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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 283

Se nem o pai de Henrique aceitava aquela relação, então isso queria dizer que toda a família Queiroz era contra os dois.

E, para pôr um ponto final de verdade num amor entranhado até os ossos, talvez só houvesse um desfecho possível: a morte.

Carolina passou o dia inteiro à beira do rio, em silêncio, tentando juntar os pedaços de si mesma.

Pensou que, se a dor se tornasse insuportável, bastaria se jogar na água. Seria um alívio para ela e uma libertação para Henrique também.

Mas aguentou.

Quando anoiteceu, a chuva desabou de vez, pesada, torrencial. Ela chamou um carro por aplicativo e voltou para casa.

O carro parou na entrada do condomínio. Como estava sem guarda-chuva, ela simplesmente desceu e entrou na chuva.

No meio da tempestade, o mundo inteiro parecia afundado numa escuridão espessa e sufocante. A luz amarelada e difusa dos postes mal dava conta de iluminar as ruas internas do condomínio. Carolina seguia em frente, atravessando poças uma atrás da outra.

A água gelada escorria pelos cabelos, pelo rosto, pelo corpo inteiro. Ela já estava completamente encharcada. Tremia de frio, e a vista embaçada mal deixava enxergar o caminho.

Quando enfim chegou à entrada do prédio, a porta do carro estacionado ao lado se abriu de repente.

Henrique desceu.

Carolina parou na mesma hora.

A uns dois metros dele, ficou apenas olhando.

Ele estava parado no meio da cortina de chuva, vestido com uma camisa preta e calça escura, ambas coladas ao corpo de tão encharcadas. O tecido fino desenhava cada linha da sua silhueta. O rosto, frio e duro, continuava bonito de um jeito quase agressivo. Nem debaixo daquele temporal ele parecia abatido.

Se havia alguma diferença, era só uma: ele parecia ainda mais indomável.

Ainda bem que estava chovendo.

Assim, ela podia chorar o quanto quisesse sem precisar esconder.

Henrique avançou sob a chuva, deixando as sombras para trás e vindo na direção dela.

Quando se aproximou, a luz do poste acima iluminou seu rosto. Havia ali um resto de desolação. Sua voz saiu baixa, suave demais:

— Carolina, eu falei aquilo no calor do momento. Quando vi, já não dava mais para apagar o "some". Não fica brava comigo.

Carolina não disse nada.

Continuou apenas olhando para ele, em silêncio.

O peito doía tanto que mal a deixava respirar, mas, ainda assim, ela se obrigava a parecer calma.

— Eu também não trouxe guarda-chuva. Não vamos ficar aqui parados, nos molhando. Vamos subir e conversar em casa.

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