Carolina curvou os lábios num leve sorriso e assentiu.
— Sim. Eu quero me casar com você. Mas ainda preciso de um pouco mais de tempo. Quando eu sentir que chegou a hora certa, eu te aviso. Aí, naquele dia, você vem me pedir em casamento dirigindo o carro novo e com a aliança na mão, tá bom?
— Tá bom.
Henrique não conseguiu conter o sorriso que lhe surgiu nos lábios. Seus olhos ficaram marejados.
Num impulso, ele a puxou para os braços e a apertou com força, como se ainda não conseguisse acreditar que aquilo era real, como se temesse acordar no instante seguinte e descobrir que tudo não passava de um sonho.
O abraço foi tão apertado que Carolina quase ficou sem ar.
Ao ver um homem tão bonito e uma mulher tão linda, tão apaixonados um pelo outro, o vendedor não pôde deixar de sentir inveja. Ao mesmo tempo, ao pensar que perderia a venda naquele momento, também se abateu. Então se apressou em dizer:
— Senhor, senhora... Que tal escolherem primeiro o modelo e a cor? Não tem problema se não comprarem agora. Assim, no dia do pedido, vocês não vão precisar resolver tudo às pressas.
Henrique a soltou, mas continuou segurando sua mão enquanto a conduzia para dentro da loja.
— Então vamos dar uma olhada primeiro. Por enquanto, não vamos comprar.
— Uhum. — Respondeu Carolina com um sorriso discreto.
No fundo do coração, porém, ainda restava um fiapo de inquietação.
No mundo, nada era absoluto até o último instante. Sempre podia surgir algum imprevisto.
Ela confiava plenamente que o caso do pai seria revertido. Ainda assim, enquanto não o visse sair da prisão com os próprios olhos, seu coração jamais encontraria paz de verdade.
Depois de verem os carros, foram jantar. À noite, ainda assistiram a um filme.
Quando voltaram para casa, já passava muito da meia-noite.
Estavam cansados, mas felizes. Cada um foi para o próprio quarto, tomou banho e se preparou para dormir.
Depois do banho, com o cabelo já seco, Carolina se deitou na cama sentindo um leve peso na consciência.
Henrique raramente tinha sequer meio dia de descanso, e havia gastado todo aquele tempo acompanhando-a no encontro. Passear parecia algo leve, mas, na verdade, consumia bastante energia, física e mental.
Já passava da meia-noite. No dia seguinte, ele ainda teria que trabalhar e precisava estar descansado para enfrentar aquela rotina exaustiva, que exigia tanto dele.
Carolina não queria incomodá-lo mais enquanto ele descansava.
Ela abraçou a capivara de pelúcia que Henrique tinha conseguido para ela e ficou se virando de um lado para o outro na cama.
No fim, não resistiu. Pegou o celular e mandou uma mensagem.
[Boa noite.]
Ficou olhando para a tela.
"Digitando..."
Alguns segundos depois, a resposta de Henrique apareceu:
[Não tranquei a porta. Quer vir?]
O convite, tão direto, fez o rosto de Carolina esquentar na mesma hora. Envergonhada, ela se enfiou debaixo do cobertor, batendo de leve no colchão enquanto murmurava, toda atrapalhada:
— Aaaah... Eu vou ou não vou?
Ela pensou por um momento. Depois, levantou a cabeça de dentro do cobertor, respirou fundo e ajeitou o cabelo bagunçado.
"Não... Não dá."
Os dois estavam há cinco anos sem nada. Depois de tanto tempo reprimindo tudo, se fossem mesmo levar aquilo adiante...
"Talvez para mim bastasse uma vez. Mas, para o Henrique... Dificilmente."


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