Henrique tinha mandado uma mensagem perguntando o que havia acontecido, mas Carolina não respondeu.
O comportamento dele já tinha ultrapassado todos os limites.
Ela se arrumou, trocou de roupa, tomou o remédio em jejum e saiu às pressas, com a pasta numa mão e o celular na outra.
Quando chegou ao escritório, já passava das dez da manhã.
O escritório funcionava em regime de sociedade. Ninguém batia ponto. Cada advogado atuava como sócio da banca, com os lucros divididos meio a meio. Por isso, não havia controle de horário, nem na entrada, nem na saída.
Assim que entrou, Carolina deu de cara com André.
Ele estava na recepção, segurando uma marmita e conversando com uma senhora mais velha.
Ao vê-la passar, chamou:
— Carolina, hoje você chegou bem tarde. A manhã foi puxada?
Ela parou, olhou para ele e esboçou um sorriso por educação.
— Foi, sim.
A senhora acompanhou o olhar do filho, virou-se para Carolina e arregalou os olhos.
— Mas veja só... Você não é filha da Luana?
Carolina também a reconheceu.
Quando a mãe dela ficou internada, as duas dividiram o mesmo quarto no hospital. Na época, aquela senhora chegou a insinuar que poderia apresentá-la ao próprio filho, um homem de quarenta anos, já com filho.
O que Carolina jamais imaginou era que esse filho fosse justamente André.
Sem jeito, ela sorriu e fez um aceno discreto, só por educação.
André franziu a testa, surpreso.
— Mãe, vocês se conhecem?
— Claro. Quando eu fiquei internada, dividi o quarto com a mãe da Carolina. Coitada, vivia aflita, dizendo que a filha já estava passando da idade de se casar. Até pensou em apresentar vocês dois.
A senhora falava sorrindo. Em seguida, aproximou-se de Carolina e segurou sua mão com intimidade demais.
— Quem diria, hein? No fim das contas, vocês já tinham esse destino. Trabalham no mesmo lugar. Já que convivem todo dia, por que não se dão uma chance?
André se surpreendeu por um instante. Logo depois, os olhos dele brilharam, e um sorriso satisfeito despontou no canto da boca.
Ele nunca tinha levado muito a sério a competência profissional de Carolina. Ainda assim, desde a primeira vez que a viu, ficou impressionado com a beleza dela.
Era jovem, bonita, delicada, tinha um jeito sereno e uma elegância natural. Aos vinte e nove anos, carregava aquele equilíbrio raro entre maturidade e frescor.
Ele endireitou a postura, ajeitou a gola da camisa e abriu um sorriso cheio de confiança.

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