— Sim, Sr. Salazar. — Marcos concordou e rapidamente perguntou:
— Sr. Salazar, a data do retiro espiritual nas montanhas do Sr. Diogo está chegando. O lugar não permite o uso de celulares lá dentro, mas quando ele sair, com certeza vai olhar o telefone. O que faremos se ele vir os assuntos mais comentados na internet desses últimos dias?
Diogo, avô de Alípio, tinha cismado há pouco tempo que queria passar uns dias nas montanhas, então Alípio ajudou a encontrar um retiro espiritual. Ainda bem que o mestre de lá era bem rígido e proibia qualquer dispositivo de comunicação.
Por isso, apenas dois funcionários foram designados para auxiliar o Sr. Diogo com suas necessidades diárias.
Quando ele voltasse, se visse Ema no meio das polêmicas nas redes sociais, com certeza faria um escândalo.
Se ele aparecesse e fosse atrás de Ema, isso certamente estragaria os planos de Alípio e complicaria bastante a situação.
Marcos estava pensando nisso com aflição, quando ouviu Alípio dizer:
— Dê um jeito de fazê-lo ficar na montanha por mais alguns dias.
— ... Certo. Então vou agora providenciar o café da manhã para o senhor e a Sra. Pacheco... — Marcos respondeu.
— Não precisa, eu mesmo vou comprar. Falamos depois.
...
Quando Alípio voltou com o café da manhã, Ema já tinha terminado de se arrumar e estava sentada na beira da cama mexendo no celular.
Ema viu-o entrar e perguntou diretamente:
— Você disse que fez chamada de vídeo com as crianças ontem, com o celular de quem? Como fez isso?
Enquanto colocava o café da manhã na mesinha, Alípio respondeu:
— Esse é um segredo meu e deles. Fizemos uma promessa de dedinho, não posso contar.
Ouvindo isso, Ema sentiu que até tentar conversar com aquele homem já era um esforço exaustivo.
Ema revirou os olhos para ele, pegou um pão de queijo e começou a comer, dando uma mordida feroz, como se o pão de queijo fosse o próprio Alípio.
Ela resmungou mentalmente que, quando voltasse para casa à noite, daria uma boa bronca naqueles moleques.
Enquanto Ema comia, percebeu que Alípio também se sentara para comer. Ela lhe lançou um olhar torto e virou o corpo levemente para o lado, focando na mesa.
Ema ignorou-o. Quando estava satisfeita, não quis nem saber se Alípio também já tinha terminado de comer.
Pegou tudo o que estava em cima da mesa de uma vez e colocou no armário de canto do outro lado:
— Já está na hora de você ir. A Hortensia vai chegar daqui a pouco.
Alípio emudeceu.
Ele ficou paralisado com a colher na mão, olhando para Ema com cara de cachorro abandonado.
Mas depois de falar, Ema nem sequer olhou para ele, indo direto para o banheiro escovar os dentes.
E ainda por cima, demorou lá dentro de propósito, esperando que Hortensia e a enfermeira que aplicaria a medicação chegassem.
Ema só saiu do banheiro ao ouvir o som da porta abrindo lá fora.
Ela olhou em volta e Alípio já não estava no quarto. Pelo visto, havia ido embora.
Ema soltou um suspiro suave e não pôde deixar de lembrar dos assuntos mais comentados que vira no celular há pouco.

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