POV: ROCCO BLACKWOOD
Cheguei ao Ambrosia Club duas horas antes do expediente oficial começar. A ansiedade estava me transformando em um homem que eu mal conseguia reconhecer. Estava possesso. Impaciente. Com os nervos esticados ao limite depois de passar as últimas semanas caçando aquela ruiva pela cidade. E ainda tive que aguentar a provocação doentia daquele beijo no Gael bem na minha frente. Logo o Gael. Que palhaçada.
Fui direto para a suíte privativa da presidência. Tomei um banho demorado. Deixei a água escaldante tentar acalmar os meus músculos, mas não adiantou de porra nenhuma. A verdade era humilhante: precisei me masturbar duas vezes. Uma logo no início do banho e a outra quando já estava terminando, com o corpo encostado nos azulejos. Fechei os olhos e só conseguia enxergar as reações daquela maldita Bittencourt. Grande erro.
Mesmo depois disso, o meu pau continuava duro, pulsando com uma necessidade violenta. Eu estava com raiva do meu próprio descontrole. Um completo refém dos meus hormônios por causa de uma ruiva abusada.
Saí do box, passei um perfume importado diferente daquele que costumo usar no dia a dia da holding e me vesti com calma. Como ela tinha elogiado o meu abdômen na sorveteria, demonstrando que prestava atenção em cada detalhe do meu corpo, eu não podia me dar ao luxo de ficar sem camisa.
O risco de ela me reconhecer pela anatomia era alto demais. Eu parecia um fugitivo escondendo as pistas. Vesti uma camiseta cavada preta, que cobria o tronco mas me dava mobilidade, e uma calça de moletom escura e confortável. Pelo menos o moletom disfarçava o estrago que ela causava na minha calça.
Sentei-me na poltrona de couro e puxei as folhas de papel timbrado que a Eleonora havia recolhido e deixado na minha mesa. Era o contrato formal da Fox.
Quando abri a primeira página, não consegui conter uma risada alta. Uma gargalhada genuína ecoou pelo escritório vazio. A audácia daquela mulher era uma obra de arte. Ela tinha rasurado o documento inteiro de um jeito furioso. Distribuiu canetadas violentas na coluna do "Não Consentido" como se estivesse lutando pela própria vida. Parecia um manifesto de guerra.
Fiquei analisando os riscos dela, achando uma graça absurda do tamanho da defensiva. No item de grampos metálicos, ela tinha feito um "X" que quase rasgava o papel. Olhei para aquilo fazendo pouco caso.
No estímulo anal e nos brinquedos de grande porte, outro "X" gigantesco. No shibari de suspensão, mais uma rasura violenta. Ela tinha rejeitado quase tudo o que envolvesse dor ou fetiches mais pesados. A garota achou que ia entrar em uma câmara de tortura medieval.
Mas o auge da comédia foi a última folha. Na pergunta sobre a calda, ela escreveu em letras garrafais: "Com certeza NÃO!". Ela achou mesmo que o clube servia pudim ou sorvete. Sensacional. E no espaço em branco, com uma caligrafia trêmula, mas totalmente autoritária, ela criou uma cláusula de própria autoria, sublinhada duas vezes: PROIBIDO BEIJOS NA BOCA.
Joguei a cabeça para trás, rindo sozinho. Ela achava mesmo que ia ditar as regras da minha rendição estritamente nos termos dela. Quem ela pensa que é? Ela queria jogar? Perfeito.
Já que ela quis me provocar na empresa, eu ia usar aquele mesmo contrato como uma arma psicológica contra ela. Como aquela ruiva queria proibir o mundo inteiro se ela nem sabia o que era bom? Para rejeitar um estímulo, primeiro ela precisava conhecer o gosto. E eu faria questão de ensinar.

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