Seu corpo girou de repente, puxado pela força daquela mão grande. Quando levantou o rosto, deu de cara com um homem bonito, de feições duras e quase indecifráveis.
Os olhos de Lívia brilharam na mesma hora, e um sorriso aberto iluminou seu rosto.
— Mano, você voltou também?
A voz de Enrico transbordou afeto.
— Ei, sua pestinha... O que você estava resmungando aí?
— Mano, você viu a Carol quando entrou? — Perguntou Lívia. Ao notar a expressão confusa dele, tratou de explicar: — A ex do meu irmão. Carolina.
Enrico franziu levemente a testa, tentando se lembrar.
— Lá fora tinha uma garota encostada na parede, usando um vestido comprido. Ela parecia meio tonta. Como já estava escuro, não consegui ver direito o rosto.
Antes que ele terminasse de falar, Lívia já tinha se soltado e saído correndo.
Mas Carolina não estava mais lá.
A noite já tinha caído, e as luzes da cidade começaram a se acender uma a uma.
Carolina seguia pela avenida, cercada pelo brilho dos letreiros de néon. O vento quente de junho batia em seu rosto, mas por dentro o que se espalhava era um frio cruel, nascido no fundo do peito e correndo por cada gota de sangue.
As pernas pesavam como chumbo.
Mesmo o curto caminho até a entrada do metrô já parecia exigir dela um esforço descomunal.
A cada passo, faltava-lhe mais ar.
Quando entrou no vagão lotado, não havia nenhum assento vazio. Sem forças, ela se encolheu num canto e se apoiou contra a parede.
E Henrique voltava à sua mente sem parar.
De novo.
E de novo.
E de novo.
Mas até pensar nele lhe parecia errado.
Quase uma profanação.
Algo indevido.
Algo que ela não tinha o direito de sentir.
Ela não merecia.
Carolina sempre achou que, se tornasse a ver Henrique, desabaria.
Que iria sofrer, chorar, se abalar por completo, perder o chão.
Mas nada disso aconteceu.
Seu coração só doía um pouco. Fora isso, não parecia restar dentro dela nenhuma emoção forte de verdade.
Talvez o doutor Lúcio estivesse certo: seu corpo estava dando sinais claros de um desgaste muito profundo
Ela só continuava viva por um fio.
Arrastava os dias, insistia em respirar, tudo por causa da mãe que lhe dera a vida.
Aquele amor materno, tão escasso que chegava a machucar, era o único apoio que ela ainda conseguia encontrar no mundo.
No meio do corredor, com gente passando de um lado para o outro.
Sem qualquer aviso.
Pá!
O tapa veio seco, violento, pegando Carolina completamente desprevenida.
O estalo ecoou alto pelo corredor. Por um instante, o burburinho cessou, e todos os olhares se voltaram para ela.
Carolina ficou atordoada.
Levou a mão ao rosto, sentindo a pele queimar. Um zumbido tomou seus ouvidos, enquanto o ar parecia emperrado no peito, sem subir nem descer.
Com os olhos marejados, ela encarou a mulher desconhecida que a tinha agredido.
E, contra toda lógica, deixou escapar um sorriso leve.
"Quem é essa, afinal?
Do nada, me dá um tapa...
O quê? Viu minha mãe internada e resolveu aparecer aqui para fazer caridade?
Esse tapa doeu.
Mas vai sair caro."
Lílian soltou um muxoxo frio, cruzou os braços e apontou para Carolina, atiçando ainda mais a confusão.
— Dani, essa mulher não só deu em cima do seu noivo como ainda está rindo da sua cara. Meu Deus, olha o nível dela. Que coisa absurda... Sem noção nenhuma!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...