Carolina voltou trazendo um copo de suco de maçã. Lívia vinha logo atrás, com um prato de melancia e melão já cortados.
— Vovô, com quem o senhor estava falando?
Lívia perguntou, curiosa.
Augusto encerrou a ligação, guardou o celular e abriu um sorriso cheio de malícia.
— Hehe… Isso eu não conto.
— Vovô, seu suco.
Carolina estendeu o copo com as duas mãos.
— Obrigado, Carol. — Augusto recebeu o copo, deu um gole e estreitou os olhos, satisfeito. — Hum… Uma delícia.
Carolina voltou a se sentar no sofá de madeira. Lívia se acomodou ao lado dela e, com toda a naturalidade, enlaçou seu braço, inclinando-se um pouco mais para perto. Mesmo depois de tantos anos sem se verem, não havia entre elas o menor estranhamento. Pelo contrário: a intimidade continuava a mesma, como a de duas amigas de longa data.
Augusto pousou o copo e perguntou com gentileza:
— Carol, você veio pra Nova Capital a trabalho?
— Não, vovô. Minha mãe ficou doente… Eu trouxe ela pra se tratar no Hospital São Gabriel.
— Vir até tão longe assim… Então é algo sério.
Carolina ficou em silêncio por alguns segundos. Não queria preocupá-los. Forçou um leve sorriso.
— Na verdade… Não é tão grave assim. Só é um caso mais complicado, difícil de diagnosticar. Os médicos da nossa cidade recomendaram o São Gabriel porque aqui é referência nessa área.
— Se precisar de qualquer coisa, é só falar. — O olhar de Augusto era sincero, direto. — Não precisa ficar com receio de incomodar. Quando as pessoas se encontram na vida, é porque existe um motivo.
— Obrigada, vovô.
Carolina assentiu com um sorriso discreto.
Quanto mais a família Queiroz a tratava bem, mais pesado ficava seu coração.
Mais culpa.
Mais a sensação de não merecer nada daquilo.
— Hoje você fica pra jantar. — Augusto se levantou e continuou falando enquanto caminhava para fora: — Lá no quintal dos fundos tem umas galinhas caipiras. Vou pedir pra cozinheira preparar duas pra você. Olha só como você está magrinha…
Carolina se assustou na mesma hora e começou a se levantar.
— Não precisa, vovô, eu...
Ela nem terminou.
Lívia segurou o braço dela com mais firmeza, num gesto quase manhoso.
— Carol, não corta o barato dele assim. Olha como o vovô tá feliz.
— Mas…
Carolina parou no meio da frase. Era difícil recusar tanta boa vontade.
— Ah, nada de "mas". Você vai ficar pro jantar, sim. Vem, vamos dar uma volta pelo jardim. Aqueles dois passarinhos são uma graça.
Carolina sorriu, sem jeito, e se deixou levar por Lívia.
No fim da tarde, a luz inclinada do sol cobria o pequeno pátio, tingindo flores e folhas de um dourado avermelhado.
Do lado de fora, no jardim, Carolina e Lívia fizeram companhia a Augusto. Jogaram xadrez, conversaram, apreciaram o cenário, tomaram café… E ainda ficaram provocando os dois passarinhos.
A cozinheira preparou um jantar farto com as galinhas.

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