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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 147

Carolina esquivou-se depressa da mão dele e deu um passo para trás. Inflou as bochechas e o encarou, irritada.

Desde quando Henrique tinha ficado tão... Sem noção?

O que tinha acontecido com ele?

— Já está tarde. Vai para o quarto, toma um banho e descansa. — Disse ele, passando por ela.

Antes de entrar, acrescentou com suavidade:

— Boa noite.

Carolina se virou e viu suas costas desaparecerem dentro do quarto. A porta se fechou diante dela.

Ela ficou sem reação.

Qual era o problema dele? Tinha acontecido alguma coisa? Ou ele tinha virado um santo de repente?

Ou... Será que ainda não tinha superado o fato de ela tê-lo traído no passado e, por isso, não queria tocá-la?

Antes, quando os dois nem tinham reatado de verdade, bastava ele vê-la para prensá-la no vão da escada e beijá-la. Naquele dia da tempestade, quando ela foi se abrigar na casa dele, usando só um vestido e andando de um lado para o outro, ele a empurrou contra a parede. Deixou bem claro, sem o menor disfarce, o quanto estava alterado... E ainda perguntou se ela queria.

Então tudo aquilo tinha sido só para intimidá-la?

Ele nunca tinha querido, de verdade, ficar com ela?

Agora que estavam morando juntos, tinha ficado educado até demais.

Nem diante de um convite tão direto ele reagia.

Carolina soltou um suspiro longo e quente. Arrastando os pés, voltou para o quarto, abatida, com uma sensação incômoda de vazio. Pegou a bolsa e entrou.

No outro quarto.

No instante em que fechou a porta, Henrique começou a tirar a roupa enquanto seguia para o banheiro.

Assim que entrou, ficou debaixo do chuveiro, completamente nu.

O inverno em Porto Velho era úmido e cortante. Ainda assim, Henrique sentia o corpo inteiro arder por dentro. Sem hesitar, abriu direto a água fria.

O jato gelado caiu sobre seus cabelos curtos e escorreu pelo corpo. Atravessou a pele, trazendo um frio quase doloroso que envolveu cada centímetro dele. Mesmo assim, não foi capaz de apagar o fogo que queimava por dentro.

Desde que começara a dividir o apartamento com Carolina naquele inverno, ele já tinha perdido a conta de quantas vezes recorrera a banhos frios para conter essa inquietação.

Com as mãos apoiadas na parede, inclinou o corpo para a frente e manteve a cabeça baixa. O olhar turvo desceu até o próprio abdômen.

Carolina se levantou e acenou para ele.

O homem se aproximou com um leve sorriso. Soltou o ar frio pela boca antes de puxar a cadeira e se sentar.

— Você é a contadora do canteiro onde eu trabalhava?

Carolina não respondeu. Apenas o observou em silêncio.

Wallace apoiou o capacete sobre a mesa e ergueu os olhos para encará-la. De repente, franziu a testa, como se o rosto dela lhe despertasse alguma lembrança.

— Você veio me trazer algum tipo de indenização?

— Wallace, você realmente não se lembra de mim? — A voz de Carolina saiu fria e cortante.

Ele se recostou na cadeira e a analisou por alguns segundos.

— Tenho uma vaga impressão, mas não consigo lembrar direito. Você não é a contadora da minha antiga empresa. Então... Quem é você?

Os olhos de Carolina ficaram afiados num instante. Ela ergueu a mão e bateu com força na mesa.

O estrondo ecoou pelo café. Wallace se assustou e se endireitou imediatamente na cadeira. Sua respiração ficou pesada.

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