POV/ ROCCO
— Mais respeito com o seu chefe, Bittencourt. E aqui você vai estar muito mais segura. Você se lembra do motivo de eu ter dado aquela advertência formal na semana passada, não lembra? — curvei o corpo levemente na direção dela, reduzindo o espaço entre nós até conseguir ver as pequenas sardas no nariz dela. — Você e o Gael se pegando no meio do expediente. É estritamente proibido qualquer tipo de relacionamento entre funcionários dentro da minha empresa. Eu prezo pela produtividade, não por libertinagem nos corredores.
A Sky soltou uma risada debochada, alta e seca, batendo as mãos nas coxas em um gesto de puro inconformismo.
— Ah, me poupa, Blackwood! Proibido relacionamento dentro da empresa? Que moral você tem para falar de regras? Desde quando você segue o protocolo e pode colocar a sua própria secretária para mamar no meio do escritório. A Cecília por acaso ganhou hora extra por aquilo ou foi só gerenciamento de competências?
Sustentei o olhar dela, sem vacilar um único milímetro, absorvendo a audácia daquela boca atrevida. Dei de ombros com a maior naturalidade do mundo, mantendo a minha pose inabalável.
— Existe uma grande e clara diferença nesse cenário, Bittencourt. Eu não sou funcionário sujeito ao regimento interno. Eu sou o patrão.
— Arrogante. Metido. Desgraçado — ela sibilou entre dentes, os punhos cerrados ao lado do corpo, bufando de ódio.
— Ignorante, sarado, bonito — completei as ofensas por ela, avançando mais um passo lento, colando o meu peito quase no dela, sentindo o calor que emanava daquela ruiva brava. — Pode economizar a sua saliva, querida. Eu já sei todas as suas ofensas de cor e salteado. Você precisa renovar esse repertório de xingamentos se quiser me atingir de verdade.
Nós nos encaramos por dois segundos de pura eletricidade. O ar entre nós parecia denso, estalando com a proximidade forçada.
— Olha só — continuei, dando um passo para trás para recuperar o fôlego e voltando ao meu tom técnico e superior, fingindo que ela não mexia com os meus instintos. — É muito melhor você dividir essa cama comigo. Eu não tenho o menor interesse em nada do que você tem aí. Não vou te atacar no meio da noite.
— Não tem interesse?
— Nenhum. Se eu tivesse interesse real em você além do profissional, eu já teria te pegado há muito tempo. Esqueceu que você praticamente se jogou em cima e ainda queria me pagar para foder você.
A boca dela se abriu em um perfeito "O" de indignação, o peito subindo e descendo com força sob o tecido do macacão.
— Você é o cara mais sem-vergonha, egocêntrico e cara de pau que eu já conheci na minha vida inteira! É um poço de audácia!
— Quem tem a cara de pau aqui é o Big Black . A minha é perfeitamente normal e muito bem moldada, obrigado — rebati na lata, sem piscar. — Então, o que nós vamos fazer? Vai aceitar a trégua ou vai dormir no chão da recepção?
A Sky respirou fundo, fechando os olhos por um segundo para tentar não surtar e não avançar no meu pescoço. Ela se virou para a cama e apontou para os quatro travesseiros grandes empilhados na cabeceira de madeira.
— A gente vai fazer uma barreira bem aqui no meio. Uma linha de travesseiros vertical. Cada um fica do seu lado e ninguém ousa rolar para o lado do outro. Se um fio de cabelo seu cruzar a fronteira de algodão, eu juro que te capo com a chave do quarto. Fechado?
— Se você faz tanta questão desse muro, vai ser até melhor para mim. Vou me sentir muito mais seguro sabendo que não corro o risco de acordar de madrugada com você me tocando sem autorização de novo. Seria um tremendo porre ter que assinar uma ata e te denunciar por assédio sexual para a sede da construtora.
A Sky foi até a cama agarrou um dos travesseiros com as duas mãos e o jogou com toda a força em mim.
— Abusado! Você é muito abusado! Eu odeio você!
Eu ri baixo, uma risada rouca e vitoriosa, enquanto segurava o travesseiro com facilidade contra o corpo, jogando-o de volta na cama para montar a tal barreira.
A Sky ignorou a minha pergunta de início. Ela ajeitou a alça da bolsa no ombro, pegou o celular em cima da cômoda e caminhou direto até a porta do quarto, segurando a maçaneta com firmeza. Só então ela virou o rosto na minha direção, exibindo o sorrisinho mais cínico, afrontoso e calculista do mundo.
— Já que eu não tive a sorte de ficar no mesmo quarto que o Gael e desfrutar de uma boa companhia... eu vou sair agora para almoçar com ele. Vou aproveitar o sol de Natal e dar uma namorada por aí para arejar a cabeça — ela disparou, me encarando fixamente para ver o estrago das palavras.
Tentei levantar da cama no mesmo segundo, dou um salto rápido, a testosterona subindo como um vulcão ativo na minha cabeça, o sangue fervendo de puro ciúme doentio.
— Mas nem fodendo que você vai...
— E antes que você abra a boca para falar qualquer coisa sobre as regras da empresa ou sobre o meu horário — ela me interrompeu antes que eu cruzasse o quarto, erguendo um dedo indicador em riste, firme. — Nós não estamos no escritório e a minha tarde está livre pelo cronograma oficial. Tchau, chefe. Nos vemos à noite. Se eu voltar.
Ela puxou a porta, saiu e bateu a madeira com força, deixando-me sozinho no quarto com o cheiro de morango e o rastro do meu próprio ódio.
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#Os comentários eu deixo para vocês.
Como perceberam hoje postei varios cap. Porque amanhã é meu batismo na igreja 24/05/26 E vai ter a festividades e eu nao vou conseguir atualizar. Entao atualizei hoje para que não ficassem Cap. OK
Deus abençoe vocês! Quem quiser me serguir no roxinho Ins. - é nanda-ericca -- tem o Nandark verso.

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