POV: ROCCO BLACKWOOD
— É isso mesmo que você entendeu, Blackwood — ela repetiu, batendo o pé com firmeza, sem recuar um milímetro. — Me ensina a ter um orgasmo.
— O quê?! — perguntei de novo, a minha voz saindo totalmente perdida.
Eu estava completamente chocado. A sensação era de que o chão do quarto quatorze tinha sumido e eu estava flutuando lá no espaço sideral, sem gravidade, sem oxigênio e sem entender absolutamente nada do que era real. Girei a cabeça devagar para o lado, levantei a mão livre e dei um tapa bem estalado na minha própria testa, fechando os olhos com força para saber se eu não estava dormindo ou tendo um delírio por causa do vinho.
Quando abri os olhos, a ruiva continuava ali, me encarando.
— Olha, é porque... tipo assim... eu não tenho para quem perguntar, tá bom? É que eu não tenho muitas amigas, na verdade não tenho quase nenhuma, e eu não posso simplesmente chegar em alguém na rua e... você sabe! Eu não tenho outra opção! — Ela tentou explicar, mas se enrolou toda, gaguejando e gesticulando. — É que tipo... ter isso... é...
Pela primeira vez na vida eu não soube o que dizer. Fiquei mudo, apenas assimilando o tamanho do absurdo.
— Tá vendo! É sempre assim! Quando a gente fala a palavra orgasmo, os homens entram em curto-circuito e não conseguem nem falar a palavra direito! — ela disparou, cruzando os braços, visivelmente irritada.
— Claro que eu consigo falar! — rebati na mesma hora, o meu orgulho de macho ferido falando mais alto. — Orgasmo. Orgasmo. Orgasmo! Tá vendo? Não é tão ruim assim. Eu falo a palavra a hora que eu quiser!
Eu estava completamente confuso. Meu cérebro mandava uma informação para o meu olho esquerdo, que começou a tremer em um tique nervoso, e outra direto para o Big Black, que ficou super animadinho embaixo do lençol com a simples menção da palavra.
— Não, espera... o quê? — balancei a cabeça, tentando voltar à realidade. — Por que caralho você está me pedindo isso, Sky?
— Porque você é a pessoa que eu conheço que mais teve relações sexuais na vida! — ela explicou, óbvia, esticando os braços. — Você provavelmente é o homem que mais entende desse assunto no meu círculo social. Eu sei que a gente não tem tanta intimidade assim, mas... para quem mais eu ia perguntar? Eu não tenho outra pessoa!
Meu Deus do céu. Ela quer que o chefe ensine ela a gozar.
— Mas por que você quer saber isso agora? — perguntei, a voz falhando de novo.
— Como você mesmo sabe... eu sou virgem. Já que você não me quis naquela noite em que eu me joguei em cima de você... eu preciso aprender. Alguém me falou que eu tinha que começar me tocando, mas eu não faço a menor ideia de como começar a me tocar!
— E você quer que eu te ensine? — indaguei, ainda tentando processar.
— A gente se detesta, então acho que a gente supera. É melhor do que eu perguntar isso ao...
— Tá... — interrompi a frase no mesmo instante. Só de imaginar a possibilidade de ela ir perguntar uma porra dessas para aquele merdinha do Gael, a minha cabeça começou a doer.
Passei a mão pelo rosto, respirando fundo, prestes a aceitar a maior loucura da minha existência. Eu ia ensinar a Sky a se tocar. Mas antes que eu pudesse formular a primeira frase técnica, ela estragou tudo com o pior argumento do universo:
— É porque se você não me ensinar, Blackwood... eu vou ter que perguntar para o Gael. E vai que o Gael não gosta de meninas virgens? Eu tenho que estar totalmente preparada para ele.
— Tá, eu já disse que vou ajudar — ditei. O meu sangue simplesmente evaporou. O ciúme possessivo bateu com tanta força que eu quase quebrei o chão da pousada com o pé ao descer da cama num sobressalto.
Para o Gael?! Ela quer aprender a gozar para usar o aprendizado com o Gael?!

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