POV/ ROCCO
Afastei-me dois passos e voltei para o lado do Nathan, enfiando as mãos nos bolsos e tentando parecer o mais indiferente possível.
— Já resolvi tudo na recepção, vou ao banheiro rápido. Vão pegando as chaves — comentei com o Nathan, que apenas deu de ombros.
Lá no balcão, o tumulto na recepção estava ficando insustentável. Marta, visivelmente estressada com o monte de turistas se amontoando no saguão, bateu com as mãos na mesa para chamar a atenção do nosso bando e começou a gritar os nomes, sem paciência para dar explicações longas.
— Pessoal da Construtora Blackwood, por favor! A recepção está lotada e precisamos liberar espaço. Por favor, aproximem-se para pegar os cartões e subam imediatamente para as acomodações! — Marta anunciou com a voz firme.
Ela começou a chamar um por um de forma mecânica e rápida, carimbando os documentos e estendendo os cartões eletrônicos. Chamou o Victor, que pegou a chave da equipe Gouveia com cara de tacho e foi arrastado por uma Sofia resmungona, seguida por Alex. Chamou o Gael, que recebeu o cartão do chalé triplo da equipe Lacerda e deu de ombros, meio murcho ao perceber que o seu passaporte para o quarto da ruiva tinha ido por água abaixo, seguindo com os outros rapazes. Chamou Helena, entregou a chave do chalé triplo para a equipe Garcia, e eles seguiram sem questionar.
Ela continuou o trabalho e entregou a chave para Diego e Nathan, indicando o quarto nove.
— Senhorita Moon e senhorita Sakura, quarto doze. Senhorita Sky Bittencourt, quarto quatorze! Por favor, circulem, os carregadores já vão subir com as bagagens! — Marta ditou, jogando os plásticos no balcão.
A Sky pegou o cartão magnético, franziu o cenho e olhou para o papel enquanto caminhava na direção das escadas com a Sakura.
— Ué, Sá... a cor do meu cartão é diferente do seu — a Sky comentou, girando o plástico entre os dedos, confusa. — O seu quarto não é o mesmo que o meu?
— Acho que não, a mulher disse que o meu é com a Moon no doze — Sakura respondeu, checando o número.
— Mas nossa... eu vou ficar sozinha em um quarto de casal? Que estranho — a ruiva murmurou, olhando para trás e procurando o Gael com os olhos, mas o engenheiro já estava sumindo no corredor dos chalés do fundo.
Sem tempo de contestar nada devido à pressa da recepcionista, a Sky acabou dando de ombros e subindo os degraus junto com a comitiva, sumindo de vista pelos corredores da pousada.
Girei nos calcanhares e voltei calmamente até o balcão, que agora estava completamente vazio. Marta me estendeu o meu cartão Black junto com a chave reserva do quarto quatorze, exibindo uma piscadela rápida de canto de olho que quase me fez ter um derrame.
Eu era um maníaco completo. Um verdadeiro psicopata perseguidor.
Subornei a recepção com crédito ilimitado na lojinha, menti na cara de pau dizendo que a estagiária de Porto Alegre era a minha namorada e passei o maior papelão da minha vida corporativa. Mas o tabuleiro estava exatamente como eu queria.
Apertei o passo, peguei o elevador em direção ao corredor silencioso e parei diante da porta quatorze. Enfiei o cartão magnético na fresta. A luz verde acendeu com um bipe agudo. Segurei a maçaneta de metal, empurrei a porta e entrei, pronto para dar à minha ruiva bruta a maior surpresa dessa viagem.
Girei a chave reserva na fechadura do quarto quatorze e empurrei a porta de madeira devagar.

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