( Um cap. um pouco maior, mas leve um pouco. espero que gostem também dessa construção.)
POV: SKY BITTENCOURT
Quando a van finalmente estacionou e eu desci, o meu queixo foi direto para o chão. O local onde seria construído o resort era imenso. Uma extensão de terra gigantesca, selvagem e imponente. Olhar para aquela imensidão deu um nó na minha cabeça e um frio absurdo na barriga; quando eu desenhei as primeiras ideias do projeto no papel, na tela do meu computador, eu não tinha dimensão de que seria algo daquele tamanho. Ali, diante da realidade, tudo parecia infinitamente maior.
Por causa do vento e da movimentação constante das dunas, o terreno tinha vários relevos e ondulações na areia. Fiquei encarando aquela paisagem e a minha mente começou a trabalhar. Talvez a ideia ousada que eu tinha dado antes — de criar uma estrutura um pouco torta, orgânica, misturando o marrom das madeiras brutas com pedras locais e a linha dos coqueiros — funcionasse de verdade. Na minha cabeça, a referência que brilhava era quase como uma versão sofisticada e luxuosa da casa do Tarzan, perfeitamente integrada àquela praia de Natal.
Minha irmã se aproximou, tirando os óculos de sol e segurando uma prancheta junto com a Sakura.
— Olha, Sky, eu vou lá medir o local junto com a Sakura para a gente coletar todos os dados topográficos — ela avisou, apontando para o início do terreno. — Vamos tirar algumas fotos de vários ângulos também. Beleza?
— Beleza. Vão lá, vou ficar por aqui — respondi.
Peguei o meu bloco de desenho, o estojo de grafite e caminhei até a parte da frente do terreno. Sentei-me na areia, de costas para o mar, ficando de frente para a imensidão onde o resort nasceria. Abri o bloco e comecei a traçar as primeiras linhas.
Em poucos minutos, eu perdi o foco de tudo ao meu redor. Quando eu entrava no meu modo criativo, o mundo exterior simplesmente desaparecia. Eu não ouvia os barulhos das equipes, não via as pessoas andando; para mim, existia apenas a brisa fresca do mar batendo no meu rosto e o grafite deslizando pelo papel, dando vida às estruturas que ganhavam forma na minha imaginação.
Eu estava tão concentrada que demorei a perceber o calor forte que começava a castigar a minha pele. Como eu sou muito branca, o sol do Nordeste não perdoa. Minhas costas começaram a queimar de um jeito incômodo, mas, antes que eu pensasse em levantar, uma sombra acolhedora cobriu o meu bloco de papel.
Olhei para o lado de sobressalto. O Rocco estava parado bem ali, segurando um guarda-sol grande sobre a minha cabeça para me proteger do sol.
— Tudo bem? — ele perguntou, mantendo a voz em um tom profissional, mas com aquele timbre grave que me fez engolir em seco. — Não queria te atrapalhar. Só não queria que você virasse um caranguejo cozido no primeiro dia de campo.
Ele deu uma risada baixa, desarmada. Eu pisquei, surpresa com o gesto, e olhei para o guarda-sol fincado na areia ao meu lado.
— Obrigada, Blackwood — murmurei, ajeitando o lápis na mão.
O Rocco pigarreou de leve, olhando para o horizonte antes de voltar os olhos escuros para mim.
— Tudo bem. A gente não precisa conversar sobre o que aconteceu ontem à noite. Mas faça um bom trabalho aqui... e espero que aquilo tenha te ajudado.
Minhas bochechas esquentaram na mesma hora, a lembrança do banho de mais cedo piscando na minha mente. Olhei para o meu bloco de desenho, tentando manter a voz firme.
— Ajudou. Ajudou sim.
Eu nunca admitiria para ele o quanto tinha ajudado, muito menos que eu tinha passado a manhã inteira revivendo o toque dele. O Rocco apenas assentiu com a cabeça, satisfeito com a resposta, e se afastou. Olhei de longe enquanto ele caminhava a passos largos na direção das outras equipes, juntando-se aos seus três diretores e amigos para discutir os custos e a logística da construção.
Voltei ao meu trabalho, agora protegida pelo guarda-sol que ele tinha montado. O tempo voou. O almoço foi servido em uma estrutura provisória que montaram no local. Comi rapidão junto com o pessoal e logo voltei para o meu posto na areia.
O problema foi que, com o passar das horas, a posição do sol mudou e a maré começou a subir. Eu precisava mudar o guarda-sol de lugar para continuar na sombra, mas a haste dele travou na areia compactada. Para piorar, a água do mar começou a avançar rápido, ameaçando molhar a barra da minha calça jeans. Comecei a puxar o metal com força, frustrada, sem querer estragar a minha roupa.
— Deixa que eu arrumo para você — uma voz mansa surgiu ao meu lado.
Era o Gael. Ele vinha caminhando com aquele cabelo preto bonito levemente bagunçado pelo vento e um sorriso sincero no rosto. Com facilidade, ele puxou a haste do guarda-sol, fincou-a mais para trás, em um lugar seco, e ajustou a lona para cobrir o meu bloco.
— Pronto. Você está bem? — ele perguntou, agachando-se ao meu lado na areia. — Como está o projeto?

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