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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 195

— Eu não tenho nada disso.

Carolina negou na mesma hora, apressada.

O doutor Lúcio soltou um suspiro.

— Você acha que já deixou isso pra trás. Acha que superou, que aprendeu a conviver com a dor… Mas nem sempre é assim. Às vezes, o que a gente empurra pra dentro é justamente o que mais machuca.

Carolina se levantou de repente. Pegou a bolsa, visivelmente abalada, e falou às pressas:

— Me desculpe, doutor, mas o senhor está enganado. Eu… Eu estou bem. Sou saudável.

Em seguida, voltou-se para Augusto e inclinou levemente a cabeça:

— Me perdoe, Sr. Augusto. Acabei de lembrar que ainda tenho algumas coisas para resolver no hospital. Não vou poder ficar para o jantar.

Depois, olhou para Saulo e Vanessa:

— Me desculpem. Eu preciso ir.

Ela não tinha coragem de ficar ali nem mais um minuto.

Despediu-se às pressas e saiu sob os olhares preocupados de todos.

Do lado de fora, o crepúsculo já cobria o jardim.

Carolina caminhava rápido.

Mas, quando estava prestes a alcançar o portão…

Parou.

Ainda não era noite. Na penumbra suave do fim da tarde, seu olhar encontrou o homem que acabava de entrar.

E seu coração disparou.

Forte demais.

Rápido demais.

Dolorido demais.

Depois de um ano e dois meses…

Carolina estava diante de Henrique outra vez.

Ele vestia camisa preta e calça social da mesma cor. Continuava alto, impecável, com aquela elegância fria que sempre o acompanhava. O rosto mantinha a mesma beleza austera de antes. E, nos olhos escuros e profundos, havia a mesma distância de sempre.

Mas, naquele instante…

Ele também parou.

Imóvel.

Atônito.

Os olhares se encontraram.

E, naquele breve silêncio, havia um peso antigo, sufocante, como algo que nunca chegou a ser dito até o fim, mas também nunca deixou de existir.

Em apenas um ano e dois meses… Parecia que uma vida inteira tinha passado.

Carolina já havia se preparado para a possibilidade de encontrá-lo na Nova Capital. Por isso, além da rigidez no corpo e do desconforto que a atravessava, não chegou exatamente a se surpreender.

Henrique, por outro lado, jamais imaginou encontrá-la ali, na casa do avô.

O choque foi real.

A surpresa.

A incredulidade.

Mas, no rosto dele, tudo isso se resumiu a um breve congelamento.

Carolina puxou o ar devagar. A palma da mão estava úmida, e os dedos que seguravam a alça da bolsa se contraíram pouco a pouco, até os nós ficarem esbranquiçados.

Então ela se lembrou da última frase da carta que ele havia escrito:

"A vida é longa demais. Não posso dizer que nunca mais vamos nos encontrar.

Mas, se esse dia chegar, que seja apenas para trocar um sorriso breve…

E seguir adiante, como dois estranhos que apenas se cruzaram no caminho."

Quase reunindo toda a força que ainda lhe restava, ela esmagou a tristeza no peito.

A voz saiu fria.

Seca.

Lívia franziu ainda mais a testa.

— Como assim, pra quê?

Ela puxou o braço, irritada, afastando a mão dele, que a apertava com força demais, e esfregou o local, incomodada.

Henrique então se virou lentamente para encará-la.

— Você traz a minha ex pra casa do vovô… E logo depois ele me chama pra jantar. O que vocês querem?

Lívia apoiou as mãos na cintura e respirou fundo antes de responder:

— Eu não sabia que o vovô tinha te chamado. Eu encontrei a Carol no Hospital São Gabriel. Não trouxe ela aqui pra criar oportunidade nenhuma entre vocês.

Fez uma pausa antes de completar:

— E outra… Você está prestes a se casar. Eu não vou, de jeito nenhum, colocar a Carol numa situação dessas.

— É bom mesmo que você se lembre disso.

A voz de Henrique saiu dura.

Fechada.

Sem calor nenhum.

Depois disso, ele entrou na casa.

Lívia ficou olhando para as costas dele, aquele jeito frio, distante, e não conseguiu segurar o resmungo:

— Sinceramente… Nem pra perguntar por que a Carol estava no hospital? Como é que você consegue ser tão frio assim?

Balançou a cabeça, irritada.

— Não é à toa que a mamãe vive dizendo que você mudou… Mudou tanto que parece outra pessoa.

De repente, uma mão grande pousou sobre a cabeça de Lívia e a virou levemente para o lado…

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