POV: ROCCO BLACKWOOD
Dizer que eu não dormi direito naquela noite seria o maior eufemismo do século. Eu simplesmente não preguei o olho.
Tudo por causa da zona ridícula que a Bittencourt resolveu erguer no meio da cama. Não satisfeita com os quatro travesseiros padrão, a malandra ligou para a recepção e pediu mais lençóis, mantas e até toalhas extras. Ela montou uma verdadeira muralha da China de pano bem no meio do colchão. Tinha rolo de cobertor, pilha de travesseiro e uma barreira de toalhas que quase chegava ao teto do quarto, tudo para se proteger de mim.
O problema é que a engenharia de cama dela foi um fracasso total.
Assim que pegou no sono profundo, a Sky começou a se mexer feito uma louca. No meio da madrugada, ela deu um chute na barreira e jogou a muralha inteira para o meu lado. Acordei no susto, quase morrendo sufocado com três travesseiros, um edredom pesado e uma toalha de banho caindo direto em cima da minha cara. O peso foi tanto que eu quase precisei de reanimação.
Para piorar a minha desgraça, quando finalmente consegui cochilar por uma hora antes do amanhecer, o meu cérebro resolveu me trair. Tive um sonho erótico absurdamente nítido com ela, daqueles de acordar com o coração na boca e o Big Black completamente duro, tencionando o tecido da cueca.
Olhei para o lado, sentindo um misto de ódio e frustração. A parede de panos estava desfeita, ela estava dormindo feito um anjo, e eu estava ali, sofrendo sozinho. Achei uma injustiça tremenda o fato de ela não ter sonhado a mesma coisa e nem ter tentado me tocar de verdade durante a noite para aliviar o meu estresse.
Como o meu corpo parecia um vulcão de testosterona acumulada e o sono tinha ido para o espaço, decidi levantar mais cedo que todo mundo na pousada. Enfiei um short, calcei o tênis e saí para correr na orla de Natal antes mesmo de o sol nascer por completo. Corri os cinco quilômetros forçando o meu ritmo ao máximo, tentando usar o cansaço físico para esvaziar a mente e aplacar o ciúme que ainda queimava no meu peito.
Voltei para o hotel uma hora depois, pingando suor. Entrei no quarto quatorze em silêncio, tirei a roupa suja e me enfiei debaixo do chuveiro. Tomei um banho gelado bem demorado, tentando ver se a água fria abaixava a pressão lá embaixo de vez.
Assim que amarrei a toalha na cintura e abri a porta do banheiro, dei de cara com a Sky levantando da cama. Ela estava com os cabelos ruivos todos bagunçados, os olhos semiabertos e aquela carinha de sono que, infelizmente, me dava mais vontade ainda de jogá-la no colchão.
— Bom dia — ela murmurou, com a voz meio rouca de quem acabou de acordar.
— Bom dia, Bittencourt. Se mexe rápido porque o Nathan e o Diego já mandaram mensagem avisando que o café da manhã está servido e as equipes estão descendo — respondi, mantendo a minha máscara de chefe sério e indiferente, como se eu não tivesse passado a noite sendo sufocado por lençóis.

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