Duas da manhã.
Depois de terminar o que ainda tinha para resolver na delegacia, Enrico saiu do trabalho e voltou para casa arrastando o cansaço no corpo.
Assim que empurrou a porta, viu a luz da sala acesa.
Por puro reflexo profissional, parou por um instante e entrou em alerta.
O olhar caiu sobre o par de tênis masculinos largado perto da entrada. Eram familiares.
Só então soltou o ar, deixou a chave do carro sobre o aparador e fechou a porta.
Quando entrou na sala, viu Henrique sentado de lado no sofá, com o cotovelo apoiado no encosto e os dedos sustentando a testa, enquanto encarava a noite além da varanda, perdido em pensamentos pesados demais.
Ao ouvir a porta se abrir, Henrique virou levemente o rosto na direção da entrada.
— Irmão.
A voz saiu baixa, calma.
Os olhares dos dois se encontraram. Enrico suspirou, foi até o sofá e se sentou. Em seguida, deixou o corpo cair para trás, exausto, fechando os olhos por um instante.
— Faz quantas horas que você chegou?
— Três.
— E não avisou? Ficou aí plantado à toa?
Henrique tirou o braço do encosto e se endireitou.
— Não queria atrapalhar seu trabalho. Só não imaginei que você fosse ficar preso na delegacia até duas da manhã.
— Tem um caso complicado me tomando inteiro esses dias. Estou soterrado. — Enrico massageou as têmporas antes de abrir os olhos. — O que foi? Você veio me procurar por quê?
— Tem uma coisa em que eu preciso da sua ajuda. — Henrique pegou um envelope com documentos ao lado do sofá e o colocou sobre a mesa de centro, diante de Enrico. — O caso do pai da Carolina. Quero que você investigue isso pra mim.
Enrico franziu a testa. Olhou para a pasta sobre a mesa e depois voltou a encarar Henrique, cheio de dúvidas.
— Um caso encerrado há cinco anos... O que exatamente você ainda quer investigar? Você não confia na polícia? No juiz?


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