POV/ ROCCO
Meu coração parou por um segundo. Um suor frio escorreu pela minha espinha e a minha mente entrou em pânico total, projetando o pior cenário possível.
— O que você quer me perguntar? Você quer que eu te dê uns conselhos sobre o Gael? Quer que eu fale a real sobre aquele rapaz? Olha, eu acho que ele é um cara legal, mas talvez não seja o tipo certo para...
— Cala a boca, Blackwood! — ela me interrompeu, bufando de frustração. — Cala a boca que não tem nada a ver com o Gael! Não é isso que eu quero falar!
— Então o que caralhos você quer perguntar, Bittencourt? Desembucha! Se for sobre homens ou relacionamentos, pode falar, porque eu conheço bem a mente masculina. E sei como tratar as mulheres.
A Sky parou perto da beira do colchão, me mediu de cima a baixo com um olhar cheio de deboche e soltou uma risada sarcástica.
— Eu acho que você não sabe como tratar uma mulher de verdade. Principalmente as funcionárias da sua própria empresa.
— Eu te trato muito bem! — rebati imediatamente, ultrajado na minha própria cama.
— Muito bem? Você tem certeza? — ela ergueu uma profissional sobrancelha.
— Com certeza! Eu tenho uma paciência enorme com você, Bittencourt. Uma paciência de nível santo — afirmei, fazendo-a rir alto do meu sarcasmo, o que acabou aliviando um pouco a tensão absurda que estava no quarto.
Fiquei ali com cara de tacho, esperando o riso dela passar.
— Mas você não diz o que quer perguntar! O que você quer saber afinal? Quer saber se eu...
— Cala a boca e me deixa falar! Não é nada disso! — ela me cortou de novo, o rosto começando a mudar de cor.
Pronto. O fim do mundo chegou de vez. Ela vai dizer que está namorando o Gael. Ou pior, vai dizer que vai casar com aquele projeto de engenheiro e que os dois vão adotar um cachorro. Meu Deus do céu, o que eu faço se ela falar isso? Eu compro o buffet do casamento e jogo laxante na comida? Eu mudo o contrato da empresa e proíbo a união estável? Eu estava à beira de um colapso nervoso.
— Pode falar. Estou ouvindo — respondi, tentando manter a voz firme, mas sentindo o meu estômago dar voltas.
— Credo, Blackwood, por que você está com essa cara? Parece que está nervoso — ela franziu a testa, achando graça da minha rigidez. — Não se preocupe, não quero saber como cometer um assassinato, é outra coisa.
— Eu não estou nervoso — menti na cara de pau, com o maxilar travado. — Diga logo de uma vez, Bittencourt. Você está interrompendo o meu descanso.
A Sky respirou fundo, juntou as mãos no colo do baby doll preto e disparou a pergunta mais aleatória da história da aviação civil:
— Você já ficou com muitas mulheres, não já?
— Muitas. Por quê? Qual é o intuito da pesquisa de mercado?
— A Sakura me disse também que você era um dominador lá no Ambrosia Club e tal... — ela continuou, soltando the informação como se estivesse comentando sobre o clima.
— Sim, eu sou — respondi, estreitando os olhos. — Mas como é que você sabe disso? Por que a Sakura anda espalhando o meu histórico profissional da noite por aí? E mais importante... não vai me dizer que está interessada nessas práticas.

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