letras pretas e elegantes: CONTRATO FORMAL DE CONSENTIMENTO E DIRECIONAMENTO — DOMÍNIO E SUBMISSÃO.
Logo abaixo, vinha um questionário com uma tabela imensa cheia de termos técnicos e três colunas para eu marcar com um "X": [ ] Aceito, [ ] Talvez, [ ] Nem fodendo (ok, a última coluna dizia formalmente "Não Consentido", mas para o meu estado de espírito o significado era exatamente esse).
O problema era que eu não entendia metade daquele dicionário de perversão de alta periculosidade. Então, abri o navegador do celular, dei um gole generoso no champanhe, digitei na barra de pesquisa da internet e comecei oficialmente a minha jornada rumo ao trauma psicológico.
Primeiro item da lista: Grampos de mamilo e genitais.
— Ué, grampo? Tipo... de grampeador? Ou de varal? — sussurrei para o quarto vazio, digitando na busca.
Quando a aba de imagens da internet carregou, eu quase joguei o celular na parede de tamanho pavor. Meus olhos se arregalaram tanto que achei que fossem saltar da minha cara e rolar pelo colchão. Eram uns prendedores de metal, pesados, e as fotos mostravam aquilo fixado em todas as partes possíveis: nos bicos dos seios e na vagina, direto nos grandes lábios.
Ai, meu Deus.
— Mas que porra é essa?! O homem quer pendurar os meus peitos no varal de cabeça para baixo para secar no sol? Nem morta! — Marquei um "X" violento e furioso na coluna do "Nem fodendo".
Próximo item: Estímulo anal e introdução de brinquedos eróticos de grande porte.
Digitei no mecanismo de busca com os dedos já meio trêmulos. O resultado foi um catálogo de objetos emborrachados gigantescos que pareciam armas medievais, monstros de filme de ficção científica ou peças de encanamento industrial de alta pressão.
— Mas nem se o Papa me pedir de joelhos na missa de domingo! — exclamei para as paredes, completamente horrorizada. — Onde ele acha que vai caber um dinossauro emborrachado daquele tamanho? Esse homem é um psicopata! — Outro "X" bem grande na última coluna.
Continuei descendo a lista, cada vez mais assustada e arrependida das minhas escolhas de vida. Shibari de suspensão (amarrada de cabeça para baixo). A rede me mostrou fotos de pessoas amarradas como um peru de Natal na ceia, suspensas no teto por cordas de juta grossas.
— Ah, claro. Porque além de tudo, eu vou querer ter um AVC por excesso de sangue no cérebro enquanto estou pelada na frente dele. Perfeito — resmunguei, ironizando para conter o choro de nervoso.
Depois veio: Wax Play (gotejamento de vela quente). — Vela? O cara quer fazer um despacho na minha barriga ou um ritual de feitiçaria? — pesquisei.
O vídeo mostrou cera derretida caindo na pele de uma mulher que gemia. Eu não sabia se a mulher do vídeo estava sentindo tesão ou se estava sofrendo queimaduras de terceiro grau, mas a minha pele arrepiou inteira só de olhar para a tela.
Felizmente, mais abaixo, havia cláusulas um pouco mais normais para a minha saúde mental, focadas em Restrição e Imobilização:

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