Anos de atuação como advogada moldaram nela uma autoridade natural. Quando ficava séria, fria e implacável, sua presença se tornava sufocante.
A voz saiu dura, com cada palavra marcada com precisão:
— Wallace, eu sou a filha de Thiago Brito, Carolina. Já encontrei provas de que você e as outras duas testemunhas mentiram no tribunal naquela época. Vocês não estavam reunidos coisa nenhuma. Falso testemunho é crime. Dá cadeia. Você sabe disso, não sabe.
Wallace entrou em pânico por dentro. Engoliu em seco, tentando manter a calma.
— A gente estava, sim, reunido. Seu pai entrou, bateu no Luiz, largou as ferramentas e fugiu. Eu não menti.
Carolina soltou uma risada fria.
— Tem certeza disso?
— Tenho. Claro que tenho.
Ela arqueou a sobrancelha, tranquila.
— Engraçado... Porque eu me lembro de que, no tribunal, vocês disseram que estavam jogando cartas.
O cérebro de Wallace disparou. Ele ficou encarando Carolina, atônito. Mesmo no frio do inverno, suor brotou em sua testa. Limpou-o às pressas, nervoso, e tornou a engolir em seco.
— Isso... Isso mesmo. A gente estava jogando cartas.
— Cinco anos se passaram. Quando algo nunca aconteceu, fica fácil esquecer qual mentira você contou.
Carolina sorriu de leve, segura de si.
— Por isso você já não lembra mais se estavam reunidos, jogando cartas ou até se disse ao juiz que estavam jogando dominó.
O rosto de Wallace empalideceu de imediato. O pânico tomou conta dele. As mãos cerradas tremiam levemente.
Quando nada daquilo tinha sido real, era natural que as mentiras acabassem se confundindo.
Tomado pela raiva e pela vergonha, Wallace agarrou o capacete e disparou:
— Você é maluca, porra. O caso já foi julgado há cinco anos, e você ainda está presa nisso.
Carolina se levantou. Pegou o café à sua frente e, sem hesitar, jogou no rosto dele.

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