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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 228

— Deixe as cinzas da sua mãe no crematório por enquanto. Depois você vem comigo. Vamos passar o apartamento para o seu nome ainda hoje.

Carolina esfregou a chave entre os dedos.

— Precisa ser tão corrido assim?

— Precisa. — Henrique respondeu num tom leve, quase indiferente. — É melhor resolver tudo de uma vez. Se eu continuar me enrolando com você por muito tempo, minha noiva vai acabar se incomodando.

O peito de Carolina afundou num peso mudo, incômodo, dolorido demais.

Ela não disse mais nada.

Apenas baixou a cabeça e ficou olhando para a chave na própria mão.

Naquela época, ela vivia largando a chave em qualquer canto. Toda vez que saía, acabava perdendo um tempão procurando.

Foi então que Henrique, com as próprias mãos, arrumou aquele chaveiro com um bonequinho fofo e prendeu ali.

Se ela não encontrasse a chave, bastava pegar o celular e acionar o dispositivo. Era só apertar um botão, e o bonequinho começava a apitar. A chave aparecia na mesma hora.

Mas ela também vivia esquecendo de levar a chave.

Não importava onde Henrique estivesse: bastava um telefonema, e ele sempre voltava para abrir a porta para ela.

Depois, ainda passava a mão na cabeça dela e dizia:

— Da próxima vez, esquece o cérebro em casa também.

E ela ainda retrucava, cheia de razão:

— Ah, então você não quer voltar para abrir a porta para mim? Me acha chata, é isso?

— Não é que eu não queira. Mas esse seu defeito irrita um pouco, sim. Vamos trocar por fechadura eletrônica.

— Não. Eu gosto de fechadura com chave. Se vira.

— E eu vou fazer o quê? — Henrique só sorria, sem saída, num carinho indulgente que aparecia até no jeito de olhar para ela. — Minha mulher é pra eu mimar.

Aquele apartamento guardava, em quase cada canto, lembranças bonitas demais.

Depois de pegar as cinzas da mãe, Carolina as deixou sob custódia no crematório e foi com Henrique ao cartório providenciar a transferência do imóvel.

Quando terminaram tudo, ele a levou de volta para o hotel.

Carolina soltou o cinto de segurança e já ia abrir a porta quando Henrique a chamou de repente:

— Carolina.

A mão dela parou na maçaneta. Ela se virou para olhá-lo.

Henrique inclinou levemente o rosto na direção dela. O rosto bonito estava frio, e os olhos escurecidos pareciam carregar mil coisas que ele queria dizer.

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