( o cap. pode ter erros)
POV/ ROCCO
Minha mandíbula estava tão travada que eu já sentia dor nos músculos do rosto. Eu estava cozinhando de calor e de testosterona, com o pau doendo e assistindo à minha funcionária com seu projeto de namorado.
O Nathan e o Diego se afastaram para ir até o bar do quiosque buscar mais água de coco. Fiquei sozinho na mesa, afundado na cadeira de plástico com a minha pior expressão. Uma das funcionárias que servia as bebidas na areia, uma morena bonita de biquíni e saída de praia, aproximou-se segurando uma bandeja. Ela me olhou de cima a baixo, claramente interessada no meu porte físico, e se escorou na lateral do meu guarda-sol com um sorriso cheio de segundas intenções.
— Oi, lindo... está tão sozinho por aqui — ela começou, jogando o cabelo para o lado e inclinando o corpo na minha direção. — Não quer pedir alguma coisa para se refrescar? Um drink especial? Ou quem sabe uma companhia para te mostrar as maravilhas da cidade mais tarde?
Antes que eu pudesse abrir a boca para dar uma resposta gélida e acabar com a graça dela, uma sombra cobriu a mesa. A Sky surgiu do nada, vindo da água, pingando água salgada, com o cabelo ruivo grudado nos ombros e o biquíni vermelho realçando cada curva do seu corpo alvo. Ela cruzou os braços, encarou a garçonete com a cara amarrada e depois olhou para comigo com a maior cara de sonsa do mundo.
— Ah, moça, que bom que você apareceu! — a Sky disparou para a funcionária.
— Sim! No que posso ajudar? — a garçonete respondeu, ajeitando a bandeja.
— Você sabe onde tem uma farmácia aqui perto?
Olhei confuso para ela por trás das lentes escuras, arqueando a sobrancelha. A Sky deu de ombros, fingindo demência, enquanto torcia o cabelo molhado com as mãos.
A funcionária piscou, totalmente confusa, recolhendo o corpo na hora e perdendo todo o rebolado da cantada.
— Por quê? Tá tudo bem?
— Sim, eu estou bem, é ele que não está. Precisa de um remédio urgente. O estoque dele acabou, não é? — a Sky perguntou, olhando diretamente para mim.
Eu queria responder, mas o meu cérebro tentava processar aquela situação. Eu sempre soube que ruivas não podiam ficar tanto tempo expostas ao sol sem proteção na cabeça, o mormaço de Natal devia ter derretido o resto dos neurônios que ela tinha.
— Farmácia? Você está doente, senhor? — a moça perguntou, olhando fixamente para mim.
— Eu?... — tentei explicar a situação, mas a Sky me interrompeu antes que a primeira palavra saísse.
— Ele não está não — a Sky suspirou, balançando a cabeça com um falso olhar de pena direcionado a mim. — É porque o meu amigo aqui sofre de um transtorno de personalidade gravíssimo, sabe? Ele tem surtos psicóticos horrorosos se esquecer de tomar o remédio controlado na hora certa. Ele começa a gesticular, falar sozinho e até rosnar para as pessoas do nada na areia. Um perigo! É melhor deixar ele quietinho e bem isolado no canto dele, porque vai que esse trem é contagioso.
Fiquei de boca aberta, olhando para aquela ruiva atrevida com os olhos arregalados. Com o nível de audácia daquela garota. Impressionante.
A garçonete olhou para a minha cara de poucos amigos, engoliu em seco, colocou o drink na mesa com as mãos trêmulas e saiu apressada, quase correndo de volta para o quiosque com medo de eu ter um ataque ali mesmo.
Assim que ficamos sozinhos, levantei as lentes dos meus óculos escuros, deixando os meus olhos expostos para encará-la com toda a minha indignação.
— Ficou maluca, Bittencourt? Que palhaçada foi essa?
A Sky deu de ombros, com o sorrisinho mais cínico do mundo estampado nos lábios.
— Bom... agora nós estamos quase quites. — ela falou, cruzando os braços molhados sob os seios fartos.
— Quase quites com o quê? — indaguei, curioso e preucupado.
— Quase quites porque por causa daquela confusão na recepção eu perdi a chance de passar a noite com o Gael. Eu ia dar muitos beijos nele se as coisas tivessem saído como planejado. Então, já que eu não tive o meu final feliz, você também não vai ter o seu. Justiça poética.
Antes que eu pudesse levantar da cadeira para segurar aquela malandra, ela jogou o cabelo ruivo para trás num movimento rápido. Uma chuva de pingos de água salgada e gelada bateu direto contra o meu rosto.
A Sky deu as costas, soltando uma risadinha vitoriosa, e voltou para o mar caminhando toda rebolativa com aquela bunda enorme chamando a atenção da praia inteira.
Passei a mão pelo rosto, limpando a água salgada, e me joguei com força para trás na espreguiçadeira do quiosque, fechando os olhos sob o sol escaldante.
Meu Deus do céu.
Eu estou completamente ferrado nas mãos dessa mulher.

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