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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 229

Duas da manhã.

Depois de terminar o que ainda tinha para resolver na delegacia, Enrico saiu do trabalho e voltou para casa arrastando o cansaço no corpo.

Assim que empurrou a porta, viu a luz da sala acesa.

Por puro reflexo profissional, parou por um instante e entrou em alerta.

O olhar caiu sobre o par de tênis masculinos largado perto da entrada. Eram familiares.

Só então soltou o ar, deixou a chave do carro sobre o aparador e fechou a porta.

Quando entrou na sala, viu Henrique sentado de lado no sofá, com o cotovelo apoiado no encosto e os dedos sustentando a testa, enquanto encarava a noite além da varanda, perdido em pensamentos pesados demais.

Ao ouvir a porta se abrir, Henrique virou levemente o rosto na direção da entrada.

— Irmão.

A voz saiu baixa, calma.

Os olhares dos dois se encontraram. Enrico suspirou, foi até o sofá e se sentou. Em seguida, deixou o corpo cair para trás, exausto, fechando os olhos por um instante.

— Faz quantas horas que você chegou?

— Três.

— E não avisou? Ficou aí plantado à toa?

Henrique tirou o braço do encosto e se endireitou.

— Não queria atrapalhar seu trabalho. Só não imaginei que você fosse ficar preso na delegacia até duas da manhã.

— Tem um caso complicado me tomando inteiro esses dias. Estou soterrado. — Enrico massageou as têmporas antes de abrir os olhos. — O que foi? Você veio me procurar por quê?

— Tem uma coisa em que eu preciso da sua ajuda. — Henrique pegou um envelope com documentos ao lado do sofá e o colocou sobre a mesa de centro, diante de Enrico. — O caso do pai da Carolina. Quero que você investigue isso pra mim.

Enrico franziu a testa. Olhou para a pasta sobre a mesa e depois voltou a encarar Henrique, cheio de dúvidas.

— Um caso encerrado há cinco anos... O que exatamente você ainda quer investigar? Você não confia na polícia? No juiz?

— Não adianta. Enquanto esse espinho continuar fincado nela, ela nunca vai admitir que ainda sente alguma coisa por mim. E eu não sei obrigar ninguém a ficar.

— E ainda bem, porque obrigar alguém é crime. Nem pensa em fazer uma besteira dessas. Se isso não tem futuro, então larga de vez.

— Eu já tentei. Inúmeras vezes. — Os olhos de Henrique começaram a ficar vermelhos. A voz perdeu a firmeza e saiu rouca, cansada, quase quebrada. — Toda vez eu acho que consegui esquecer, que finalmente desisti... Mas acabo pensando nela de novo. Sem parar. Ela volta o tempo todo pra minha cabeça... De novo, de novo e de novo... Sem fim. Isso não acaba só com o meu humor. Acaba com a minha vida. Com a minha paz. Às vezes eu sinto até que ela está levando embora os meus anos de vida junto. E o pior, é que eu nem tenho coragem de chegar perto dela outra vez. Ficar diante dela e não poder me aproximar... Isso me destrói.

A vida de Enrico sempre tinha girado em torno de duas coisas: estudo e trabalho.

Por isso, ele não conseguia entender com exatidão que sentimento era aquele de que Henrique falava.

Mas, ao olhar para o irmão, sempre tão solar, tão caloroso, agora com os olhos vermelhos e o fundo do olhar tomado por um desespero silencioso, percebeu uma coisa:

Henrique estava sofrendo.

E sofrendo muito.

Só não sabia dar nome àquela dor.

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