POV: SKY BITTENCOURT
Quando terminei de descer as escadas e cheguei à área de lazer, o meu peito se encheu de uma surpresa gostosa. O Gael tinha preparado tudo nos mínimos detalhes. Perto da piscina e da área da hidromassagem, onde as luzes do hotel estavam mais baixas e intimistas, ele tinha forrado um pano bonito no chão. Havia várias velas acesas ao redor, criando uma iluminação suave, e duas taças ao lado de drinks de frutas tropicais servidos direto no coco.
— Nossa, Gael... que legal! — falei, abrindo um sorriso genuíno e sentindo a empolgação tomar conta de mim. — Ficou lindo demais.
Ele se levantou imediatamente, com aquele sorriso calmo que parecia transmitir paz, e veio pegar a minha mão.
— Que bom que você gostou, Sky. Vem cá — ele disse, me puxando docemente na direção da borda da hidromassagem.
Nós nos sentamos ali mesmo, na beirada, deixando os pés mergulhados na água morna que borbulhava suavemente. O clima em Natal estava perfeito. O hotel parecia um deserto, completamente silencioso, e logo entendi o motivo: estava rolando um show enorme da Cláudia Leitte na praia principal, e praticamente todos os hóspedes e o pessoal da empresa tinham ido para lá curtir a festa. Estávamos completamente isolados e protegidos naquela penumbra.
Pegamos os nossos drinks e começamos a conversar. O tempo parecia passar mais devagar com ele. Bebemos, rimos e o Gael começou a falar sobre o dia de trabalho, comentando sobre as suas expectativas para o projeto e sobre como aquela viagem estava sendo importante. Entre um gole doce da bebida de frutas e outro, ele me olhou de um jeito mais profundo, curioso.
— E você, Sky? O que você quer fazer da sua vida, de verdade? Quais são os seus planos?
Apoiei o copo na lateral e encarei o reflexo da água. Senti uma vontade enorme de desabafar, embora ainda não fosse o momento de entregar todas as cartas.
— Eu quero ser alguém na vida, Gael. Quero crescer, superar os meus limites e, acima de tudo... quero limpar o nome da minha família — respondi, com a voz firme, sentindo o peso daquela promessa no meu peito.
O meu pai tinha sofrido uma injustiça gigantesca no passado por causa da antiga empresa dele, e aquilo tinha destruído muita coisa. Eu não queria contar os detalhes para o Gael ainda, era uma ferida muito exposta, mas sabia que logo ele saberia de tudo. Apesar desse passado barulhento, olhar para o que eu estava construindo ali me deixava feliz. Eu estava realizada, me sentia bem e a minha meta principal agora era ganhar aquele projeto do resort de qualquer jeito.
— Você vai conseguir — o Gael falou, a voz mansa cortando os meus pensamentos. Ele deu um sorriso de canto. — Mas, sabe... mesmo se a minha equipe perder o projeto para a sua, tem uma coisa que eu já ganhei e que vale muito mais.
— O quê? — perguntei, arqueando as sobrancelhas.
— Eu te conheci — ele sussurrou.
O Gael estendeu a mão, levando os dedos compridos até o meu cabelo ruivo, afastando os fios molhados e colocando a mecha atrás da minha orelha. A ponta dos dedos dele deslizou pelo meu pescoço, me causando um arrepio suave. Ele se inclinou devagar e os nossos lábios finalmente se encontraram.
Foi um beijo calmo. Educado, terno e cheio de carinho. Nossas línguas se envolveram sem pressa, e eu conseguia sentir o gosto doce e cítrico da bebida de frutas misturado ao sabor dele. O Gael deslizou as mãos grandes pela minha cintura, puxando o meu corpo para mais perto, quebrando qualquer distância entre nós. Movida pelo calor do momento, eu mudei de posição, passando as pernas pelo lado do corpo dele e sentando no seu colo, encaixando-me ali enquanto ele continuava sentado na borda.
As mãos dele desceram pelas minhas costas, tateando o tecido fino do vestido curto de coqueiro, até chegarem na minha bunda, apertando a carne com uma firmeza gostosa. Eu gostava de beijar o Gael. Genuinamente gostava. Sentia a minha calcinha começar a molhar sob o tecido, uma quentura conhecida subindo pelo meu ventre... mas, em algum lugar lá no fundo, o meu cérebro fez uma comparação inevitável.
Era diferente. O encaixe era diferente. Não tinha aquela eletricidade perigosa que me fazia querer arrancar a roupa com os dentes, não tinha o estômago revirando ou aquela sensação de estar caindo de um penhasco sem paraquedas que o outro homem me causava. Eu não sabia explicar o porquê de ser tão diferente, mas decidi não parar. Eu precisava viver as minhas próprias experiências, descobrir o meu corpo e dar uma chance para o que era certo e seguro. Continuei o beijo, apertando os ombros dele enquanto as mãos dele continuavam massageando a minha bunda.

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