— Deixe as cinzas da sua mãe no crematório por enquanto. Depois você vem comigo. Vamos passar o apartamento para o seu nome ainda hoje.
Carolina esfregou a chave entre os dedos.
— Precisa ser tão corrido assim?
— Precisa. — Henrique respondeu num tom leve, quase indiferente. — É melhor resolver tudo de uma vez. Se eu continuar me enrolando com você por muito tempo, minha noiva vai acabar se incomodando.
O peito de Carolina afundou num peso mudo, incômodo, dolorido demais.
Ela não disse mais nada.
Apenas baixou a cabeça e ficou olhando para a chave na própria mão.
Naquela época, ela vivia largando a chave em qualquer canto. Toda vez que saía, acabava perdendo um tempão procurando.
Foi então que Henrique, com as próprias mãos, arrumou aquele chaveiro com um bonequinho fofo e prendeu ali.
Se ela não encontrasse a chave, bastava pegar o celular e acionar o dispositivo. Era só apertar um botão, e o bonequinho começava a apitar. A chave aparecia na mesma hora.
Mas ela também vivia esquecendo de levar a chave.
Não importava onde Henrique estivesse: bastava um telefonema, e ele sempre voltava para abrir a porta para ela.
Depois, ainda passava a mão na cabeça dela e dizia:
— Da próxima vez, esquece o cérebro em casa também.
E ela ainda retrucava, cheia de razão:
— Ah, então você não quer voltar para abrir a porta para mim? Me acha chata, é isso?
— Não é que eu não queira. Mas esse seu defeito irrita um pouco, sim. Vamos trocar por fechadura eletrônica.
— Não. Eu gosto de fechadura com chave. Se vira.
— E eu vou fazer o quê? — Henrique só sorria, sem saída, num carinho indulgente que aparecia até no jeito de olhar para ela. — Minha mulher é pra eu mimar.
Aquele apartamento guardava, em quase cada canto, lembranças bonitas demais.
Depois de pegar as cinzas da mãe, Carolina as deixou sob custódia no crematório e foi com Henrique ao cartório providenciar a transferência do imóvel.
Quando terminaram tudo, ele a levou de volta para o hotel.
Carolina soltou o cinto de segurança e já ia abrir a porta quando Henrique a chamou de repente:
— Carolina.
A mão dela parou na maçaneta. Ela se virou para olhá-lo.
Henrique inclinou levemente o rosto na direção dela. O rosto bonito estava frio, e os olhos escurecidos pareciam carregar mil coisas que ele queria dizer.

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